Zé Ramalho e Alceu Valença se revezam no palco do Chevrolet Hall

Cantores revisitam seus sucessos que mostram a riqueza musical do Nordeste

por Walter Sebastião 01/04/2016 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Gualter Naves/Divulgação
(foto: Gualter Naves/Divulgação)
Uma dupla de respeito faz show amanhã, a partir das 22h, no Chevrolet Hall: Alceu Valença e Zé Ramalho. São, de fato, dois shows solo. O repertório traz os principais sucessos de cada artistas e canções menos conhecidas, mas que são peças importantes na carreira deles. Quem abre a noite é Zé Ramalho, que revisita canções como Avohai, Frevo mulher, Admirável gado novo, Chão de giz, Ondas, Garoto de aluguel, Vila do sossego, Banquete de signos, além de releituras de Raul Seixas (Trem das sete e Medo da chuva). A dupla integra grupo de artistas nordestinos que celebram as raízes regionais, criando caminho que ecoa com força na MPB.


“Quando subo no palco, sinto-me como o menino que, em São Bento do Una, minha cidade natal, subiu numa cadeira e cantou para a família”, afirma Alceu Valença. Além de composições autorais, o repertório inclui duas músicas de Luiz Gonzaga e uma de Jackson do Pandeiro. Ele avisa que não adianta lhe pedir uma canção favorita: “São todas a minha cara, não tenho como escolher”, responde. Ele explica que sua música carrega uma história pessoal. O músico conta que suas apresentações podem ter oito variantes, de solo a trio, passando por metaleira de grupos carnavalescos.

“Eu sou eu mais a minha circunstância. E a minha circunstância é ter ouvido, ainda criança, os mesmos sons que Luiz Gonzaga ouviu: aboios, toadas, cordéis, violeiros, emboladores”, enumera. Acrescente-se “a vitrola clássica” na casa do avô e o rádio que deu acesso a Orlando Silva, Sílvio Caldas, Noel Rosa, Ataulfo Alves e Tom Jobim. Ele revela que adora também Cássia Eller, Cazuza e Frejat. A família nem queria que ele se tornasse músico, por medo de que parasse de estudar e acabasse boêmio como dois tios. “Um dia, minha mãe, Adelina Paiva Valença, que tem hoje 102 anos, se rebelou. Aos 16 anos, me levou a uma loja e mandou escolher um instrumento. E ganhei um violão”, recorda.

Em época que todos os colegas de rua, em Recife, tocavam versões de canções norte-americanas, conta Alceu, ele adorava tudo que os vizinhos tinham vergonha: baiões, xotes, maracatus. Tempos mais tarde, no intervalo de seminário nos Estados Unidos, pegou o violão e tocou para os hippies. Um jornalista viu e o chamou de “Brazilian Bob Dylan”. “Nem planejava ser artista, mas a arte me puxa”, afirma, lembrando que, em nome dela, um curso e emprego de jornalista ficaram para trás. Sua amplitude de vivências, observa, faz com que ele toque em festivais de jazz, rock, MPB, festas populares, com orquestras etc.

“Sou artista múltiplo, sertão e litoral”, afirma, lembrando que tem livro de poesias (O poeta da madrugada), é ator e está estreando como diretor de cinema com o elogiado A luneta do tempo. O filme, observa, é homenagem ao pai (“que me contava histórias do cangaço”), à professora de filosofia (Bernadete Pedrosa), ao avô que tocava viola e ao aboiador Apolônio. “Sou rebelde com causa. Fui contra a ditadura, pelas eleições diretas, procuro afirmar a cultura da minha terra”, afirma.

Alceu Valença e Zé Ramalho

Show amanhã, às 22h. Chevrolet Hall – Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro. Pista/arquibancada: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia), terceiro lote. Mesa: R$ 900 (quatro lugares) setor I. Classificação: 12 anos. Menores de 12 a 14 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis legais.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA