Do rock ao manguebeat, pelo menos 18 discos pernambucanos chegam ao mercado em 2016

Di Melo, Clarice Falcão, Bongar e Nação Zumbi estão na lista de artistas locais cujos projetos ganham as prateleiras neste ano

por Larissa Lins 07/03/2016 10:30

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Divulgação oficial (Di Melo), Flora Pimentel (Isadora Melo), Facebook/Reprodução (Tagore, Clarice e Bongar)
Di Melo, Tagore, Isadora Melo, Clarice Falcão e o Grupo Bongar têm discos recém-lançados ou em fase de finalização (foto: Divulgação oficial (Di Melo), Flora Pimentel (Isadora Melo), Facebook/Reprodução (Tagore, Clarice e Bongar))
Passeando pelas ruas de Amsterdã, na Holanda, o pernambucano Roberto de Melo Santos, Di Melo, decidiu garimpar discos para a coleção que mantém em São Paulo, onde vive desde a década de 1960. Encontrou, para a própria surpresa, dois exemplares do vinil homônimo lançado por ele no Brasil em 1975: um deles, avariado, tinha preço fixado em 350 euros, enquanto o outro, conservado, custava o dobro.

“Aquilo era muito valioso. Foi então que decidi: eu precisava voltar à ativa, criar uma plataforma poderosa e propagar minha música outra vez”, lembra Di Melo, que lança neste ano o segundo álbum oficial da carreira, após 40 anos afastado da indústria fonográfica. Nesse intervalo, produziu mais de dez discos informais, comercializados por ele ao fim dos shows. Mas somente agora volta a integrar o calendário formal de lançamentos, enriquecido neste ano por cerca de 20 álbuns de artistas pernambucanos. O financiamento colaborativo, a antecipação de singles em plataforma digital e o intercâmbio entre conterrâneos marcam a safra, na qual O imorrível figura como principal elemento surpresa para o público.

Segundo Di Melo, o novo disco marca retorno ao círculo produtivo iluminado pelos holofotes. “Tenho mais 400 músicas inéditas, 100 delas gravadas. São composições em homenagem a Chico Buarque, a Elis Regina, a personalidades da MPB. Tenho, ainda, 12 canções em parceria com Geraldo Vandré, também inéditas, além de músicas com Wando, com Baden Powell”, lista o pernambucano, que apresentou O imorrível - com participação da baiana Larissa Luz, do paulistano Dexter e do também pernambucano Otto - no último dia 27, em São Paulo. A capital paulista também foi escolhida pelo conterrâneo Tagore para o show de lançamento de Pineal - o sucessor de seu primeiro disco, Movido a vapor (2014) - previsto para maio. A despeito do local de estreia das turnês, O imorrível e Pineal foram gravados no Recife. O primeiro, no estúdio Casona, com produção de Pedro Diniz. O segundo, em estúdio caseiro montado no apartamento de Tagore Suassuna, na Zona Sul da capital pernambucana.

O vínculo com a terra natal marca a safra de lançamentos prevista para este ano e se desdobra nos temas dos álbuns, que além de amores, paixões e desejos latentes, versa sobre o cotidiano das grandes cidades. “Em Pineal, inspirado na glândula que temos no centro do cérebro, as letras exploram críticas sociopolíticas, pontos de vista cotidianos, sempre pelo prisma de uma figura sensível”, explica Tagore. E a pernambucana Clarice Mendes, vocalista da Bande Dessinée, ecoa: “Mergulhamos nas questões cotidianas, tanto estéticas quanto sociais.” O grupo apresenta Destemida no Recife no dia 7 de abril, e antecipou o primeiro single, que dá nome ao disco, no último dia 19, com videoclipe estrelado pela atriz Ceronha Pontes e dirigido por Pedro Toscano.

A estratégia de divulgação a conta-gotas, com clipes e áudios disponibilizados gratuitamente nas plataformas digitais, é compartilhada por outros pernambucanos, como Aninha Martins (que antecipou Útero, faixa de Esquartejada), Clarice Falcão (que divulgou Irônico, do repertório de Problema meu) e Tibério Azul (que, nos próximos dias, lança o primeiro single de Líquido). O imorrível, de Di Melo, foi além: está disponível na íntegra na internet, por streaming, desde novembro passado. Em casos de financiamento colaborativo, como nos discos da Mamelungos e da Dessinée, previstos para este semestre, a tática ajuda a apresentar ao público o novo projeto, aumentando o alcance dos discos ainda incubados e, com isso, angariando contribuições.

PINEAL, Tagore Suassuna
Previsão de lançamento: maio

Com título inspirado na glândula localizada no cérebro humano, Pineal tem lançamento previsto para maio, e compila 12 faixas gravadas em estúdio caseiro, no Recife, em seis meses de produção. “Teoricamente, essa glândula seria responsável por todas as nossas conexões extra-sensoriais, ou ‘mediúnicas.’ Resolvi homenagear esse órgão, que em diversas culturas foi representado como nosso Terceiro Olho”, diz Tagore. Os temas vão do amor às críticas sociais. Há participações de Benke Ferraz (Boogarins, Luziluzia e Benkes) e Fernando Almeida (Boogarins).

ESPERANDO A VOLTA DO MECENAS (título provisório), Matheus Torreão
Previsão de lançamento: segundo semestre

O título provisório antecipa o projeto que ganha campanha de financiamento colaborativo em abril. Dois singles foram gravados: Adeus, meu rock’n’roll e Frevo da aposentadoria. A banda carioca Exército de Bebês acompanha Matheus no disco, que terá 11 faixas, incluindo A volta do Mecenas. “As faixas têm em comum o senso de humor, um sentimento de frustração em relação ao mundo. Eu gosto de tentar achar graça da infelicidade”, conta o músico.

O IMORRÍVEL, Di Melo
Lançamento: fevereiro

“Estou na minha melhor fase. Esse disco é coisa de Deus, dos anjos, arcanjos, poderes teleguiados”, diz o músico Di Melo sobre o segundo álbum formal de inéditas da carreira, após hiato de 40 anos. O título O imorrível se inspira no documentário homônimo de Alan Oliveira e Rubens Pássaro. O novo álbum tem participação de B. Negão (na faixa Diurno) e de Larissa Luz (em Milagre), além de composição em parceria com Geraldo Vandré. Está disponível na internet e ganha formato físico com turnê de lançamento, iniciada em São Paulo.

SAMBA DE GIRA, Grupo Bongar
Previsão de lançamento: junho

Gravado com estúdio móvel montado em terreiro, com autorização extraordinária das entidades espirituais, Samba de gira reúne 22 faixas, entre composições autorais e pontos do candomblé. “Gira significa reunião de seres de diferentes dimensões. Há letras que escrevi e ensinei as entidades a cantarem. É algo inédito”, relata Guitinho de Xambá. Siba, Maciel Salu e Juliano Holanda estão entre os convidados especiais. O álbum homenageia as tradições da jurema e as raízes africanas.

DESTEMIDA, Bande Dessinée
Lançamento: março

O single que dá nome ao novo disco foi lançado no último dia 19, no Youtube e nas plataformas de streaming Deezer, iTunes e Spotify. A partir de perspectiva feminina, o clipe, dirigido por Pedro Toscano e estrelado por Ceronha Pontes, explora o instinto de libertação e de encontro consigo mesmo, uma das tônicas do álbum. Segundo a vocalista, Clarice Mendes, o disco aborda temáticas sociais, cotidianas e o processo de amadurecimento vivido pelos integrantes da banda. Destemida entra em pré-venda no Kickante em março, a fim de ser viabilizado por financiamento colaborativo. O primeiro show ocorre no Recife, em abril.

LÍQUIDO - OU A VIDA PEDE MAIS ABRAÇO QUE RAZÃO, Tibério Azul
Previsão de lançamento: primeiro semestre

Segundo álbum de uma quadrilogia inspirada nos elementos da natureza, Líquido  ou a vida pede mais abraço que razão tem a água como protagonista. “Terá, provavelmente, dez faixas. Ainda estou negociando as participações especiais”, conta Tibério, que reúne apenas composições autorais e inéditas no projeto. Um single será lançado antes do disco, em fase final de gravação. “Mergulhei no universo da água, sem confronto, ligado ao todo.”

SEMPRE AO VIVO (título provisório), Walter Areia
Previsão de lançamento: abril

Gravado por Areia e Grupo de Música Aberta, o disco revisita o repertório lançado no ano passado em formato de DVD. Com título provisório Sempre ao vivo, remete ao método de gravação do grupo, que reúne todos os músicos ao mesmo tempo em estúdio, tendo por característica o improviso. Com seis faixas, o álbum terá formato físico e digital, sem participações especiais. Teus pés e Hora de ir são inéditas, enquanto as demais são releituras do primeiro CD, Para perdedores.

ESPAÇO-TEMPO, Juliano Holanda
Previsão de lançamento: abril

Compositor conhecido nacionalmente ao assinar a trilha sonora da série Amorteamo, Juliano Holanda lança vinil compacto (duas faixas) em abril. A autoral A arte de ser invisível e Em seu lugar (parceria com Zé Manoel) ganharão tiragem inicial de 450 exemplares. Esse é o terceiro projeto lançado por ele no mercado, após A arte de ser invisível (2013) e Pra saber ser nuvem de cimento quando o céu for de concreto (2013).

VENDE-SE, Jr. Black
Previsão de lançamento: julho

O segundo disco solo de Jr. Black reúne nove composições autorais, com produção de Juliano Holanda e Yuri Queiroga. Classificado pelo músico como um disco confessional, Vende-se explora narrativas urbanas, metropolitanas. “Entendo a arte como ato político. Meu desejo é falar sobre aquilo que ninguém falar”, explica Jr. Black, cujo projeto busca retratar as glórias e frustrações de um artista numa cidade em processo de destruição e reconstrução - “onde tudo parece estar à venda.”

PROBLEMA MEU, Clarice Falcão
Lançamento: fevereiro

O show de estreia da turnê Problema meu ocorre no Recife, no dia 18 de março. O álbum, porém, foi disponibilizado na íntegra no último dia 19. A faixa Irônico foi antecipada por Clarice Falcão, que deixou o canal humorístico Porta dos Fundos para se dedicar à música, por streaming, após o carnaval - foi gravada durante a folia de Momo, explorando ritos carnavalescos, blocos e a rotina da cantora nesse período. Ao contrário de Monomania, disco de estreia, Problema meu explora sentimentos diversos, do amor à raiva. Segundo a artista, dessa vez os ‘eu líricos’ variam mais. 

VESTUÁRIO, Isadora Melo
Previsão de lançamento: primeiro semestre

O álbum de estreia da pernambucana Isadora Melo, com produção de Juliano Holanda, parceiro musical da artista. Rafael Marques (bandolim), Júlio César (acordeon) e Walter Areia (baixo acústico) participam do disco, gravado em processo analógico no qual todos tocaram ao vivo, simultaneamente. O maestro Jaques Morelenbaum é uma das participações especiais. Partilha (Juliano Holanda) e Braseiro (Juliano e Júlio Holanda) estão no repertório, que também inclui composições de Zé Manoel, Hugo Lins, Caio Lima (Banda Rua) e Clara Simas.

DESEMPENA, Almério
Previsão de lançamento: segundo semestre

Como o nome sugere, Almério propõe consertar o que está torto, em 11 faixas - sete autorais e quatro de compositores parceiros. “É sobre a esperança, a vontade de desentortar o torto com a minha poesia. Sobre o homem que atravessa todos os dias marés de estímulos, propagandas, notícias sangrentas, bips, enganos, solidão”, conta. O álbum será patrocinado pelo Natura Musical e terá shows de lançamento no Recife e em Caruaru. “Quero que minha música diga: ei, irmão, ‘tamo’ junto!”, completa.

ESSE É O NOSSO MUNDO, Mamelungos
Previsão de lançamento: primeiro semestre

Após quase seis anos sem lançar disco, a Mamelungos selecionou 11 músicas autorais para Esse é o nosso mundo, em pré-venda no Kickante, no qual o grupo arrecadou R$ 13,4 mil dos R$ 45 mil pretendidos. “O disco não tem um estilo definido, não pode ser chamado de rock, reggae ou pop. Segue a linha da nova MPB”, explica Thiago Hoover, vocalista e guitarrista. As músicas falam do autoconhecimento, dos impactos da mudança dos pernambucanos para São Paulo. O conterrâneo China assina a produção. O single Varanda, primeiro clipe da banda, já foi divulgado na internet.

NAÇÃO ZUMBI, Nação Zumbi
Lançamento: segundo semestre

No ano em que celebra 20 anos de lançamento do álbum Afrociberdelia, o grupo anunciou os planos de gravar novo disco de estúdio em 2016. O sucessor de Nação Zumbi (2014) dará continuidade ao repertório manguebeat iniciado na década de 1990. Em entrevistas, os integrantes já declararam ter material inédito em fase de seleção. Eles ainda pretendem lançar, este ano, a gravação de um show feito com Chico Sicence no festival de Montreux, na Suíça, em 1995.

ESQUARTEJADA, Aninha Martins
Previsão de lançamento: maio

Uma compilação de 13 letras assinadas por parceiros como Caio Lima, Karla Linck e Hugo Coutinho, além de duas composições dela com Vinícius Paz, compõe o primeiro disco de Aninha Martins (ex-Sabiá Sensível), Esquartejada. Além do single Útero, já lançado, Queda punk deve ganhar a rede nos próximos dias. O disco entrará em pré-venda no início de março, após sete meses de pré-produção. “A ideia é lançar o disco no Recife, numa plataforma em algum teatro, mas ainda não temos data, nem local definido”, conta Aninha, que define o álbum como um passeio do country ao heavy metal.

CIRCULAR MOVIMENTO, Banda Marsa
Previsão de lançamento: maio

Em 11 faixas autorais, a Banda Marsa canta crônicas do cotidiano, fala sobre desamores, dores e paixões. O poeta Gleidson Nascimento e os parceiros musicais Igor de Carvalho e Danilo Melo colaboram com as letras. Foram oito meses de produção para o disco de estreia da banda, que venceu o Festival Pré-AMP no ano passado. “O álbum faz parte da premiação, que incluiu, ainda, shows no carnaval e no Festival de Inverno de Garanhuns de 2015”, explica Rodrigo Samico, guitarrista.

LUCAS DOS PRAZERES (título provisório), Lucas dos Prazeres
Previsão de lançamento: segundo semestre

O primeiro disco solo de Lucas dos Prazeres deve ser produzido e lançado no segundo semestre deste ano. Além do lançamento do DVD Repercutir, gravado com a Orquestra dos Prazeres, o cantor e percussionista pretende conciliar as gravações do álbum com o espetáculo teatral Traçado, inspirado na própria carreira. “Será a primeira vez que vou dar protagonismo aos vocais”, explica. Homenagens a compositores negros como Gilberto Gil, Djavan e Jorge Ben Jor, já presentes em Repercutir, devem compor o repertório.

QUEM DISSE, Victor Camarote
Previsão de lançamento: primeiro semestre

Em 12 faixas, além de bônus com versão acústica da música que dá nome ao álbum, Victor Camarote faz parceria com conterrâneos como Bruno Lins (Fim de Feira), Tiné (Orquestra Contemporânea de Olinda e Academia da Berlinda), Maestro Spok, Zé Manoel e China. Amores, paixões, desencontros e cenas do cotidiano dão a tônica do disco, o primeiro solo do músico, em fase de finalização.

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