Prestes a completar 60 anos, Arismar Espírito Santo lança CD gravado com instrumentistas de primeira

Álbum Roda gingante mistura choro com jazz em registro espontâneo

por Eduardo Tristão Girão 29/05/2016 08:00

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Marco Aurélio Olímpio/Divulgação
Arismar Espírito Santo, Thiago Espírito Santo, Bebê Kramer e Leonardo Amuedo sabem dosar a presença de cada instrumento (foto: Marco Aurélio Olímpio/Divulgação )

Arismar do Espírito Santo domina vários instrumentos, mas tornou-se conhecido como baixista. Em Roda gingante (Maritaca), seu novo disco, ele aparece com o violão de sete cordas nos braços. “Para mim, ele é um baixo”, justifica o músico. É justamente explorando a corda extra, a mais grave, que ele dá o tom do novo repertório, instrumental, autoral e gravado com formação fora do habitual. Direção e arranjos também são assinados por ele.

“Chamo a moçada um dia antes, a gente almoça, mostra o que tem de novo, toma um café e vamos tocar. Aí, vamos decidindo o que fazer. Todo mundo fica à vontade. Normalmente, é assim que funciona”, conta Arismar. Radicado em São Paulo, ele viajou até o Rio de Janeiro para entrar em estúdio com nomes locais que, não por acaso, estão entre os melhores do país em seus respectivos instrumentos: Gabriel Grossi (gaita), Bebê Kramer (acordeon) e o uruguaio Leonardo Amuedo (guitarra).

Juntos, registraram 13 faixas com ares de jam session. Isso não significa registro esculachado, mas de tom mais solto, que funciona bem quando os músicos envolvidos são de alto nível – e esse é o caso do quarteto em questão. Sabem dosar suas presenças para não encobrir as dos outros (nem sumir), sabem com o que contribuir para que dois integrantes não toquem o mesmo em momento algum. Fazem isso de maneira relaxada, natural. A música simplesmente flui.

É por isso que Grossi, talvez o grande gaitista brasileiro da atualidade, brilha em Samba da Bia com um solo virtuoso e musical. É por isso que Amuedo derrama lirismo com sua guitarra ao duetar com o baixo fretless (sem trastes, com aquele som escorregadio) de Arismar em Vô. É por isso que Kramer não apenas improvisa bonito em Thiagueiro, pois também acrescenta camadas que evidenciam o potencial harmônico da composição. E Arismar costura tudo isso habilidosamente com seu violão disfarçado de baixo – ou seria o contrário?

O artista, que completa 60 anos em julho, diz que as composições são todas dele, “mas com aquela liberdade”: “Essa é a ideia da roda. Outro dia fui numa roda com todo mundo tocando, bem lúdico, cada um com seu jeito. Sai bonito. Cada vez estão me chamando mais para esse tipo de coisa. Acho ótimo e o público gosta. Faz um bem danado”. O disco é também uma coleção de improvisos dos mais inspirados e o fato de os músicos tocarem completamente livres contribui para isso – sem qualquer dúvida.

POSTE

A busca por opções de timbres e outras nuances é feita toda na hora, continua ele. “Às vezes, a gente passa raspando no poste, mas sempre dá certo”, brinca. Isso implicou, no caso de três faixas, que Arismar deixasse de lado o violão de sete cordas para tocar guitarra ou baixo. A propósito, numa delas, Thiagueiro, participa seu filho Thiago do Espírito Santo, também baixista.


A escolha pelo violão de sete cordas não se deve apenas ao gosto pelo efeito grave que a sétima corda dá, mas também à própria história do veterano. “Quando tinha 5 anos, ouvia choro e samba direto. Vi muitas vezes o Dino Sete Cordas e o Meira tocando. Faziam choro sambado, mas mais forte. No caso desse disco novo, tem um jazz no meio, mas é sambado. Os compassos que a gente vai usando vão sendo desdobrados, colocados um dentro do outro”, diz.

Sobre a contribuição de cada um dos integrantes, Arismar define: “Aquela sanfona do Bebê parece uma big band, o Gabriel é o trompete e o Leonardo, o piano. A guitarra dele tem um ‘centro’ maravilhoso, que é aquele som intermediário. Então, dá para tocar o violão de sete cordas como se fosse um baixo, abrindo mais vozes nas músicas. Quando a gente toca o baixo, pensa nos acordes e, com esse violão, você tem tudo. As notas ficam soando e vira outro mundo”.

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