Vanguarda Paulista convida jovens influenciados por seu trabalho para shows em Belo Horizonte

Projeto Velha Guarda da Vanguarda começa nesta quinta-feira, 17, e segue até domingo, 20

por Eduardo Tristão Girão 17/12/2015 08:00

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MÁRIO MOREIRA LEITE/DIVULGAÇÃO
(foto: MÁRIO MOREIRA LEITE/DIVULGAÇÃO)
É um tanto intrigante (e, ao mesmo tempo, revelador) que a Vanguarda Paulista ainda seja considerada vanguarda tanto tempo depois de ter surgido, no fim dos anos 1970.

As ideias do movimento musical que desconstruiu a forma de fazer canção no Brasil continuam valendo, tanto que inspiram jovens talentos da cena independente atual.

Encontro histórico dessas gerações, o projeto Velha Guarda da Vanguarda começa nesta quinta-feira, 17, em BH, com shows até domingo, 20, no CCBB.

Arrigo Barnabé convida para o palco hoje Vânia Bastos e Kiko Dinucci, um confesso herdeiro desse legado. Os ingressos estão esgotados. Amanhã será a vez da Patife Band convidar Alzira Espíndola e sua filha, Luz Marina.

No sábado,  o grupo Isca de Polícia sobe ao palco com Ná Ozzetti e  Dani Black, filho de Tetê Espíndola. O encerramento, domingo, está por conta da banda Premê (abreviação de Premeditando o Breque) com Virgínia Rosa e Leo Cavalcanti.

É a primeira vez que integrantes do movimento saem de São Paulo para um projeto em conjunto. Cada apresentação terá repertório selecionado para representar as diferentes estéticas da Vanguarda Paulista e retratar sua influência sobre artistas mais jovens. Estão previstas canções como Clara crocodilo, Nego Dito, Rubens, Sabor de veneno, Teu bem, Baby, Tô tenso e São Paulo São Paulo.

INOVAÇÃO


“É um movimento que ainda merece ser melhor descoberto. A linguagem musical é muito inovadora, principalmente falando do Itamar Assumpção (1949-2003) e do Arrigo, com arranjos que passam pelo atonalismo e compassos não usuais. Uma coisa estudada, única. Isso é algo muito difícil de fazer na música, causar tanta surpresa”, diz Paulo Lepetit, do Isca de Polícia e diretor musical do projeto. A iniciativa, diz ele, não é  ato saudosista, até porque  os envolvidos não deixaram de produzir.

Mário Manga, do Premê, ironiza: “Nosso legado são nossas dívidas no banco. Fora isso, ficamos contentes em saber que tem gente influenciada por nós. Foi uma época de muitas ideias, discos, shows, pessoas. Ainda vemos gente se inspirando nisso, principalmente em São Paulo, onde a coisa ocorreu de forma mais intensa”. No momento, diz, o grupo prepara  lançamento de uma caixa com seus CDs, em paralelo com a estreia do documentário Premê – quase lindo, sobre a banda.

Para Kiko Dinucci, que se apresenta hoje com Arrigo Barnabé, a Vanguarda Paulista permanece incompreendida.

“Muita gente reclama que é algo difícil de ouvir. A MPB vinha viciada na fórmula dos festivais, na exaltação da complexidade harmônica, com discos meio abolerados. O Arrigo, por exemplo, fazia música polifônica e misturava quadrinhos com música brasileira. A ousadia deles é o que mais me inspira.”

Velha Guarda da Vanguarda


Shows diários de amanhã a domingo (ingressos para hoje esgotados), às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Ingressos: R$ 10  e R$ 5 (meia-entrada), na bilheteria e www.ingressorapido.com.br. Informações: (31) 3431-9400.

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