Cantora Teresa Cristina lança projeto dedicado a Cartola

Artista carioca também prepara disco autoral que será lançado neste ano

por Estado de Minas 24/01/2016 11:25

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Uns/reprodução
Portelense, Teresa Cristina faz homenagem ao mangueirense Cartola (foto: Uns/reprodução)

Revelação da Lapa carioca, onde despontou para o samba na década de 1990, a cantora Teresa Cristina prepara projeto emblemático em sua carreira solo. Em meados deste ano, ela vai lançar disco totalmente autoral, reunindo canções que compôs com Marisa Monte, Moacyr Luz, Mosquito e Adriana Calcanhotto.

É um grande passo para a intérprete, cujo trabalho se entrelaçou com o Grupo Semente, banda de samba que surgiu com ela, flertes com o rock em versões cheias de guitarra de Roberto Carlos e projetos de homenagem a Paulinho da Viola (trabalho com o qual despontou no cenário nacional), Candeia Filho e Elizeth Cardoso.

“Cada um desses (sambistas) tem uma identidade muito própria”, ela resume. “Quando embarco em projetos assim, tenho a oportunidade de viver uma vida que não é a minha”, diz. Com o novo álbum, Teresa escancarará seu lado compositora, já exercitado aos poucos, mas nunca em um álbum completo. “Estou para fazer 48 anos, já é momento de um disco assim”, afirma ela.

CARTOLA

Enquanto planeja o novo disco, Teresa divulga o CD e o DVD Canta Cartola, projeto dedicado ao autor dos clássicos O mundo é um moinho, Ao amanhecer, Disfarça e chora, Tive sim, Acontece e As rosas não falam. Na segunda-feira da semana passada, a turnê Cartola: um poeta da Mangueira estreou no Teatro Net Rio, na capital fluminense. Quinta-feira, foi a vez de São Paulo. Shows com casas lotadas.

Portelense, a cantora revelou que quase caiu no choro durante a estreia carioca, graças aos versos entristecidos de Angenor de Oliveira, o Cartola (1908-1980). “Sempre fui um pouquinho melancólica. Sou pisciana, filha de Oxum, essa melancolia sempre esteve perto de mim. Na hora de cantar, até procuro não ficar muito triste”, completa, embora admita que seja difícil não se deixar levar pela tristeza.

O formato do projeto – a voz de Teresa e o violão de sete cordas comandado por Carlinhos 7 Cordas – auxilia na construção da mágoa contida nas canções do sambista. “Se você se deixa levar, leva essa rasteira, como foi comigo. Não dá para levar muito a sério se não você não volta (do estado de tristeza). Até brinquei, no palco: ‘Que climão, né?’. Às vezes, a carapuça serve demais e estou ali, na frente de todo mundo. Fico repetindo para mim mesma que aquela música não é sobre mim, não é para mim”, explica.

Empresariada por Paula Lavigne e nova integrante do time da Uns Produções, Teresa deu início às homenagens a Cartola no primeiro semestre de 2015, ao realizar apresentação especial de meia hora no Real Gabinete Português de Leitura, no Centro do Rio de Janeiro.

“Cantei só sucessos. Foi maravilhoso, percebi que queria fazer mais shows como aquele”, conta ela. Em 16 de novembro, Teresa foi ao Teatro Net carioca e criou a versão ampliada do pocket show de meses atrás. Esse registro foi transformado no CD e no DVD que agora ela divulga pelo país. (Estadão Conteúdo)

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