Gravadoras abrem o baú e reeditam obras nacionais e estrangeiras

Desde o começo do ano, entre álbuns e singles, físicos e digitais, a Som Livre relançou de seu próprio catálogo cerca de 100 projetos que estavam fora do mercado há anos

por Ana Clara Brant 17/07/2016 06:00

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Lelis
(foto: Lelis)
Aos 12 anos, o pernambucano Leon Barg (1930-2009) ganhou o seu primeiro tostão e não pensou duas vezes. Em vez de gastar o suado dinheirinho com brinquedos, guloseimas ou outro objeto de desejo da garotada, preferiu comprar um disco. Era apenas o começo.

Ao longo do tempo, o prazer de adquirir os bolachões virou um hábito até se transformar em profissão. Barg se tornou um dos maiores pesquisadores e colecionadores de discos do país. Depois de anos de pesquisa e viagens por todo o território nacional, ele conseguiu reunir mais de 120 mil títulos originais, que conformam a maior coleção de discos de 78rpm (rotações por minuto) do Brasil e uma das maiores do mundo. Entre as raridades, um exemplar do selo Brunswick que trazia a interpretação de Carmen Miranda para o choro Se o samba é moda, que ele procurou durante quase meio século.

Em 1987, já morando em Curitiba, Barg decidiu criar a Revivendo, gravadora dedicada à preservação da história da Música Popular Brasileira. “Era um sonho do meu pai organizar tudo isso. Com o passar dos anos, a memória das vozes e os músicos que construíram a cultura musical brasileira deste século acaba sendo esquecidos, daí a importância do nosso trabalho”, afirma Lilian Barg, filha de Leon, que hoje comanda a Revivendo.

A partir de discos de 78 rotações, que passam por programa específico de remasterização, surgem LPs e CDs. Lilian afirma que, desde a fundação da gravadora, 73 LPs , 423 CDs e uma média de 9 mil fonogramas já foram recuperados. Para isso, a gravadora criou um selo exclusivo denominado Again que se dedica a recuperar os mais diversos gêneros de música, desde as latino-americanas, como tangos, boleros e salsas, passando pelas big bands norte-americanas, fados portugueses, canções líricas e populares italianas, entre outros. No catálogo, pérolas nacionais como os álbuns de Francisco Alves, Orlando Silva, Dalva de Oliveira, Noel Rosa, Nelson Gonçalves, Pixinguinha, Emilinha Borba, Waldir Calmon e até estrangeiros, como Carlos Gardel, Libertad Lamarque, Paul Anka e Amália Rodrigues.

Os produtos da Revivendo são comercializados por meio de seu site (www.revivendomusicas.com.br) e em lojas especializadas. Lilian lembra que os direitos autorais são pagos às editoras detentoras dos fonogramas e que há casos também de autores que já caíram em domínio público. “Infelizmente, a maioria das pessoas que viveram naquela época não está mais aqui, então o que fazemos é não só apresentar esses grandes artistas para as novas gerações, como permitir a quem viveu aquele período matar um pouco da saudade”, afirma.

BAÚ A Som livre também resolveu prestar sua homenagem aos grandes representantes da música brasileira e está abrindo o seu baú. Desde o começo do ano, entre álbuns e singles, físicos e digitais, a gravadora relançou de seu próprio catálogo cerca de 100 projetos que estavam fora do mercado há anos. Clássicos de Elizeth Cardoso, Maysa, Vinicius de Moraes, Edy Star, Maria Medalha, Tom Zé, Geraldo Azevedo, Chico Buarque, Marília Pêra, Maria Creuza e Miltinho já estão disponíveis para os fãs.

O diretor de marketing e comercial da empresa, Guilherme Figueiredo, conta que, como o acervo da gravadora guarda verdadeiras joias da MPB e com a possibilidade de explorar a prateleira infinita dos serviços de download e streaming, surgiu a ideia de iniciar um trabalho de restauração, pesquisa de arquivo e digitalização das capas originais.

“Todo o nosso catálogo é Som Livre hoje, mas não foi necessariamente lançado pela gente em sua primeira versão. A empresa adquiriu o catálogo da RGE nos anos 1980 e isso trouxe um dos acervos mais relevantes da música nacional para dentro de casa. Da lista recente de relançamentos, os discos dos Novos Baianos são exemplo dessa aquisição, enquanto Jorge Ben – A Banda do Zé Pretinho e Mutantes – Tudo feito pelo sol foram lançamentos feitos pela Som Livre”, explica Figueiredo.

O diretor afirma que os relançamentos têm tido sucesso e que o público tem sido participativo e colaborado, inclusive com sugestões. “Tem gente que reclama quando não lançamos algum título. Lembra-se de coisas que estavam fora do nosso radar e comemora a cada novo lançamento. Isso é bem bacana.” Nos próximos meses, está previsto o lançamento de obras de Geraldo Vandré, Guilherme Arantes, Jair Rodrigues, Oswaldo Montenegro, Quarteto em Cy, Maysa, Jorge Ben Jor e Fábio Jr.

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