Agnaldo Timóteo se apresenta nesta sexta no Grande Teatro do Palácio das Artes

Aos 79 anos e 50 de estrada, cantor diz viver um grande momento e conta que o sucesso se deve à correção que manteve com sua história de romântico inconformado

por Walter Sebastião 16/12/2015 08:30

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Jair Amaral/EM/D.A Press
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
“Estava escrito que poderia acontecer alguma coisa de bonito, na minha vida. E aconteceu: a música. Ela é a minha vida”, afirma Agnaldo Timóteo. São canções, “com identidade popular”, pinçadas nos discos lançados em 50 anos de atividade que estarão no show que o artista realiza nesta sexta-feira, ao meio-dia, no Grande Teatro do Palácio das Artes. Músicas como Quem é, Verdes campos da minha terra ou Meu grito. A última foi um presente que ganhou de Roberto Carlos, em momento (após o terceiro disco) que não ter um hit ameaçava sua carreira, observa. Jovens tardes de domingo registra presença do cantor no contexto da Jovem Guarda, e Noites traiçoeiras e Minha oração são trabalhos recentes, que estão no DVD 50 anos na estrada asfaltada (2013).


O show, conta Agnaldo, é atravessado por homenagens a amigos como Moacyr Franco, Anísio Silva, Dalva de Oliveira, Waldique Soriano, Ângela Maria, entre outros. “Todos personalidades que marcaram a minha vida”, explica. “Vivo um momento maravilhoso, com as pessoas me prestigiando. Não sou uma mentira, o público sabe disso”, comemora. Essa fidelidade, o artista credita a sua dedicação à arte que quer emocionar. “Sou homem apaixonado, que mostra canções que representam a minha vida”, explica. “As plateias maduras sentem falta de cantores que marcam época”, acrescenta. O cantor chega com trio formado por Moisés Pedrosa (teclados), Leonaldo (bateria) e Marcelo Magaiver (baixo).


Agnaldo Timóteo tem 79 anos e nasceu em Caratinga (MG). Sua família sempre cultivou a música no ambiente doméstico. “Meu pai cantava e meu irmão mais jovem, Cícero Timóteo, canta melhor do que eu”, observa. Dessa época, guarda até hoje algumas imagens impactantes. Ver Emilinha Borba cantando na praça principal de Caratinga, quando tinha 12 anos. E a enorme emoção (“eu chorei”) ao ver Mario Lanza em um filme. Ser artista, conta, nem era projeto dele. Seus ídolos eram Vicente Celestino, “que me ensinou a usar a potência da voz”, Lucho Gatita, pelo modo como usava o falsete, e Cauby Peixoto. As atividades como cantor começaram em um circo, na cidade natal, e sempre foram estimuladas por admiradores.
O cantor, em Minas , passou por programas de auditório, em Governador Valadares, e de rádio, em Belo Horizonte. Manteve atividades paralelas e chegou a ter emprego no DNER em uma cidade, ao mesmo tempo em que trabalhava de mecãnico em outra. “Eu era considerado o Cauby Peixoto mineiro. Imitava ele nos mínimos detalhes”, recorda. “Meu maior ídolo era ele. Considero a voz de Cauby a mais bonita do planeta. Mais bonita que a de Fred Mercury”, compara, sem esconder admiração pelo vocalista da banda Queen.


Em 1962, Agnaldo vai para o Rio de Janeiro e ganha apoio de Ângela Maria, de quem foi motorista. Participa de programas da Rádio Nacional com canções de artistas de sucesso na época (“Nélson Gonçalves, Orlando Dias, Anísio Silva”). Foi quando conseguiu fazer suas primeiras gravações, entre elas, A casa do sol nascente, versão de The house of the rising sun, do grupo The Animals.


“Só tenho a agradecer. São 50 anos de sucesso sem ter apoio da grande mídia, e olha que não sou Roberto Carlos nem Caetano Veloso”, brinca Agnaldo. “Como sou rebelde e politicamente contundente, muitas portas se fecham”, observa. A presença regular na vida musical, explica, foi conquistada com muito trabalho, “correção profissional e como cidadão”. E “necessária vaidade”, como se vestir com elegância. “É respeito com o público”, garante, achando inadmissível que um artista se vista mal. “Só gravo o que quero, o que me emociona, o que tem a ver com a minha história”, explica. A voz, observa, continua a mesma, acrescida da experiência de muitos anos de atividade. “Canto hoje muito melhor do que em outros tempos”, garante. Conhecer e respeitar os limites dele, observa, permite interpretações mais apuradas.


“Brigo pela minha carreira, para ser ídolo de ontem e de hoje. Luto para todos saberem que estou vivo. Já vi matarem em vida, covardemente, vários colegas, como Orlando Dias, Sérgio Murilo, Cláudia Barroso, Francisco Egídio, Osmar Navarro”, afirma, cobrando respeito com os artistas do passado. Saber usar a televisão, observa o cantor, também foi importante para consolidar presença junto ao público. “Sei dialogar com a TV, mas também questionar, contraditar. E sei cantar. Não me comporto como robô que repete o que mandam dizer. Falo o que minha sensibilidade determina”, conta. Não entender o peso e a importância do veículo como forma de comunicação, observa, foi fatal para muitos artistas. “Fico muito feliz por ver que o povo brasileiro tem identidade com a minha música e as minhas posturas, Todos conversam comigo quando saio na rua”, conta.


Agnaldo Timóteo é critico com a situação atual da música no Brasil: “A esmagadora maioria é aventureira, faz sucesso hoje e desaparece amanhã. Existem artistas inteligentes, como Luan Santana, mas ele não é um Frank Sinatra. O Frank Sinatra sou eu”, afirma. “Prefiro os meus colegas, cantores de grande categoria, como Alcione, Fafá de Belém, Cauby, Ângela Maria, que é a melhor cantora do Brasil, ninguém canta tão bem como ela”, afirma. Elogia também o cantor Mumuzinho. Como “é do tempo do Nilton Santos e do Garrincha, e não do Neymar”, não ficou rico, mas “é classe média”, com apertos ocasionais. E o intérprete sugere alguns discos essenciais – entre os 46 lançados – para conhecer seu trabalho: Timóteo canta Roberto Carlos, Ao Nélson, com carinho e Obrigado, mãe.


O ingresso na política (cinco mandatos, dois como deputado federal, três como vereador, atuando no Rio e São Paulo) nasceu por solidariedade a causas e pessoas. Que foi afirmada com atitudes ousadas. Como invadir (a palavra é de Agnaldo) programas de televisão para defender a Seleção Brasileira (de 1970, que terminaria como campeã mundial), e Leonel Brizola, em 1982, polemizando o que estava sendo dito. “Achei covardia ficarem esculachando Brizola, alguém tinha de defendê-lo”, explica.

 

 

TIMÓTEO
Show de Agnaldo Timóteo e trio. Sexta-feira, às 12h. Grande Teatro do Palácio das Artes, Av. Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).



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