Compositor mineiro fala sobre marchinha que compôs contra ofensas sofridas por Chico Buarque

por Walter Sebastião 24/01/2016 16:30

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Bráulio Mourão/divulgação
Vitor Velloso, autor de Baile do pó Royal, volta a fazer sucesso com a nova canção e pede generosidade (foto: Bráulio Mourão/divulgação)
Viajando pelo Japão, o cantor e compositor mineiro Vitor Velloso, de 33 anos, conheceu um japonês que adorava a música de Chico Buarque, mas não entendia nada das letras. Curioso, ele perguntou ao brasileiro o significado de várias palavras, entre as quais amor. “Voltei para o hotel feliz, considerando Chico Buarque um grande embaixador do Brasil no exterior”, recorda o mineiro. De volta ao local onde estava hospedado, procurando notícias do Brasil na internet, deu de cara com a notícia sobre jovens que, agressivamente, foram tirar satisfação com Chico devido às posições políticas dele. “O episódio mexeu muito comigo”, observa.


Velloso, então, escreveu um protesto, de desabafo, contra a agressão a Chico Buarque, que repercutiu e se desdobrou nas redes sociais. “Era inaceitável que um artista que levava mensagem de amor ao mundo, no Brasil fosse hostilizado”, reafirma. Recebeu, então, mensagem do músico e compositor Marcos Frederico, propondo que fizessem em parceria uma marchinha sobre o ocorrido. Colocaram mãos à obra e nasceu Não enche o saco do Chico. “É música contra a intolerância. Podemos discordar das opiniões dos outros, e a política precisa disso, mas ir tirar satisfação, de forma intimidatória, por causa disso é algo que não cabe numa democracia”, critica. “As pessoas têm história de vida que é maior do que qualquer sigla partidária”, afirma.

“Chico Buarque é patrimônio da cultura brasileira, tem obra admirável, generosa, produziu e fomentou a arte a vida inteira e não pode se tornar mais uma vítima da intolerância”, argumenta Velloso. A música, continua, foi feita para o carnaval e, de forma divertida, mas também crítica, quer que as pessoas comecem a pensar e a repudiar a intolerância. “Quando vejo a raiva, a intolerância, a agressividade crescendo, acho que está na hora de o carnaval chegar. É momento que a gente se torna generoso, se abraça, ri, canta bobagem, e tudo isso é terapêutico para a alma brasileira”, defende o compositor. “Por ser momento de catarse, considero a folia essencial para o país”, acrescenta.

Processo Vitor Velloso considera justo o processo de Chico Buarque contra o jornalista e antiquário João Pedrosa e o fazendeiro Guilherme Gaion Junqueira Motta Luiz. Ambos ofenderam o artista e sua família nas redes sociais. O fazendeiro, que faz parte do grupo que interpelou Chico em dezembro, postou uma imagem do compositor com a frase: “Oi, eu sou o Chico e vivo dos seus impostos”. O antiquário escreveu no perfil da filha de Chico: “Família de canalhas!!! Que orgulho de ser ladrão!!!”. Ele se arrependeu e escreveu carta se desculpando, mas o artista decidiu manter a ação na Justiça e cogita processar outros ofensores. “É uma forma civilizada de agir e um sinal de que ele acredita nas nossas instituições”, observa Velloso.
Não enche o saco do Chico não é a primeira marchinha de Vitor Velloso e Marcos Frederico. Juntos, separados ou com outros parceiros, eles têm diversas composições no gênero e algumas – como Manja rolha e Tira a mão do meu pai – fizeram sucesso no Concurso de Marchinha Mestre Jonas. Baile do pó Royal, parceria de Vitor Velloso e Gustavo Magua, bombou na internet no carnaval de 2015.

“Fazer marchinha é delicioso. É gênero atemporal e, ao mesmo tempo, resgate de cultura brasileira muito antiga”, explica. A dupla gosta tanto do gênero que anda sonhando encontrar João Roberto Kelly, autor que admira, “para pedir a bênção”, brinca Velloso. Outro clássico da marchinha, para eles, é Lamartine Babo. A dupla  já tem agenda e compromissos para o carnaval. Em 27 de janeiro, abrem show de Hamilton Holanda, no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Mais: a dupla está acalentando projeto de montar a Orquestra Royal, voltada para bailes carnavalescos, cuja estreia ocorre no próximo sábado, com festa, às 16h, em quarteirão fechado da Savassi, entre as ruas Paraíba e Cláudio Manoel.

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