Klébi comemora 20 anos de carreira com o álbum 'Sambarás'

Cantora e compositora se mantém fiel à gravadora e deixa clara a opção pelo cotidiano e tradicional

por Kiko Ferreira 23/10/2015 08:00

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Kriz Knack/DIVULGAÇÃO
(foto: Kriz Knack/DIVULGAÇÃO)
Assim como na culinária é comum os grandes chefs e apreciadores da alta gastronomia gostarem das comidas de rua, dos pratos servidos a funcionários dos restaurantes e do que se convencionou chamar de comfort food, que faz bem ao corpo e à alma, a música também tem dessas coisas.

É o caso de Sambarás, álbum que comemora os 20 anos de carreira da cantora e compositora Kléb, lançado pela Dabliú. Klébi deixa clara a opção pelo sabor cotidiano e tradicional quando busca classificar o trabalho: “Materializei o que havia de samba em minha memória – o tipo de samba de que eu gosto. Não tive a pretensão de fazer algo novo, só dei minha linguagem e estilo a tudo que já foi feito.”

Produzido pelo bamba Eduardo Gudin e arranjado pelo sete- cordas Gian Correa, o samba com sabor de picadinho, arroz com feijão e torresmo com linguiça espalhado pelas 12 faixas tem sustância e tempero bem dosado. O menu começa com Samba na manga, sobre uma personagem (ela mesma?) que tem um samba na manga pra cantar para o amado.

Passa por Não é garoa, que esquece o romantismo da garoa paulistana e fala de uma chuva forte de levar telha, escuridão e que tira chance de fazer amor. Vamos e venhamos trata, com humor, do caso da moça que se arruma para seduzir o parceiro e o máximo que consegue é ser tratada como miss simpatia, com versos incisivos e bem-humorados como “se hoje que eu estou bonitona/ cheia de coisas pra dar/ me vê como companhia/me elege miss simpatia/ ora, vamos e venhamos/ está na hora de saltar”.

Com algo de Paulinho da Viola e Aline Calixto, Água raz seduz com estilo e elegância: “Pra homens que versam/ as flores abrem/ ah... já sabem/ sempre um jeito tem”. Apaixonada em Encantada e levemente melancólica na classuda e lenta Ponte, simboliza um fim de amor com ataques de cupins a um violão dado de presente (Crime do compositor), conta a movimentada história de um percussionista que esquece o pandeiro no táxi (Luizão) e dá aula de partido-alto em Climática, daqueles de acordar bêbado sonolento em roda de samba.

Com trombone quase de gafieira, Chega de música boa é ácida e firme num fim de caso: “Vou minimizar meu louco desejo/e aproveitando o ensejo/ você não passou de ilusão”. Samba mulher e Sambarás fecham o disco com dois momentos distintos. O primeiro é rápido, com bons diálogos entre os instrumentos, e letra ferina e desafiadora:” Olha pra mim/ fila de estrada/ com pedágio bem ruim /vai bobear?/ rasgo tua senha/e já sabe onde é que vai parar”.

O segundo, lento, traz variações do verbo sambar com uma dinâmica classificada, propriamente, por Eduardo Gudin como épica. Enfim, Sambarás não é samba de baixos teores, não tem adoçante, não é diet nem renova o gênero. É música do dia a dia, com sabores genuínos.

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