Luiz Melodia é convidado do projeto Sinfônica Pop, nesta terça-feira

Depois de lançar 'Zerima', no ano passado, cantor diz que escolheu "dar um tempo" no ato de compor, comprar um piano e "ver se acontece alguma coisa"

por Eduardo Tristão Girão 07/12/2015 08:30

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Juarez Rodrigues/EM/D.A.PRESS
Luiz Melodia posa para foto no Palácio das Artes, onde ensaiou na semana passada para as apresentações de terça e quinta-feira ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A.PRESS)
“Ultimamente, não tenho composto. Não tenho nem pegado no violão. Por opção, pois estou querendo dar um tempo e, depois, retornar. Inclusive, comprei um piano novo e quero ver se acontece alguma coisa. Quero aprender o básico, sempre admirei teclados e sopros. Tenho alguma noção e, se tiver uma aulinha básica, dá para fazer umas duas ou três músicas. Tendo talento, talvez dê para fazer algo que agrade. Parece que tenho”, afirma o cantor e compositor carioca Luiz Melodia. Aos 64 anos, ele definitivamente não está preocupado com tempo.

Seu mais recente disco de inéditas, Zerima, lançado ano passado, tem 13 anos de distância do anterior, Retrato do artista quando coisa. O próximo não sabe como será, muito menos quando o gravará. Aliás, ele sequer está trabalhando com algo novo atualmente. Na semana passada, ele recebeu o Estado de Minas para uma conversa. Estava em Belo Horizonte para ensaiar as apresentações que fará hoje e na próxima quinta com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG). No programa, arranjos de suas canções.

O próximo projeto, avisou, já tem data e locais marcados: dia 11 de janeiro, em sua casa de praia, na Bahia. Serão dias de descanso, mas entremeados com momentos de trabalho. “Vou desfrutar daquele mar maravilhoso e compor com o Ricardo Augusto, meu parceiro há muitos anos. Só comprei casa lá porque ele me encheu muito o saco, no bom sentido. Ele também tem casa lá e fazemos sarau, convidamos músicos de Salvador, inventamos alguma coisinha. Acabamos fazendo umas coisas bem legais e compondo duas, três, quatro músicas. Sempre”, afirma.

Assim, pouco a pouco, vai formando repertório. “O público é o que mais me agonia, pois é o que mais respeito, a ponto de me fazer entrar logo em estúdio. Não me cobram, mas falam coisas do tipo ‘E aí, Luiz, e aquele seu disco maravilhoso de não sei quando?’. Cobro-me mais diante desse tipo de coisa”, diz. A demora para conceber Zerima, segundo ele, ocorreu porque estava viajando muito, inclusive para o exterior, e não queria compor em quarto de hotel. “Já tinha coisas escritas, mas não estava com tanta pressa, como não estou.”

COMPOSITORES Enquanto isso, segue colocando para tocar no seu carro os jovens artistas que o procuram para entregar seus discos. “Não é por consideração, mas curiosidade em saber que há compositores interessantes e outras gerações que não tocam no rádio. Não adianta procurar no rádio, que, aliás, só toca porcaria. Pelo menos o que tenho ouvido ultimamente”, afirma. Entre o que mais tem lhe interessado ultimamente, está “um rapaz chamado Black Alien”. E Melodia tanto admirou o rapper fluminense que acabou convidado por ele para o estúdio.

“Farei uma participação no disco dele, que já está pronto. Será na faixa Quem é você?. Acho interessante o trabalho dele. É poeta pra caramba, me desperta. Ele faz arte. Aliás, ele sempre me chamou a atenção”, conta. Melodia também tem gostado de ouvir as cantoras Céu e Flávia Bittencourt, esta última paraense de Belém. De Minas Gerais, quem mais ouve é Vander Lee. “Sou padrinho musical dele. Estou com uma letra para deixar com ele, a propósito, mas acabei não trazendo.”

Ainda sobre o flerte com o rap, o artista diz que o que mais o atrai na estética dos “manos” é a forma explícita de falar do cotidiano nas letras. “Não tive essa ousadia, embora digam que eu tenha tido. De qualquer jeito, não como essa rapaziada de agora, que é muito mais abusada e bem autêntica. Pelo menos a maioria dos que ouço. E são velozes na linguagem, com aquela divisão interessante, que nem baterista consegue chegar junto. Dentro em breve, serão eles nessa mídia”, aposta.

Não por acaso, o filho de Melodia, Mahal, é rapper. “Toda vez que tenho oportunidade, eu o convido para trabalharmos juntos. Grande poeta, muito mais fantástico que Luiz Melodia. Meio intelectual, né? Está gravando um novo disco. Ele pede opinião, mas o deixo me perguntar, pois não quero interferir sem que ele me chame”, relata. De tanto ouvir por tabela o que o filho escuta em casa, ampliou seus conhecimentos na área e arranjou novos parceiros, como o carioca Shawlin, que também compõe com Mahal.

A apresentação de hoje não será a primeira de Melodia com uma orquestra, mas, mesmo assim, subir ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes não deixará de ser um tanto emocionante para ele. “Filmes com orquestração me encantam desde garoto, e tocar com orquestra é algo que, espero, aconteça mais vezes. Sempre trabalho com banda de oito músicos. Fazer show com uma orquestra de 70 músicos é interessante. Ver a própria música executada por todos eles é uma grande felicidade e uma grande mudança na carreira.”

No repertório das duas apresentações desta semana, que encerram a temporada do projeto Sinfônica Pop, estão composições como Pérola negra, Magrelinha, Cheia de graça, Papai do céu, Cura e Estácio, holly Estácio – os arranjos são de Fred Natalino e Marcelo Ramos, que deixou em julho o cargo de regente da OSMG. Para o compromisso com Melodia, quem assumirá a batuta será Sérgio Gomes. O novo titular da orquestra, Sílvio Viegas, deve assumir em janeiro, segundo a Fundação Clóvis Salgado.

MELODIA & ORQUESTRA
Confira o programa das apresentações no Palácio das Artes
Abertura (arranjo de Fred Natalino)


>> Magrelinha
>> Vale quanto pesa
>> Estácio, holly Estácio
>> Dores de amores
>> Codinome beija-flor
>> Fadas
>> Papai do céu
>> Salve linda canção sem esperança
>> Juventude transviada
>> Cura
>> Cheia de graça
>> Cara a cara
>> Que loucura
>> Pérola negra


SÉRIE SINFÔNICA POP
Orquestra Sinfônica de Minas Gerais convida Luiz Melodia. Amanhã e quinta-feira, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada). Informações: (31) 3236-7400.

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