O mundo se despede de George Martin, o ''quinto beatle''

Produtor britânico tinha 90 anos e foi fundamental para a revolução promovida pelo quarteto de Liverpool. Sgt. Pepper's foi sua obra-prima

por Mariana Peixoto 10/03/2016 08:00

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NIURKA BARROSO/AFP
(foto: NIURKA BARROSO/AFP)
George Martin não teria sido George Martin sem os Beatles. Mas os Beatles tampouco seriam os tais não fosse por ele. Martin, morto na manhã de ontem aos 90 anos, já era um nome de prestígio na cena musical londrina quando ficou sabendo que Brian Epstein empresariava um grupo pop que a maioria dos selos da época havia recusado.

Tinha então 36 anos e era o homem de frente do selo Parlophone, subsidiária da EMI. Marcou o encontro com Epstein para 13 de fevereiro de 1962. Não saiu muito impressionado da gravação que ouviu, mas gostou dos vocais de John Lennon e Paul McCartney. Naquela época, vale dizer, só artistas solo emplacavam nas rádios.

Até então, Martin não tinha se encontrado frente a frente com o grupo. O contrato, que dava à banda 1 penny para cada disco vendido, só veio alguns meses depois. E houve restrições – ele descartou de cara Pete Best; a substituição da bateria ocorreu em setembro, com a entrada de Ringo Starr.

E foram nove anos intensos que definiram o que se conhece hoje como música pop. Martin conseguiu transformar em realidade as aspirações criativas dos Beatles. E além de produtor, foi também músico – com formação em piano e oboé, após a Segunda Guerra Mundial trabalhou no Departamento de Música Clássica da BBC.

Os créditos são muitos e valiosos. Foi de Martin o arranjo de cordas que está ao fundo de Eleanor Rigby; a sugestão para um quarteto de cordas em Yesterday. Ele ainda executou o solo de piano de In my life. Mas sua obra-prima foi o álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), divisor de águas não só dos Beatles como da música pop. “Sem meus instrumentos e meus arranjos, a maioria dos discos não teriam soado como o fizeram. Se teriam sido melhores, não sei. Não é modéstia de minha parte, tento traçar uma imagem factual da relação” com os Beatles, disse Martin em certa ocasião.

HOMENAGENS Ontem, Paul McCartney e Ringo Starr prestaram as devidas homenagens. Nas redes sociais, McCartney escreveu: “Ele foi um verdadeiro cavalheiro e um segundo pai para mim. Ele guiou a carreira dos Beatles com tamanha habilidade e bom humor que se tornou um amigo verdadeiro para mim e minha família. Se alguém mereceu o título de quinto beatle, esse alguém foi George”, escreveu numa rede social, acrescentando que o parceiro foi “a pessoa mais generosa, inteligente e musical que tive o prazer de conhecer”. Em sua conta no Twitter, Starr e sua mulher, Barbara, escreveram: “Vamos sentir falta de George”, desejando ainda “paz e amor” para a família de George ao lado de uma foto do produtor.

Logo depois do anúncio da morte de Martin, as mensagens de pêsames começaram a chegar. “As lendas estão voltando para casa”, escreveu o músico Lenny Kravitz em referência a Martin, um “produtor visionário”. “Sir George Martin era um gigante da música – junto aos Fab Four criou a música pop mais duradoura do mundo”, escreveu no Twitter o primeiro-ministro britânico, David Cameron. “Descanse em paz, George Martin. Estou tão chateado que não tenho palavras”, escreveu Sean Lennon sob uma foto de George Martin no Instagram.

Ainda assim, o título que o acompanhou por décadas não dá conta de outros trabalhos. Martin, com o fim da banda, continuou trabalhando com McCartney e Starr. Mas também com Jeff Beck, America, José Carreras, Celine Dion, Earth Wind and Fire, entre outros. Ainda atuou como regente de orquestras. O último single que produziu foi a versão de Candle in the wind, de Elton John, para o funeral da princesa Diana, em 1997.

Proclamado “sir” pela Rainha Elizabeth em 1996 (um ano antes de Paul McCartney), Martin supervisionou, nos anos 1990, a pós-produção de Anthology, série de álbuns e documentário sobre os Beatles. Dez anos mais tarde, com seu filho Giles, embarcou no espetáculo Love, do Cirque du Soleil, em cartaz até hoje em Las Vegas. O projeto resultou no álbum homônimo, com trechos de 130 canções dos Beatles.

Foi um beatle até o fim.

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