MC Delano conquista projeção nacional com um funk de letras mais suaves

Aos 18 anos, o mineiro morador do Conjunto Santa Maria, estende sua agenda de shows para diversas capitais

por Shirley Pacelli 22/01/2016 08:00

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BETO NOVAES/EM/D.A.PRESS
(foto: BETO NOVAES/EM/D.A.PRESS)
O solo do cavaquinho se anuncia, e a expectativa é de que um sambão se inicie. Mas não. “É o beat, o grave, o pandeiro e o cavaquinho” do funk Devagarinho, de MC Delano. Morador do Conjunto Santa Maria, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, o jovem de 18 anos é nome promissor da cena nacional do funk. Média de 30 a 40 shows por mês pelo Brasil e o clipe de Na ponta ela fica – com 25,5 milhões de visualizações no YouTube – amparam a aposta.

Delano Axel Silva Amaral começou a tocar aos 9 anos, na banda de baile de sua mãe, a Som de Vinil. “Todo mundo aqui em casa é músico”, conta. Aos 11, participou da escola de samba Cidade Jardim e fez apresentações ao lado de Fabinho do Terreiro e Dudu Nicácio. Integrou ainda um grupo de pagode.

Mas foi no funk que ele ganhou visibilidade nacional. Em janeiro de 2014, Delano lançou “um funk de bobeira e o negócio andou”. Era o Baile da central parte 1, que ganhou também parte 2, uma homenagem ao evento realizado no Morro das Pedras.

BAILE Depois veio Baile dos ratos e Baile da trancredo (grafado assim mesmo), em referência a outra festa, desta vez no Morro do Papagaio. Sem esquecer ainda do Medley da Serra, em referência ao Aglomerado da Serra. Os funks, com letras eróticas e ousadas, rodaram pelos bailes das comunidades de BH. Delano fez shows em cada um deles, além de marcar presença em Venda Nova, nas Quadras do Vilarinho, que chegam a reunir até 2,6 mil pessoas por noite.

Em 2015, apostando de vez no funk, Delano lançou Na ponta ela fica, que rodou o Brasil e ganhou clipe produzido por KondZilla, responsável pelos vídeos de Tombei, da rapper curitibana Karol Conka, e Baile de favela, de MC João, de São Paulo. O clipe alcançou cerca de 27 milhões de visualizações em cinco meses.

“No começo, para atingir os bailes de favela, estava na alta letra mais pesada. Lancei Na ponta ela fica e vi que podia atingir outros tipos de público, até com classe social elevada. Aí estou nessa linha, letra mais tranquila”, explica Delano.

Outra música que caiu nas graças do público foi Devagarinho, com o DJ Pereira. Regravada pela banda baiana Parangolé, a canção ganhou clipe com a modelo e apresentadora Nicole Bahls. Que grave é esse, com seu refrão simples, que gruda – “E faz tum, tum, tum e a menina dança” – completa o trio de hits de Delano.

A transição para um estilo “mais suave” do funk só agregou público ao trabalho do MC. “As pessoas mais velhas da comunidade aprovaram. Graças a Deus, tem muito comentário positivo”, diz ele. Delano sabe tocar cavaquinho, gaita de boca, baixo, guitarra, percussão e “arranha” teclado. “Para compor, pego instrumento e crio o arranjo. Tenho ‘estudiozinho’ em casa”, explica.

Ele avalia que sua experiência como instrumentista valoriza o seu trabalho. “Consigo aproveitar uma certa diversidade que tenho. Aplico diversos ritmos nas músicas”, diz. Sua influência passa pelo rock de Led Zeppelin até o samba de Cartola, Beth Carvalho e Almir Guineto.

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