Djambê manifesta indignação com tragédia de Mariana em música: ''Lixo tóxico não dá pra beber''

Banda mineira usa versos de Carlos Drummond de Andrade em composição que critica desdobramentos do rompimento de barragem em Bento Rodrigues

18/11/2015 17:58

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"Desceu rejeito não tem pra ninguém/ e varre cama e sonho/ e segue tudo pro além/ E diga Vale, quanto vale a vida de alguém?". Emílio Dragão e Priscilla Glenda, vocalistas da banda Djambê, interpretam a dor e indignação de quem acompanha o desdobramento da tragédia de Mariana em Quanto Vale?, canção divulgada nesta terça-feira, 17.

Ao tratar em do rompimento da barragem da Samarco em Bento Rodrigues, distrito de Mariana, o grupo apresenta a faixa inédita como uma "contribuição para a denúncia do maior crime ambiental do país".

"Esse registro foi a nossa forma de denunciar e externalizar a nossa dor com o que houve em Bento Rodrigues. Essa é a missão, música de mensagem", ressalta comunicado na página oficial da banda no Facebook.

 

A composição de Dragão ainda traz citações do poema Lira itabirana, de Carlos Drummond de Andrade. Publicados pelo gênio mineiro em 1984, os versos tratam da relação entre a Vale e o Rio Doce em tom quase profético.

 

Lira Itabirana

Carlos Drummond de Andrade)

 

I

O Rio? É doce.

A Vale? Amarga.

Ai, antes fosse

Mais leve a carga.

 

II

Entre estatais

E multinacionais,

Quantos ais!

 

III

A dívida interna.

A dívida externa

A dívida eterna.

 

IV

Quantas toneladas exportamos

De ferro?

Quantas lágrimas disfarçamos

Sem berro?

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