Lançamentos de artistas confirmam a retomada na produção do vinil

No Brasil, em 2014, as vendas digitais cresceram um total de 30,43%, enquanto as vendas de Cds e DVDs caíram 15,44%. A exceção tem sido os LPs e compactos

por Leonardo Fernandes 26/10/2015 11:22

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Ed Alves/CB/D.A Press
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Não muitos anos atrás, os discos de vinil, em sua maioria long playings (LPs), eram ameaçados de extinção. A nova aposta era o compact disc (CD), que introduzia uma nova geração de mídia musical, desta vez, digital. Atualmente, mesmo com o avanço das maneiras de divulgação de áudio, como os serviços de streaming - que dispensam a mídia física, a preferência de muitos artistas e fãs pelo formato vinil parece ter voltado com força.

Segundo o Relatório Anual da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), as vendas físicas no mundo caíram 8,1% em 2014; as receitas da área digital cresceram 6,9%, e já representam 46% das vendas mundiais de música, por influência principalmente, do bom desempenho do segmento de subscrição para acesso à música por streaming.

No Brasil, em 2014, as vendas digitais (serviços de streaming de áudio e vídeo, downloads de faixas e albuns, e telefonia móvel) cresceram um total de 30,43%, enquanto as vendas físicas (CDs, DVDs e Blu-Rays) caíram 15,44%. Mas tanto aqui como mundialmente, a exceção tem sido o vinil.

Michael Fremer, editor da www.analogplanet.com e editor sênior da revista Stereophile, faz uma pesquisa anual diretamente nas fábricas de discos para ter um número realista. Em 2013, o total de discos fabricados no mundo superou a marca de 33 milhões de unidades. Ele acredita que essa marca vai ultrapassar 50 milhões em 2015.

Fundada em 1999, a brasileira Polysom - única fábrica de vinis da América Latina - chegou a fechar suas portas em 2007. Dois anos depois, a gravadora Deckdisc, embalada pelo volumoso crescimento na venda de vinis nos Estados Unidos e na Europa e, ainda por cima, impossibilitada de produzir seus próprios títulos no Brasil, adquiriu o maquinário da antiga fábrica e a reativou.

De lá pra cá, a produção só cresceu. O consultor da Polysom, João Augusto, estima um recente incremento mundial de, no mínimo, 50% ao ano e que o Brasil, em 2015, deverá acompanhar ou mesmo superar esse patamar em relação ao ano passado. “A Polysom vendeu mais de 100 mil vinis em 2014 - o que equivale a um crescimento de 63% em relação a 2013 - e a previsão total para 2015 é crescer cerca de 80%”, anuncia o consultor.

São vários os exemplos de artistas que apostam nessa mídia para divulgarem seus trabalhos hoje em dia, independentemente da distribuição na web. Seja por nostalgia, seja para agregar valor à obra a ser lançada, tiragens limitadas de álbuns novos ou relançados estão voltando às prateleiras de lojas e residências.

Artistas internacionais, como a cantora islandesa Bjork  e a banda americana-escocesa Garbage, anunciaram recentemente o lançamento até de singles em vinil. No Brasil, representantes da nova safra da música brasileira, como Cícero e Scalene, acabam de lançar, em vinil, seus álbuns A praia  e Éter , respectivamente. E têm surgido relançamentos, como É Ferro na Boneca , primeiro álbum de estúdio do grupo Novos Baianos, de 1970, e um box de Os mutantes, com 7 LPs da banda.

Suvenir
Em Brasília, o recente relançamento, apenas em vinil, do primeiro álbum da banda Maskavo Roots, foi feito para comemorar os 20 anos de seu lançamento. Produzido pela loja Dom Pedro Discos e pelo selo Assustado Discos, o LP, homônimo, teve uma tiragem de 500 exemplares.

Um dos guitarristas da formação que gravou o disco, Carlos Pinduca, conta que “como essa formação do Maskavo Roots não está mais em atividade, achamos que o formato seria o ideal para aqueles fãs mais fiéis, que não querem somente a música, mas uma espécie de lembrança ou suvenir da banda. Por isso, fizemos também uma tarde de autógrafos: para que o vinil se tornasse um item único para o fã.” E mais vinis vem por aí das mãos dele. Pinduca também está negociando a possibilidade de relançar o primeiro disco de outra ex-banda, Prot(o), e de lançar um compacto do Brasil cibernético, a atual banda. Ambos em vinil.

Lançando seu primeiro álbum, Jeopardy, o músico Bruno Sres, que adota o nome artístico MYMK, também escolheu o formato LP para apresentar seu trabalho. “Um fator nessa escolha é o fato de o vinil ter retornado com força ao mercado. Existe um consumidor para o formato”, explica o autor do álbum de música eletrônica, que tem a tiragem de 300 cópias.

O processo de produção de áudio é diferente para cada formato disponível. Uma etapa decisiva, de pós-produção, é a masterização. Ela prepara o áudio a ser a fonte a partir da qual todas as cópias serão produzidas. Bruno Sres, por exemplo, providenciou duas versões de seu álbum: a master própria para o LP e outra específica para iTunes e arquivos digitais em geral. “E isso não é bobagem, rola uma diferença, dá para sacar detalhes distintos. Isso tudo foi importante porque me permitiu oferecer ao ouvinte uma cara para cada formato”, explica o músico, que pretende manter uma produção de EPs digitais e LPs.

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