Orquestra Mineira de Rock aposta no progressivo com influência da música mineira

O coletivo é formado pelas bandas Cálix, Cartoon e Somba, com canções autorais e arranjos. Show será hoje, no Sesc Palladium

por Walter Sebastião 03/06/2016 10:20

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Ricardo Laf/divulgação
(foto: Ricardo Laf/divulgação)
Quem volta aos palcos, depois de mais de uma década, é a Orquestra Mineira de Rock. O “coletivo”, com 13 integrantes, é formado pelas bandas Cálix, Cartoon e Somba. Traz no repertório, além de uma canção de cada grupo, composições de Queen, Beatles, Yes e Crosby, Stills, Nash & Young, entre outros. Uma das novidades é a interpretação de trechos da 5ª sinfonia, de Beethoven.

André Godoy, baterista do Cálix, avisa: o público vai ouvir rock progressivo, ponto comum entre os grupos, soma de pop e elementos eruditos. Está no show uma peça de Marco Antônio Araújo (1949-1986), homenageando o pioneiro dessa estética em Minas Gerais.

O nome Orquestra Mineira de Rock nasceu em 1999, designando apresentações que as três bandas faziam juntas, mas tocando em shows separados. O desenvolvimento da empreitada fez com que, especialmente a partir de 2003, os instrumentistas se somassem no palco, gerando orquestra com duas baterias, quatro guitarras, coro de oito vozes, três baixos, além de violoncelo, bandolim e flauta. O show de hoje, o primeiro em que todos tocam juntos a maior parte do tempo, traz abertura instrumental escrita especialmente para a formação. “O clima é de harmonia e alegria, vindas do fato de sermos muitos amigos”, conta André.

Para André Godoy, elementos eruditos no rock dão sofisticação ao gênero. “É um rock diferente, mais interessante nos timbres”, argumenta. Guitarras tocando melodias de violino, por sua vez, dão energia, peso, vivacidade e pulsação ao erudito. O instrumentista recorda que o caminho foi aberto pelo chamado rock progressivo dos anos 1970, que teve no Yes, Genesis e Gentle Giant manifestação importante. A música do Clube da Esquina, observa o baterista, participou da formatação dessa estética no Brasil, acrescentando mais um elemento: a música popular brasileira. “E assim nasceu o progressivo mineiro”, afirma.

André Godoy diz que existe uma cena do rock progressivo em Minas Gerais. A evidência poderia ser a produção de grupos como Mantra e Tuatha de Danann. “Sagrado Coração da Terra é um ícone para nós”, observa. “O progressivo tem grande alcance popular”, observa, lembrando a popularidade do Pink Floyd. Não considera o gênero marginalizado, mas o aloja entre os independentes, porque, “à primeira vista”, trata-se de música difícil, que cobra ouvintes atenciosos e que gostam de curtir detalhes. “Isso é distinto do gosto de ouvir música massificante, que não tem nada de novo. Temos público fiel”, informa.

A ausência da Orquestra Mineira de Rock dos palcos se deve ao fato de as bandas terem de cuidar das respectivas carreiras. Conseguir espaço e estrutura para um grupo tão grande não é nada fácil. Há outro motivo: todos têm de cuidar da família e dos filhos. “Agora que eles cresceram, retomamos a orquestra, inclusive porque é uma forma de divulgarmos o que cada um tem feito”, conclui.

ORQUESTRA MINEIRA DE ROCK
Hoje, às 21h. Grande Teatro do Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3270-8100. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), pelo site www.ingressos.com.

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