Responsável pela volta da gaita-ponto, Renato Borghetti ganha biografia

Músico soube unir tradição e novas sonoridades

por Kiko Ferreira 31/10/2015 08:00

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Editora Belas Letras/Divulgação
(foto: Editora Belas Letras/Divulgação)
O experiente jornalista gaúcho Márcio Pinheiro, com passagens por veículos do Rio de Janeiro e São Paulo nas décadas de 1990 e 2000, e atualmente coordenador do Setor de Livro e Leitura da Prefeitura de Porto Alegre, é autor de um volume de leitura fácil e fluente. Trata-se de Esse tal de Borghettinho (Editora Belas Letras), biografia do instrumentista e compositor Renato Borghetti, de 52 anos, responsável pela reinserção da gaita-ponto nos cenários nacional e internacional. Trata-de de uma variante do acordeom, o principal instrumento da música tradicional gaúcha. O biografado é guru de pelo menos duas gerações de conterrâneos, que conseguiram manter as chamadas raízes sintonizadas com antenas musicais e comportamentais mais amplas.

Responsável por roteiros, pesquisas e entrevistas de um DVD e duas séries de TV sobre a vida e a obra do músico, Pinheiro teve um ano extra para buscar fontes e fazer dezenas de entrevistas para construir um retrato que soa familiar, amistoso, às vezes até excessivamente respeitoso, mas que oferece um perfil eficiente do artista. Do iniciante que acompanhava os veteranos nos CTGs (centros de tradição gaúcha) ao instrumentista de ampla agenda internacional.

Responsável por reativar a fabricação da gaita-ponto no Rio Grande do Sul por meio do projeto educativo Fábrica de Gaiteiros, Renato Borghetti teve trajetória atípica desde o primeiro álbum. Lançado em 1984, ele foi pioneiro no gênero ao vender 100 mil cópias e receber disco de ouro.

Borghettinho tocou no Free Jazz em 1988 e em 1997, apesar de dizer, no melhor sotaque gaúcho, que “grosso não faz jazz”. Participou do show do Engenheiros do Hawaii no Rock in Rio, subiu ao palco com Leon Russell e Edgar Winter, gravou disco ao vivo no Porgy & Bess de Viena. Também dividiu palcos e estúdios com Hermeto Pascoal, Sivuca, Dominguinhos e colegas de instrumento mundo afora. Casou-se duas vezes, teve muitos filhos, não gosta de pepino e prefere cerveja a vinho. Caseiro, não vai muito ao cinema e teatro, mas esquece a timidez aparente quando está entre amigos.

Borghettinho deu aos jovens gaúchos um modelo a seguir – a ponto de o irmão e empresário Marcos Borghetti cravar, sem vacilo: “Ele é o Rio Grande em duas pernas”.

Classificado por Juarez Fonseca, autor do prefácio, como “uma pessoa descomplicada”, que não faz anúncio de bebida nem de cigarro e não provoca polêmicas, Renato Borghetti é um típico gaúcho contemporâneo, profundo respeitador da tradição e, ao mesmo tempo, capaz de dialogar com outros sotaques, linguagens e geografias. Essa é a imagem que Márcio Pinheiro transmite num trabalho jornalístico eficaz, feito por quem conhece histórias, manias e táticas de seu personagem.

ESSE TAL DE BORGHETTINHO
•  De Márcio Pinheiro
•  Editora Belas Letras
•  240 páginas, R$ 44,90

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