Depois do sucesso do disco 'Hoje', Ludmilla enfrenta o desafio de emplacar o segundo álbum

Estrela do funk carioca, a cantora mergulha, cada vez mais, no universo do pop romântico

por Ângela Faria 08/07/2016 08:26

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Estrela do funk pop nacional, Ludmilla tem apenas 21 anos e um desafio pela frente: repetir com seu novo CD, previsto para agosto, o sucesso de Hoje, lançado em 2014. O clipe da canção-título daquele disco superou 74,4 milhões de visualizações no YouTube.

Em meados de junho saiu Bom, o primeiro single do novo trabalho. É dançante, mas já chegou com pitadas de mais do mesmo – repetindo o “te pegar, gostoso” do refrão do hit Hoje. Essa canção-chiclete traz o discurso de garota empoderada que não se rende aos caprichos masculinos, marca de Ludmilla.
Warner/Divulgação
Ludmilla em cena do clipe Eu não quero mais, gravado no Deserto de Atacama, no Chile (foto: Warner/Divulgação)

Funkeira pra lá de caliente em seus shows, ela declarou que pretende continuar apostando na praia do funk pop. Pelo visto, a moça tende a ficar cada vez mais pop e romântica, enquanto dilui o funk.

Seu batidão “customizado” – para não dizer domesticado – caiu no gosto do público, levando o gênero para além dos bailes de periferia onde ela surgiu, ainda adolescente, assinando MC Beyoncé.


Essa fórmula “de transição” pode ser traiçoeira. Se errar na dose, Ludmilla corre o risco de soar artificial demais. Ou mais um produto em série do funk pop cevado pelas gravadoras.

Até aqui, a espontaneidade é trunfo de Ludmilla. A moça sabe comandar baile da pesada: dança bem e, ao vivo, é desbocada. Ousada, mas sem perder a brejeirice. Porém, lapidar demais estraga pedras brutas.


A meninona saltitante e funkeira de outrora tem adotado o estilo “star”. A capa do single Bom, clicada por J. R. Duran, traz o mulherão de jaqueta entreaberta, à la diva americana, seios quase à vista. Exibindo (e não é à toa) tatuagem homenageando Rihanna.

A espontaneidade meio moleca dos clipes de Hoje desapareceu no recente Melhor assim, onde a moça divide a cena com Biel. Embalada por rimas pobres e overdose de romantismo fake, a dobradinha lançada em clipe pela Warner, em abril, bateu 33,5 milhões de views no YouTube.


Tanta pasteurização deu saudades daquela Lud garotona de 24 horas por dia, Te ensinei certin e Fala mal de mim.

Pior: Biel se envolveu em escândalo ao exibir seu machismo bobão quando detratou uma repórter. Tal “performance” não combina com Ludmilla, que já andou se declarando feminista por defender em suas letras a autoestima das garotas. É bem verdade que o clipe foi lançado antes da confusão. Mas que ficou estranho, isso ficou...

Parcerias
Outro encontro de Ludmilla – desta vez com Zé Felipe, no clipe de Não me toca – comprova: a moça está de olho no segmento romântico-meloso. O duo bateu 21,7 milhões de views, o filho do cantor Leonardo é um dos destaques do sertanejo universitário, mas... doce demais pode enjoar.

Falando nisso, os duetos com Biel e Zé Felipe nem chegaram aos pés do tête-à-tête da moça com Roberto Carlos durante o especial natalino da Globo, exibido no fim de 2015.


Com seu vestidão vermelho decotado, ela roubou a cena ao dividir com o Rei os versos – e o batidão! – de Hoje. Soube explorar a picardia do funk carioca e, de quebra, não fez feio ao acompanhar RC no clássico Café da manhã.

Admiradora de Beyoncé, Rihanna e Ivete Sangalo, Ludmilla vai se arriscar muito se trocar a graça que o funk lhe deu pela tentativa de se projetar, devidamente formatada pela gravadora, no universo “diva do pop romântico”.

Todas as suas “ídolas” exibem respeitável vozeirão. A garota de Duque de Caxias tem gogó, mas, convenhamos, ainda está a anos-luz de Ivete ou Beyoncé. Conseguirá driblar a armadilha de virar clone, desperdiçando a chance de realçar a luz própria talhada pelo tamborzão? Estrela ou satélite? – o momento é de decisão.

Nem sempre o estouro do primeiro disco ribomba no próximo lançamento, reza a “maldição” do segundo álbum. Agosto será a prova dos nove de Lud. Sabe-se que seu novo CD de estúdio terá Karol Conká, a ultramoderna rapper curitibana, e o americano Jeremih, destaque do hip-hop. Rael, talentoso autor de rap romântico, está compondo para ela.

Enquanto a novidade não chega, no fim de semana essa moça de agenda cheia desembarca em Minas. Hoje, ela canta em Guaxupé, no Sul do estado.

Amanhã, tem show no Parque das Mangabeiras, em BH, evento promovido pela Associação Atlética Acadêmica da Faculdade de Direito da UFMG.

Prova de que o funk está aí, fazendo a cabeça da moçada da Zona Sul, apesar do preconceito que enfrenta por ter nascido nas favelas. Amanhã e domingo, a agenda oficial lista ainda dois shows fechados de Ludmilla na capital mineira.

Contra o racismo
As letras de suas músicas, os discursos, a postura e até o estilo livre de se vestir fizeram com que Ludmilla se tornasse, para alguns fãs, referência no modelo de empoderamento negro no Brasil.


Alvo de ataques racistas na internet, a cantora tem denunciado agressões virtuais. Em maio, a polícia carioca indiciou Hélder Santos, de 31 anos, por injúria preconceituosa depois de a cantora acionar a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, em Benfica.

“Precisamos reivindicar nossos direitos, exigir respeito e dar um basta à discriminação e ao preconceito. Acho que as pessoas precisam mudar e ter mais consciência, amor e respeito ao próximo. Não é uma luta individual, é coletiva.

Muitas pessoas sofrem e se calam diante desse ódio gratuito, precisamos criar mecanismos para combater esses atos racistas e reverter este quadro tão triste.

Todos devem estar cientes de que racismo envolve preconceito e discriminação e se trata de um crime grave e que todos podem e devem se defender”, afirmou Ludmilla. (Com Estadão Conteúdo)

LUDMILLA E CARRETA FURACÃO

Parque das Mangabeiras. Avenida Anel da Serra, Mangabeiras. Amanhã, a partir das 15h. Ingressos: R$ 80 (2º lote) e R$ 90 (3º lote). Vendas on-line: www.semhora.com.br.

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