Novíssimos Compositores de Música Carioca abreviam nome e lançam 'Um', primeiro CD

Agora apenas Novíssimos, septeto ainda reformulou a composição da banda e adotou outros ritmos além do samba

por Luiz Fernando Motta 01/02/2016 09:30

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Ana Wander Bastos/Divulgação
O septeto Novíssimos é formado por ex-colegas da Escola Parque que escolheram a música como profissão e recém-chegados ao grupo de amigos. As idades dos músicos variam entre os 24 e os 30 anos (foto: Ana Wander Bastos/Divulgação)
Na música, a melhor forma de homenagear alguém é mostrando que o que já está feito pode ser fonte de inspiração para renovar. Fiéis a essa ideia, os Novíssimos rechearam Um, seu disco autoral de estreia, de tributos a pessoas e lugares que os influenciaram.

Depois de surgir no cenário musical do Rio de Janeiro com a alcunha Novíssimos Compositores de Música Carioca – que servia para alertar o público dos shows de que se tratava de música autoral –, o septeto abreviou seu nome para Novíssimos e deixou de fazer apenas “música carioca” – no álbum, são claras as referências ao baião, ao jazz e até à música árabe.

“Nosso disco tem várias reverências, mas queremos sempre uma linguagem diferente. O jazz, por exemplo, nos ajuda a puxar uma criatividade. No geral, o pessoal gosta de desafios, de fazer o inesperado”, diz Alberto Americano (violão, guitarra e cavaquinho), de 28 anos.

A formação da banda, que inicialmente era de samba, sem baixo nem bateria, mudou, incluindo mais cordas, percussões e metais. Além de Americano, integram o grupo Marcelo de Lamare (voz, violão e guitarra), David Rosenblit (piano e teclados), Chico Cabral (percussão), Diogo Acosta (sax e flauta), Felipe Larrosa Moura (bateria) e Lupa Maia (contrabaixo), todos com idade entre 24 e 30 anos. A maioria deles estudou na construtivista Escola Parque, na Gávea, e cinco dos sete escolheram a música como carreira acadêmica.

VIOLÃO COM LÔ


Americano conta que cresceu ouvindo o pai tocar músicas do Clube da Esquina no violão. “Meu pai foi vizinho do Lô Borges em Santa Teresa, no Rio, e aprendeu a tocar as músicas com o próprio. Uma das homenagens do disco é a Minas Gerais”, conta o compositor, referindo-se à faixa Aldeia velha. “Esses morros me lembram Minas”, diz a letra sobre o distrito de Silva Jardim na capital fluminense. “É claro que não são só os morros. Ficou com uma sonoridade que lembra muito a música mineira”, brinca o compositor.

O baião Estrada de terra é outro momento de respiro bucólico no disco e conta com as participações de Ivan Lins e do multi-instrumentista Marcelo Caldi. “O Ivan é um dos maiores incentivadores de novos músicos aqui no Rio. Ele viu um vídeo de Choro nervoso e pediu para gravar alguma faixa do disco com a gente. Marcelo é nosso companheiro há anos e um expoente muito forte da música instrumental”, diz.

A vertente carioca e urbana de Um fica por conta de faixas como Isabel, também assinada por Americano . “Eu quero é bar, ter bordel / Ter garrafa de uísque, ser como Noel/E antes que você pisque, acabar no Pinel/Pensando ser Jobim/Eu sou feliz assim”. Depois de um início com arranjos tímidos, Isabel se embriaga de vez num solo de trombone (por Vittor Santos) que dura quase dois minutos.

E os tributos no disco não se restringem aos ídolos na música. O samba-jazz Sujinho do rato é uma reverência aos amigos dos músicos. A música narra uma noite bem carioca: da preparação para sair de casa, passando pelo bar que serve de ponto de encontro para a turma, até o fim da aventura em alguma casa de shows. A letra alegre foi uma forma de homenagear um amigo de Americano que havia acabado de falecer. “Renato morreu de câncer pouco antes da composição. Foi a nossa primeira perda”, conta. De certa forma, Um funciona como uma reverência à arte em geral. “Nem adianta eu ler poemas do Drummond/Nasci artista bastardo/E quando dou por mim/Rezo baixinho/Pra chorar nervoso e expurgar toda agonia que eu senti”, diz a letra de Choro nervoso. “Que bom ser mais um dos loucos/Que enxergam magia em tudo”, apregoa Aldeia velha.

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