CD e DVD de Caetano Veloso e Gilberto Gil chega antes do fim da temporada de shows

'Dois amigos, um século de música' é a gravação de apresentação de agosto em São Paulo

por Mariana Peixoto 06/12/2015 06:00

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Leandro Couri/em/d.a press
(foto: Leandro Couri/em/d.a press)
Pelo tom extraordinário da turnê – e, vamos e venhamos, a proximidade do Natal – o CD e o DVD Dois amigos, um século de música são lançados antes que a temporada de shows de Caetano Veloso e Gilberto Gil tenha terminado. Disponível desde anteontem nas plataformas de música digital, o registro gravado durante apresentação em agosto no Citibank Hall, em São Paulo, chega na próxima sexta-feira às lojas. O lançamento será em CD duplo, DVD e ainda num kit que reúne os dois produtos.


Para quem assistiu ao show, o registro é exatamente o mesmo. O repertório reúne 28 canções na mesma ordem da apresentação. Começa com Back in Bahia (1972), de Gil, e termina com A luz de Tieta (1996), de Caetano. A seleção das canções privilegia Gil. São 11 canções solo dele, mais a parceria com Torquato Neto (Marginália 2, 1967). Caetano comparece com nove. Há ainda duas parcerias dos amigos: São João Xangô menino (1976) e a única inédita do projeto, As camélias do quilombo do Leblon, composição que os dois fizeram sob a influência da polêmica passagem por Israel.

Na seara das versões, ouvimos duas gravadas por Caetano anteriormente: a italiana Come prima (Alessandro Taccani, Vincenzo Di Paola, Mario Panzeri, 1957) e a venezuelana Tonada de luna llena (Simón Díaz, 1973). Também em castelhano, Gil canta, sozinho, Tres palabras (Osvaldo Farrés, 1946), que já teve gravação anterior do baiano. Há ainda É luxo só (Ary Barroso e Luiz Peixoto, 1957) e um novo registro para Nossa gente (Avisa lá), de Roque Carvalho (1992), que ambos gravaram em sua reunião anterior, Tropicália 2 (1993).

CLÁSSICOS
O tom retrospectivo do repertório garante uma série de clássicos dos compositores. Se ao vivo Sampa (1978) e Desde que o samba é samba (1993), ambas de Caetano, garantem alguns dos momentos de maior cumplicidade com a plateia, no disco elas perdem justamente por causa da participação do público. “Alguma coisa acontece no meu coração”, entoa Caetano, enquanto ouvem-se aqui e ali gritos do público. O “coral” atrapalha também em Desde que o samba é samba e Domingo no parque (1967).

Momento mais intimista do show, Não tenho medo da morte (2008), em que Gil canta acompanhado apenas da percussão que faz ao violão, cresce no registro do disco. A voz hoje, mais grave e sem a possibilidade de fazer os agudos de outrora, deixa o registro ainda mais confessional. O violão de Gil, sempre impecável, brilha em outro grande momento do show. No clássico Drão (1982), a interpretação dele chega a falhar na parte final, sem desmerecer o registro.

Já Caetano dá novo vigor ao clássico Nine out of ten (1972), da fase do exílio londrino. Homenageando o ídolo maior, João Gilberto, com É luxo só, Caetano e Gil comprovam que a tríade banquinho, voz e violão, marca do criador da Bossa Nova, foi o formato ideal para eternizar os 50 anos de carreira e, principalmente, amizade.

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