Rodrigo Santos expurga seus pecados com o livro 'Cara a cara'

Baixista da banda de rock Barão Vermelho relata seus ''tempos de doideira''

por Mariana Peixoto 09/01/2016 08:00

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Daryan Dornelles/Divulgação
(foto: Daryan Dornelles/Divulgação )
Rodrigo Santos sempre foi um cara legal. Festeiro, bom de papo, fã de rock e de surfe. Só que foi muito além. “Tem gente que fala de um lado alegre e criativo meu durante a doideira. Eu era muito chamado para a noite, mas não ficava mais afetivo, afetuoso. Internamente, estava me detonando.” Aos 51 anos, o baixista do Barão Vermelho passa a limpo sua história na biografia Cara a cara, escrita em parceria com o pesquisador Ricardo Pugialli.

Editado pela mineira Neutra Produtora, o livro vem a público agora porque Santos está celebrando 10 anos longe do álcool e das drogas. Prefaciado por Roberto Frejat, o volume reúne 85 depoimentos de amigos e companheiros do músico, que começou sua carreira nos anos 1980. Muito antes de chegar ao Barão, ele cantou e tocou em grupos pouco conhecidos, como Disritmia, Prisma e Front. Também foi músico acompanhante de João Penca e seus Miquinhos Amestrados, Leo Jaime, Lobão, Blitz e Kid Abelha.

Cartão amarelo

A narrativa tem início no final de julho de 2005, quando o Barão Vermelho faria dois shows na Serra Fluminense. Cansados das loucuras do baixista, os integrantes da banda se reuniram para decidir o seu futuro. Ou Santos começava um tratamento, ou estava fora do grupo. Entrou para uma clínica de dependentes químicos, que frequentava diariamente (nunca foi interno). Único músico do local, acabou se tornando coordenador.

“Queria passar a informação do que acontece com uma pessoa quando ela entra numa rotina de álcool e drogas. É muito fácil de entrar, e difícil de sair. Isto quando a pessoa não morre antes. A verdade é que você também fica viciado na rotina de festas, que pode ser tanto na casa dos outros quanto dentro de sua cabeça”, comenta ele.

Mesmo que o cerne da biografia seja a luta do baixista para se livrar da dependência, seu lado musical também é enfatizado. Cada novo capítulo é aberto com uma citação ao que os integrantes dos Beatles estavam fazendo no período retratado (os Fab Four são outra paixão de Santos, que é integrante do grupo cover Os Britos). O livro traz encartado um CD com cinco canções inéditas do músico, incluindo sua primeira composição, feita quando ele tinha 12 anos.

Regravações

Em meio ao turbilhão, Rodrigo nunca deixou de trabalhar. Além do Barão, atualmente em férias, mantém carreira solo. Está lançando pela Coqueiro Verde Records o primeiro volume do projeto A festa rock. Série com direção artística de Roberto Menescal, reúne CD e DVD que trazem regravações de canções essenciais da música brasileira.

“Meu pai, que nunca tocou nada, contava a história do blues e do jazz através das músicas. Tanto que quando morreu, o Ed Motta comprou pelo menos metade da coleção de discos dele.” Foi a partir dessa experiência que ele pensou no projeto, que deve ter 10 volumes. Com seu trio – Fernando Magalhães na guitarra e Kadu Menezes na bateria –, Santos regravou músicas como Preta pretinha (Novos Baianos), Puro êxtase (Barão), Mulher de fases (Raimundos), Que país é este? (Legião Urbana), entre várias outras. No DVD, as canções são apresentadas em sequência; no CD, o formato é de medley – Anna Júlia, do Los Hermanos, por exemplo, aparece junto a Vou deixar, do Skank.

Em meio a esses dois projetos, Santos ainda aguarda mais um retorno do Barão. Em 2017, a banda completa 35 anos. “Ninguém conversou nada, mas vou mandar um e-mail pedindo para marcar uma reunião neste ano. Estou comemorando minha vida, feliz pra caramba, mas não decido nada (na banda). O dia que me ligarem, estou dentro”, finaliza.

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