Chico Science completaria 50 anos em 2016; confira as comemorações

Ao longo do ano, músico pernambucano receberá uma série de homenagens, que começam esta semana

por Rebeca Oliveira 26/01/2016 09:31

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PEDRO PAULO CARNEIRO/ Divulgação
(foto: PEDRO PAULO CARNEIRO/ Divulgação)
Chico Science não é o tipo de artista que precisa de efemérides para ser reverenciado. Mas o ano em que o ícone do movimento manguebeat completaria cinco décadas de existência não passará em branco nem em Pernambuco, terra natal de Francisco de Assis França, nem no restante do país. Isso em decorrência da dimensão da figura catalisadora que se tornou porta-estandarte da cultura brasileira desde que nela surgiu, em meados dos anos 1990. Os eventos não serão modestos, e as homenagens não param de ser anunciadas, como o Livro do disco sobre o álbum Da lama ao caos, e o lançamento do documentário Chico Science, um caranguejo elétrico.

A vida do garoto do mangue deve chegar às telas antes do aniversário do artista, em 13 de março, como uma coprodução da RTV, Globo Filmes e Globo Nordeste. A direção é de José Eduardo Miglioli, paulista que mora em Recife, e o filme contou com colaboração do jornalista José Telles na criação do roteiro. Parte das cenas se concentra em imagens inéditas de um show da Nação Zumbi feito há mais de 20 anos no Central Park, em Nova York. Há, também, espaço para detalhes pessoais, como as histórias contadas pela irmã, Gorete França. “São pessoas que realmente participaram da história dele”, detalha José Telles, que era amigo pessoal do cantor e escreveu O Meteoro Chico.

Segundo o jornalista, a produção dá a dimensão da relevância de Science para o estado de Pernambuco. “Depois dele, houve um processo musical pop e urbano muito forte em Recife. Nosso rock estava defasado em relação ao Sudeste. Não havia condição nenhuma de dizer que, na conjuntura social e econômica que vivíamos, tínhamos artistas”, comenta, lembrando que, à época, Recife foi considerada a quarta pior cidade do mundo para se viver — dado eternizado na letra da música Antene-se.

“Ele derrubou isso. Deu autoestima para a cidade, para o público. Esse legado não fica só na música, mas em outras esferas culturais, como o cinema. Esse boom da sétima arte local, por exemplo, começou com Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, lançado em 1996, película na qual ele participou com o pessoal do manguebeat”, acrescenta Telles. “Era uma época em que não havia tantas ferramentas como hoje. A internet não era usada e ele já tinha essa amplitude enorme de conhecimento do que rolava na cena de fora, consumindo revistas, discos. Atualmente, Chico Science faria algo ainda maior, considerando o que fez na época e com poucos recursos. Seria até mais impactante do que naquele período”, acredita.

Siri na lata
A programação em memória de Chico Science começa esta semana, relembrando e reafirmando o manguebeat e sua linguagem, visual e conceito. Na sexta, a Nação Zumbi faz uma prévia com Fafá de Belém, Almir Rouche e Maestro Forró no Baile Siri na Lata, festa do bloco carnavalesco de Recife que comemora 40 anos em 2016. Em fevereiro, o mangueboy descrito por amigos como alegre e brincalhão (ou ‘gabiru’, na gíria local) será homenageado também no Galo da Madrugada, maior bloco carnavalesco do mundo.

Celebra-se, também, as duas décadas de lançamento de Afrociberdelia, segundo disco do Chico Science e Nação Zumbi, que reiterou a analogia entre a diversidade ecológica das espécies do mangue com a cultura de Pernambuco pré-estabelecida em Da lama ao caos, de 1994. Em 12 de março, a Nação Zumbi toca em Recife, no dia do aniversário da cidade e 24 horas antes do aniversário de Chico Science. Um novo disco do grupo também chega ao mercado em 2016.

Para Jorge Du Peixe, herdeiro direto do pernambucano, frontman da banda e “irmão de maloqueiragem e de fuçar vinis de Chico”, como ele define, os próximos meses serão de culto não somente à figura do cantor, morto em fevereiro de 1997, mas de um pensamento conjunto em prol da fertilidade e diversidade cultural do país. “Cada subida ao palco é uma reverência. Sempre foi”, resume.

“Embora ele tenha ficado conhecido como principal figura do termo manguebeat, foi um pensamento conjunto, fizemos e construímos juntos, e ele dava esse devido valor. Chico não tinha vaidade. Era um homem simples que gostava de fazer um som, andar para frente, movimentar as coisas, ‘modernizar o passado’. Sua ideia era estar sempre compondo, pensando. Simples e real.”

Como o mangueboy viveria, então, em tempos de internet violenta e descontrolada? “Ele já se preparava para isso, saberia se comportar bem com os dias atuais, de superexposição. Ele já fazia selfie antes de ela ter esse nome”, acredita o músico que, aos moldes de Science, tenta não se colocar como figura central do grupo, mesmo para comentar polêmicas como a saída de Gilmar Bola Oito, no fim do ano passado. Um dos fundadores da Nação, o percursionista diz que foi demitido da banda pela empresária, Ana Almeida, que nega as acusações. O imbróglio, segundo Jorge du Peixe, não deve ofuscar as comemorações do cinquentenário de Chico.

“Muita gente falou sem pensar, colocou as garras de fora. As pessoas têm direito de especular, mas a essência é outra”, defende. “Gilmar é meu compadre, sou padrinho dos filhos dele. Ninguém é inimigo de ninguém. A ruptura é uma coisa normal. As pessoas se desentendem, depois se entendem. Hoje, existe um drama maior pintado por gente que nem sabe como as coisas funcionam entre nós: sem bad vibe. Daqui a pouco, todo mundo estará se falando. A vida é simples. As crianças sabem disso, a gente é quem complica”, afirmou, enquanto tenta encontra um “HD extra para guardar as emoções”, diante do simbolismo e da carga sentimental dos dias que se aproximam.

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