Banda gaúcha lança álbum inspirado em romance entre Pedro I e a marquesa de Santos

Projeto da Lítera, que tem 12 faixas, fala sobre o caso de amor histórico que abalou a corte

por Ana Clara Brant 24/01/2016 11:45

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Lucas Cavalheiro/Divulgação
Caso real, da banda gaúcha Lítera, aborda o famoso romance entre dom Pedro I e a marquesa de Santos e está disponível na internet (foto: Lucas Cavalheiro/Divulgação)

O tórrido romance entre dom Pedro I e a marquesa de Santos já rendeu filme, minissérie, livro e, agora, virou disco. Caso real, segundo álbum da banda gaúcha Lítera, foi inspirado nesse relacionamento que abalou a corte. Certo dia, quando estava sentado em um café de Porto Alegre chamado Domitila, o vocalista e guitarrista do grupo, André Neto, começou a degustar sanduíches batizados com nomes de personagens do primeiro reinado e se deparou com uma correspondência trocada entre a marquesa e o imperador. “Sempre gostei muito de história e, logo depois daquilo, acabei lendo os livros do historiador Paulo Rezzutti, Domitila: a verdadeira história da marquesa de Santos, e Titília e Demonão, cartas inéditas de D.Pedro I à marquesa de Santos, tive um insight e comecei a compor em cima disso”, recorda.

As 12 faixas do projeto falam desse amor histórico. A primeira, Domitila, foi lançada como single e ganhou versão em clipe. Na letra, a cortesã dá sinais de que vive uma fase pós-depressão diante das incertezas da relação que já acabou, mas que os constantes flashbacks insistem em relembrá-la e impedi-la de se libertar daquela paixão. “Essa música teve uma repercussão tão grande, que tive a ideia de criar outras composições com a mesma temática. No disco, a gente fala sobre romance, a questão da mulher, já que Domitila foi muito discriminada na época, e até sobre o amor impossível, que nos dias de hoje não é tão comum, mas pode muito bem se aplicar a relacionamentos homoafetivos, por exemplo”, analisa o cantor e vocalista que integra o Lítera ao lado de James Pugens (baixo) e Rodrigo Bonjour (bateria).

Caso real, lançado inicialmente nas plataformas digitais (litera.mus.br), chega ao formato físico em março. O álbum tem pegada pop-rock e traz influências e sonoridades bastante distintas, misturando The Clash a Paralamas do Sucesso, The Ours a The Killers e The Cure a Novos Baianos. O disco consegue, de forma lúdica e interessante, contar um pouco dessa relação que, para André, é uma espécie de Romeu e Julieta brasileiro.

Fico consegue ser experimental, sem deixar a sonoridade pop. Animada, faz analogia ao Dia do Fico (9 de janeiro de 1822, quando o então príncipe regente dom Pedro de Alcântara foi contra as ordens da corte portuguesa, que exigiam sua volta à Lisboa, ficando no Brasil). A faixa Miúda, termo como os portugueses carinhosamente se referem às moças, representa a redenção – encarar as pessoas, assumir uma relação sem se importar com o que vão dizer a respeito, sair pela rua de mãos dadas e tornar público o amor. “Quando fiz essa letra, pensei muito na causa LGBT, no sentido, infelizmente, de se viver um amor escondido”, comenta André. Já Vai passar aborda a fase das brigas, quando dom Pedro, por conta de seu caso extraconjugal, começa a ser pressionado e ter sua posição como imperador questionada.

A única faixa não composta pro André Neto é Amantes, do cantor e compositor José Augusto e Paulo Sérgio Valle. “Eu ia escrever uma música pra falar dessa relação de amantes quando me lembrei dessa composição, que tem uma roupagem meio ‘brega’, mas tem muito a ver com o disco”, destaca. A letra diz: “Vou caminhando nas ruas pensando em você/Nesses momentos que a gente consegue se ver/Você me diz que o seu casamento vai mal/Por isso trai, já não quer mais mas não se vai”.

Os shows que estão fazendo pelo país – inclusive, tocaram ontem nas comemorações dos 462 anos de São Paulo, no Solar da Marquesa dos Santos – contam com cenários e figurinos de época. “A ideia é essa. Não ir só lá e ouvir as canções, mas sentir todas as nuances do que está sendo tocado, fechar os olhos e ter uma experiência única e imergir mesmo na história desse amor que teve uma grande relevância pra nossa história”, resume.

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