Orquestra Ouro Preto abre temporada 2016

'As sete últimas palavras de Cristo' abre série de concertos na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto

por Walter Sebastião 22/03/2016 08:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
NATHALIA TORRES/DIVULGAÇÃO
(foto: NATHALIA TORRES/DIVULGAÇÃO)
Com uma peça sacra clássica – As sete últimas palavras de Cristo, do austríaco Joseph Haydn (1732-1809), a Orquestra Ouro Preto abre sua temporada 2016 de concertos, com apresentações hoje, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, e amanhã, na Fundação de Educação Artística, em Belo Horizonte. Nos dois casos, às 20h30 e com entrada franca.

A singularidade da obra, como explica o maestro Rodrigo Toffolo, é ser uma criação que, com música, consegue passar ao público o sentido espiritual, simbólico, universal da paixão de Jesus Cristo. “É uma obra de um mestre em seu momento mais alto”, afirma o regente.


O motivo desenvolvido pela composição, com tonalidade contemplativa e mesclando tragédia e melancolia, vem do sermão feito por Jesus antes de sua morte. As palavras são: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem; Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso; Mulher, eis aí o teu filho. Filho eis aí a tua Mãe!; Tenho sede!; Meus Deus, meus Deus, por que me abandonastes?; Tudo está consumado!; Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito!. A atriz Inês Peixoto encena as situações, evocando a figura de Maria Madalena, segundo relato, a única presente nos acontecimentos.

SUBLIME “É música que não se detém na constatação da dor carnal, mas se volta para o sublime, para a transcendência e faz pensar”, observa Toffolo. A presença de Inês Peixoto, diz ele, ajuda a criar “conexão forte” com a música, além de favorecer uma contextualização que, em sua opinião, é importante para a compreensão da obra. Considerada uma das obras-primas de Haydn, a peça foi escrita num momento em que ele já era considerado um mestre musical e num ano particularmente fértil de sua produção. As várias versões da obra (para piano solo, coro e orquestra etc.) atestam o gosto do público pela obra, como aponta o maestro.


Toffolo defende que, no repertório clássico, composições e autores devem ser ouvidos e reouvidos sempre. “Não lemos Shakespeare ou Guimarães Rosa uma vez só. São criações e autores que nos deram patamar de civilização.” A apresentação desse tipo de repertório cobra esforço, preparo, responsabilidade com a literatura sobre a peça e atenção musicológica, frisa Toffolo. “Haydn, a Quinta sinfonia de Beethoven ou Yesterday, dos Beatles, você não pode fazer de qualquer jeito. São músicas que as pessoas conhecem. Se você fizer errado, percebe-se na hora.”


A Orquestra Ouro Preto está encerrando sua turnê de lançamento do disco Beatles. Até junho, lança novo CD – Latinidades. Na agenda de trabalhos estão, ainda, estreia de obra inédita de Radamés Gnatalli, espetáculo com o grupo Giramundo, projetos com Maria Rita, uma homenagem a Ella Fitzgerald e a Edu Lobo.

 

As sete últimas palavras de cristo, de Joseph Haydn
Concerto com Orquestra Ouro Preto e participação especial da atriz Inês Peixoto. Hoje, às 20h30, na Igreja Nossa Senhora do Carmo, Ouro Preto. Entrada Franca. Amanhã, às 20h30, na Fundação de Educação Artística, Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários, (31) 3224-1744. Entrada franca, com distribuição de senhas uma hora antes do concerto.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA