Nil Lus toca hoje em Montreux

O instrumentista mineiro, que construiu sua carreira na Alemanha e na França, voltou a viver no Brasil. Na apresentação de hoje no festival suíço, ocupa o mesmo palco que a Nação Zumbi

por Ivan Drummond 09/07/2016 10:00

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Acervo pessoal
Nil Lus toca em Montreux pela segunda vez. Sua estreia no festival foi em 2004. Ele comemora o convite feito por Quincy Jones (foto: Acervo pessoal)


Tem mineiro no Montreaux Jazz Festival, na França, um dos eventos musicais mais importantes do mundo. Hoje, quem vai se apresentar por lá – a convite de Quincy Jones – é o belo-horizontino Nil Lus, de 53 anos.

Menino humilde, ele se destacou inicialmente no esporte, mas a música estava em seu sangue desde os 10 anos. “Nasci no Bairro Boa Vista. A infância era pobre, tanto que meu violão era emprestado. Aprendi sozinho. Certo dia, estava na rua tocando quando um senhor de idade passou e me disse que o instrumento era desafinado. Respondi que não. Ele me tomou o violão e o afinou. Descobri que não sabia tocar ‘afinado’, não saiu nada que prestasse. Tive de aprender tudo de novo”, relembra Nil.



Aluno do Colégio Estadual Central, onde jogava de handebol, Nil se tornou atleta do Ginástico e chegou a pivô da Seleção Brasileira. Era conhecido como “Canhão”. “A gente ganhava, saía para comemorar e sempre aparecia um violão. Assim, eu juntava as duas coisas de que gostava: handebol e música”, conta.

Os barzinhos de BH foram a “escola de música” e o ganha-pão dele. “Tocando nesses locais, aos quais devo muito, consegui me formar em educação física, administração e economia”, lembra. Nil se mudou para os Estados Unidos e, posteriormente, emigrou para a Europa. Na Alemanha, um produtor se interessou por suas composições.

“Fiz mais de mil canções. Participei de concertos na América, Europa e Ásia. Em Portugal, fundei o projeto Lusofonia: Sons da Fala em parceria com Sérgio Godinho, Vitorino, Tito Paris e outros”, conta ele, que gravou 11 discos. Em 2006, o mineiro venceu concurso promovido por uma gravadora alemã para montar a trilha sonora da Copa do Mundo, na África do Sul. A canção se chamava Tambor.

“É a minha segunda vez em Montreux. A primeira foi em 2004”, comemora. “Ser escolhido por Quincy Jones para participar novamente do festival é como receber um prêmio especial”, afirma Nil.

Depois de 30 anos no exterior, Nil voltou a morar em Belo Horizonte, onde continua se dedicando à carreira musical.

TRUPE

Neste sábado, ele vai tocar no espaço Music in the Park, em Montreux. E fez questão de levar para a França uma trupe totalmente mineira: Tattá Spalla (guitarra), Eneias Xavier (baixo), Christiano Caldas (teclados), Artur Rezende (bateria), Rudney Carvalho (cavaquinho), Alessandro Contri (DJ), Zeca Magrão e Mateus Moreno (percussões), além dos técnicos Pingo e Alberone (som) e Alexandre Vale (luz).

O palco onde os mineiros vão se apresentar terá também shows da Philadelphia Jazz Orchestra, JM Jazz World Orchestra, Académie Suisse de Cor des Alpes, The Young Gods e Nação Zumbi Project. O encerramento ficará a cargo do grupo Capoeira Gerais e do mestre Mão Branca, também de BH.

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