Produção de clipes ganha novo fôlego com veiculação na internet

Várias bandas de BH investem no formato para ganhar mais espaço e definir como querem ser vistas pelo público

por Fernanda Machado 13/03/2016 10:00

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
O produtor e diretor Pedro Vasconcelos acha que a internet muda os outros meios e a forma de as pessoas se relacionarem comas mídias (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Em uma realidade em que a mais recente novidade sobre sua banda favorita chega direto na tela do celular, é difícil imaginar que, há alguns anos, a melhor forma de conhecer o rosto de um artista era pelos clipes que passavam na MTV. Se hoje o canal perdeu relevância e já não dita as tendências do que se escuta nos fones de ouvido, os videoclipes, por sua vez, continuam fascinando quem produz e quem consome música. Prova disso é que, só nos primeiros meses de 2016, foram lançados na internet pelo menos cinco vídeos de bandas e artistas independentes mineiros.


Responsável por dois desses projetos, o produtor e fotógrafo Flávio Charchar acredita que nunca se assistiu a tanto videoclipe quanto hoje, mesmo que em outra mídia. “Sou fã assíduo da banda Incubus. Existem vários clipes deles que consegui ver somente quando a internet me possibilitou, pois os primeiros clipes não tinham chegado com relevância na programação da MTV. Hoje isso não existe”, explica. O produtor acredita que a internet abre portas e, portanto, o investimento em audiovisual pode gerar bons frutos para artistas novos. “Uma das razões pelas quais o Djambê, banda daqui de BH da qual fiz parte até dezembro do ano passado, foi escolhida para competir no Web Fest Valda 2015 foi justamente porque tinha um dos vídeos mais bem produzidos dos apresentados pelos competidores. O retorno financeiro, em termos de aumento da agenda de shows e afins, é muito válido para o artista que pensa em bancar um clipe”, afirma.

FLÁVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO
Imagem de 'Carna Belô', de Rafa Braga, dirigido por Flávio Charchar (foto: FLÁVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO)
O primeiro produto desse tipo produzido por Charchar, mais conhecido pelo seu trabalho na fotografia, já estreou chamando a atenção. Ele foi convidado pelo músico Rafa Braga para ilustrar a canção Carna Belô e o resultado foi lançado antes da festa de Momo. “O Rafa me fez o convite pra criar esse clipe em homenagem ao carnaval de BH, com uma música nova dele. Era para ser tudo realizado em 15 dias e tínhamos um ‘elenco’ de, pelo menos, seis pessoas para envolver na gravação, o que daria muito trabalho. Mas resolvi entrar de cabeça, porque gostei do espírito da coisa toda, bem faça você mesmo”, conta. O vídeo já tem mais de 8 mil visualizações.


A segunda empreitada foi feita em parceria com o amigo Jonathan Tadeu para a música Rogério Ceni, da banda Aldan. O resultado, mais experimental, agradou ao produtor. “Sou apaixonado pela música do clipe e por esse último trabalho da banda. Foi um clipe bem experimental, em que testamos muita coisa na pós-produção, fizemos brainstorms longos na ilha, mas adoramos o resultado.”

A CARA DA BANDA
Mais do que divulgar o trabalho musical, o videoclipe também é visto como parte da identidade do artista. Nele, podem-se apresentar conceitos estéticos, ideias e posições políticas. “O clipe dá uma cara para a banda. É uma forma de o público ter mais acesso ao artista e às coisas que o interessam”, diz Pedro Vasconcelos, produtor e diretor.

Para Vasconcelos, que tem um trabalho mais voltado para o cinema, a produção de videoclipes é um agradável hobby. Responsável por pelo menos cinco projetos do gênero, o mineiro vê a internet como aliada. “Acho essencial os gêneros cinematográficos acompanharem as novas mídias. A internet veio mesmo transformar o jeito que vemos o mundo e produtos culturais como música, cinema e seriados. No caso dos clipes, por exemplo, acredito que ela aproxima o artista de seu público, inclusive pela possibilidade de liberar o making of e imagens da produção”, comenta.


FLÁVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO
A banda Aldan gravou o clipe experimental Rogério Ceni (foto: FLÁVIO CHARCHAR/DIVULGAÇÃO)
O mais recente clipe dirigido por Vasconcelos foi criado para a faixa Mil rosas, da banda Ledjembergs. Com concepção e direção do próprio cineasta, em parceria com a produtora Olada, o vídeo foi lançado em fevereiro. “É o segundo clipe que faço para eles. O primeiro foi para uma versão da música Construção, do Chico Buarque, que fez muito sucesso e foi compartilhado até pela página oficial do compositor. Desta vez, fui chamado para fazer um videoclipe com história, mais parecido com cinema. Fiz o roteiro, a produção e até operei a câmera”, conta.


A dica de Pedro Vasconcelos para bandas que querem investir em videoclipe é pensar bastante na concepção artística. “Mais do que ter grana, é fundamental saber no que você quer investir. É válido, inclusive, fazer vídeos mais caseiros, mas tem que ter bom senso, senão o artista corre o risco de ficar sem identidade visual”, alerta.

PALAVRA DE MÚSICO
“A música não é só pra ser ouvida, mas também para ser vista. Sempre houve uma necessidade de ter outros materiais, de mostrar para o público outras ideias que fazem parte do trabalho de uma banda”, opina Fábio Gruppi, vocalista do Tempo Plástico, que acaba de lançar o clipe para a faixa Hoje eu acordei.


O vídeo, dirigido por Pedro Continentino Giordano – que já trabalhou com Fernanda Takai e Jota Quest –, foi o primeiro da banda com produção mais bem trabalhada. “A preocupação para o clipe de estreia desse disco (da música Stoner) era mostrar a banda. Tanto que ele é mais simples, só com a gente tocando. Já para o Hoje eu acordei pensamos em fazer algo mais elaborado. Como não tínhamos o roteiro pronto, o Pedro nos ajudou a construir a ideia, usando como referência o filme Quero ser John Malkovich, e também alguma coisa de Alice no país das maravilhas”, explica Fábio.


Experiente no ramo, Giordano aplaude a inciativa das bandas mineiras de apostar em trabalhos mais bem produzidos. “Não é a coisa mais simples para uma banda transmitir o que ela pensa, e a imagem é uma outra ferramenta para fazer isso. O fato é que fazer um bom trabalho não é exatamente barato. Mas vale a pena o investimento”, afirma o diretor.

 

Para assistir:

 

» Aldan – Rogério Ceni

 

 

 

 

» Rafa Braga – Carna Belô

 

 

 

» Ledjembergs – Mil rosas

 

 

 

»Tempo Plástico - Hoje eu acordei

 

 


» Tião Duá – Rádio Favela

 

 

 

» Djambê – Quanto Vale?

 

 

 

 

 

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