''Barbearias musicais'' fazem sucesso entre fãs de rock em BH

Fãs das guitarras aprendem a manejar as tesouras e abrem negócios para clientes que querem manter os topetes em pé e os ouvidos afiados

por Pedro Galvão 31/01/2016 07:00

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FOTOS EULER JUNIOR/EM/D.A.PRESS
Rodrigo "Shaolin" Fialho faz a barba de Cristian Douglas. Ele trocou carreira como analista de licitações pelo negócio da barbearia (foto: FOTOS EULER JUNIOR/EM/D.A.PRESS)
Nos últimos anos, as antigas cadeiras reclináveis, as navalhas e a toalha quente voltaram a figurar nos espaços dedicados à estética de cavalheiros com o boom das barbearias retrô. A moda fez muitos homens voltarem a ter certo prazer em cuidar do cabelo e da barba, graças ao serviço mais personalizado, como era antigamente. No entanto, um público específico ganhou algo mais em Belo Horizonte.


A oportunidade de conseguir cortes benfeitos, no estilo de ídolos como Elvis Presley e sua turma cinquentista e sessentista, fez a música se unir à barbearia, para a alegria dos fãs de rock, que podem cuidar do cabelo e afinar os ouvidos no mesmo lugar em alguns espaços da capital mineira.

“A dificuldade em encontrar alguém que soubesse cortar um topete legal era tanta que resolvi fazer um curso para ensinar os outros a cortar meu cabelo.” Foi assim que o ex-gerente e analista de licitações Rodrigo Fialho resolveu mudar de vida aos 40 anos. Cansado da vida de escritório e da incompatibilidade de seu estilo com algumas empresas, ele resolveu transformar o problema em solução.

“Sempre gostei de andar de jaqueta, topete e tatuagem, por isso queria alguma atividade voltada para a estética, para poder trabalhar do jeito que gosto de me vestir”, diz o responsável pela Barbearia Di Fiaglio, que começou a funcionar na Savassi no fim do ano passado.

Fã de rockabilly e de psychobilly desde a adolescência, Fialho, mais conhecido como Shaolin, preparou-se e tornou os topetes imortalizados por alguns de seus artistas prediletos – como Elvis, Jerry Lee Lewis, Johnny Cash e Little Richard – em sua especialidade. “Rockabilly não é um som que você apenas escuta. Também tem muito a ver com estilo e estética. E a barbearia foi onde consegui me manter vivo dentro dessa paixão’’, conta Shaolin, que chegou a ser baterista de uma banda de psychobilly chamada Scary Scums, 10 anos antes de se dedicar às tesouras e navalhas.

 

Confira a nossa sugestão de trilha para acompanhar um corte de cabelos rock’n’roll. Se você gostar, ouça ela também no Spotify e siga o Estado de Minas no aplicativo 

 

 

 

 


“Comecei cortando o cabelo de amigos mais próximos que, assim como eu, eram fãs de rock e não encontravam quem fosse capaz de fazer um corte legal. Aí a propaganda foi no boca a boca, nos shows aos quais o pessoal ia, outros viam e perguntavam quem fez. Quando assustei, já tinha 70 clientes.” O sucesso impulsionou o sonho de ter um lugar próprio, não apenas para cortes de cabelo e barba, mas também para a música.

O espaço em uma galeria na Savassi ainda está sendo criteriosamente decorado, mas a proposta já é clara e em pleno funcionamento: ser um local de difusão musical, além de oferecer os tradicionais serviços personalizados das barbearias antigas. “Aqui, a música não é só decoração, as playlists são escolhidas a dedo por mim e sei falar com o cliente, se for do interesse dele, quem está cantando, de que ano é a gravação, de que álbum é… Queremos ser um ponto de encontro de quem gosta de rock”, explica.

A intenção de Shaolin e de seu sócio Lucas Nascimento é ir além do estilo. Entre os planos da dupla para 2016 está a participação da Barbearia Di Fiaglio na produção de shows independentes, além de pequenos eventos na própria loja, com discotecagens e até pocket shows.



Barbearia Di Fiaglio
Rua Antônio de Albuquerque, 377, loja 7, Funcionários, (31) 9928-21322 e (31) 98599-5120. De terça a sexta, das 10h às 20h; sábado, das 10h às 18h.

 

 

FOTOS EULER JUNIOR/EM/D.A.PRESS
Marcqueen atende Renato Marques em sua barbearia/loja de discos na Praça Sete (foto: FOTOS EULER JUNIOR/EM/D.A.PRESS)
 

 

Uma cadeira e muito balanço

A barbearia também foi a forma como Marcos Lázaro, o Marcqueen, encontrou para viver a paixão pela música de forma mais intensa. Depois de anos trabalhando com produção musical e na gerência da tradicional loja de discos 53HC, no reduto roqueiro da Galeria da Praça Sete, ele resolveu dar uma chance ao talento com as tesouras. “Já cortava meu próprio cabelo, o do meu pai e o do meu irmão, e descobri que meu avô foi barbeiro. Tinha vontade de mexer com isso e assim que fui conhecendo a cultura de barbearia me apaixonei.”

Depois de se especializar, ele conseguiu uma cadeira da década de 1930 e resolveu abrir a barbearia ali mesmo, dentro da loja de discos. “Foi muito natural e deu muito certo. O pessoal vinha olhar CDs ou camisas de banda e via que tinha o serviço e já se interessava. Também rolava o contrário, de gente que vinha para cortar cabelo, mas acabava levando um disco, conhecendo uma banda nova.”


Apesar dos cortes tradicionais, como o topete pompadour, Marcos é menos ortodoxo na escolha das músicas. O cardápio sonoro inclui a trilha característica da loja, composta por punk rock, metal e hardcore, além do rockabilly e do country. “O que importa é criar um ambiente legal para o trabalho. A música é minha inspiração para fazer os cortes da melhor maneira possível, além de ser uma ligação com o cliente’’, explica ele, satisfeito com a responsabilidade que o público lhe confia: “Muito headbanger já trocou o cabelão pelo topete na minha mão. Acho muito legal isso”.

No entanto, os ouvidos dele e de seus fregueses estão prestes a mudar de ritmo. Depois do carnaval, Marcos vai se juntar ao time da Razor Bros Barber Shop, que irá inaugurar sua primeira unidade na Savassi em fevereiro. Inspirada nas barbearias londrinas da década de 1920 e também especializada em cortes clássicos, a loja pretende oferecer aos clientes um momento relaxante de cuidado pessoal. Para não haver discrepância em relação à proposta, o som ambiente será um pouco mais tranquilo, com muito jazz e blues.

“Nosso cliente vai ouvir desde Miles Davis e Billie Holiday até nomes mais contemporâneos influenciados pelo jazz e pelo blues, ou até mesmo do folk, mas será sempre um som mais suave para combinar com o ambiente de relaxamento, que é nossa proposta”, explica o arquiteto Paulo Henrique Santos, um dos responsáveis pelo projeto.

Segundo ele, a realização de pequenos eventos musicais na barbearia, como pocket shows de jazz e blues, está nos planos da Razor Bros, que contará também com uma alfaiataria, uma uisqueria e uma butique para motociclistas no mesmo espaço.

Marcqueen Barbeiro
Rua Rio de Janeiro, 630, loja 53, Centro, (31) 98797-0310. De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 16h.

 

 

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