Leonardo Brant e Marcos Frederico lançam nesta segunda o álbum 'Mata Hari'

Com 11 faixas autorais, disco do ex-roqueiro e do bandolinista fala da paixão e suas desilusões. Show gratuito será no Café com Letra do CCBB

06/06/2016 08:40

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Leandro Paiva/Divulgação
Marcos Frederico e Leonardo Brant (foto: Leandro Paiva/Divulgação)
Chamava-se Mata Hari a espiã holandesa que usava a música e a dança para seduzir os inimigos durante a 1ª Guerra Mundial. Essa mítica personagem inspirou o disco do cantor e letrista Leonardo Brant e do bandolinista Marcos Frederico. O show de estreia do álbum, hoje às 20h, no Café com Letras do CCBB, coincide com a primeira apresentação ao vivo da dupla.

A parceria deles, que completou um ano, é curiosa. No início da década de 1980, Leonardo Brant era vocalista da banda Tridente. “Sou do início do rock brasileiro. Contribuí modestamente”, conta. O grupo chegou a se apresentar ao lado da Sexo Explícito e da Pouso Alto – bandas que deram origem às aclamadas Pato Fu e Skank, respectivamente. Porém, o roqueiro abandonou a carreira para se dedicar ao direito. É professor da Universidade Federal de Minas Gerais e da PUC Minas. Marcos Frederico, por seu lado, abraçou a música profissionalmente. Bandolinista reconhecido, lançou três discos e foi premiado duas vezes no concurso BDMG Instrumental.

Há um ano, os dois se conheceram. “Foi um desses encontros maravilhosos que a vida reserva para a gente. Em janeiro de 2015, meu irmão me falou do concurso de marchinhas de carnaval Mestre Jonas. À noite, sonhei com uma música, ela veio inteiramente em sonho. Liguei para meu irmão, que me falou do Marcos. A partir daí, passei a compor e começamos a nos encontrar com frequência”, conta Brant.

A marchinha não ficou pronta dentro do prazo e não pôde ser inscrita no concurso. Quis o destino que ela virasse um choro, marcando o início da amizade. “Foi empatia mútua. O Leo era cantor nos anos 80 e estava afastado. Senti nele certa carência, a vontade de retomar, e o apoiei”, explica Marcos Frederico. A partir do primeiro encontro, Brant passou a gravar semanalmente. “Quando a gente viu, já tinha material, um disco. Fomos compondo sem muita pretensão, mas agora temos uma coletânea de canções nossas”, diz.

O disco, na verdade, é mais que simples coletânea. Há um quê de conceitual nas letras, que conversam entre si. “É uma história de amor, da perda de um amor. Por isso, há momentos de revolta, desejo e lembranças”, explica Leonardo Brant.

Uma bossa-nova abre o CD. Bem bom chega temperada por sutil ironia, contando a história de um homem que encontra a ex-namorada. No fim, pede um chope, o que leva à próxima faixa, Tous les matins, chanson d’amour, que fala dos bons momentos de um casal.

Com melodia mais pop, Mata Hari é a terceira faixa: o rapaz sofre ao ver a amada se entregar “a um qualquer”. Lembrando Lupicínio Rodrigues, Lamento amargo vem na forma de resposta. “Volta querido/ Prometo que não bebo mais/ Tudo pode ser esquecido”, clama a mulher ao vê-lo com outra. Então, surge o libidinoso bolero Meu corpo. Nunca bato a porta é a sexta faixa, a primeira em que o personagem parece estar em paz. “Come back to me/ You know I have always loved you”, implora o personagem, embalado pelo folk amineirado de A letter to you.

Nesse vaivém da paixão perdida que teima em ser cada vez mais intensa e platônica surge Tempestade. “E eu queria te ver/ Meu amor/ Desfaço em pedaços/ E me sinto tão só/ Eu preciso estar em seus braços”, diz a letra do rock mineiro. Mais suave, Manzana del amor reflete sobre quão fugaz foi aquela paixão. A música é intercalada por um poema de Brant interpretado pela atriz e performer Carolina Corrêa.

Faça o que te faz feliz é o momento da despedida. “Siga de cabeça erguida/ Viva a vida intensamente”, aconselha o narrador. Por fim, um chorinho encerra o álbum, homenagem de Leonardo Brant a três tios.

O show de lançamento do disco Mata Hari, que traz projeto gráfico assinado pela pintora Leonora Weissmann em parceria com Júlio Abreu, reunirá, no palco do Café com Letras do CCBB, Felipe Bastos (bateria), Nestor Lombida (piano), Olavo Barbi (baixo), Flávio Bastos (acordeom e piano elétrico) e Valéria Braga (coro e arranjos vocais).

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