O cantor e compositor Siba traz o som de Pernambuco para BH

Artista lança novo disco, 'De baile solto', esta noite no Granfinos

por Walter Sebastião 16/10/2015 08:00

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José de Holanda/Divulgação
(foto: José de Holanda/Divulgação)
Chama-se De baile solto o disco que Siba lança hoje à noite, no Granfinos. Com ele, o artista volta aos ritmos de rua pernambucanos, elemento central de sua obra. Aliados ao maracatu de baque solto, vêm textos com coloração política. Totalmente independente e sem apoio de leis de incentivo, o álbum pode ser baixado no site www.mundo siba.com.br.

Siba conta que as canções Marcha macia e O inimigo dorme definem a proposta de seu oitavo trabalho – o terceiro solo. “Esse  disco traz a energia orgânica da música de rua, que é para dançar, uma produção que se comunica com o corpo. Também reafirma o conhecimento das populações marginalizadas, sobretudo africanas, que subsidia as ocupações do espaço público promovidas pela música popular. São dois lados da mesma moeda: um vetor forte para viver o presente e a colocação disso num lugar menos marginalizado”, explica.

O show será longo. O repertório dará espaço ao diálogo de Siba com o grupo Fuloresta, relação que se torna explícita em composições como Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar ou Trincheira do Fuloresta.

MANGUEBEAT
 
Siba é o apelido de Sérgio Oliveira, de 46 anos. No começo da década de 1990, ele iniciou sua carreira no Recife liderando a banda Mestre Ambrósio, integrante da turma que criou o manguebeat com a proposta de misturar pop rock e cultura regional.

“O Recife dos anos 1980 era uma cidade do rock, onde a cultura popular ocupava lugar completamente marginal. Tomamos uma postura clara e afirmativa, defendendo para ela lugar menos marginal. O Brasil tem força própria, particularidades regionais incontornáveis. Como viver no Recife, em Salvador, Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte e não ser afetado pela cultura popular?”, provoca.

O cantor e compositor lembra que a geração dos anos 1970 – de Alceu Valença e Zé Ramalho, entre outros músicos nordestinos – fez o mesmo que o manguebeat, embora em ambiente político mais difícil. Siba observa que o desenvolvimento tecnológico trouxe para sua geração mais facilidade para gravar discos e divulgá-los. “Em contrapartida, a geração dos anos 1970 conseguiu projeção sólida, o que hoje não há mais. Atualmente, é mais fácil começar um trabalho, o que tem o seu mérito, mas é difícil mantê-lo e fazê-lo avançar”, compara.

Siba gravou três álbuns com o Mestre Ambrósio, dois com o Fuloresta e três solos. “Só fiz 10% dos 80 discos que quero fazer. Ainda não deu tempo, mas continuo tentando”, avisa ele, com bom humor.

SIBA
Granfinos. Avenida Brasil, 326, Santa Efigênia, (31) 3241-1482. Hoje, às 22h. Abertura: A Fase Rosa. R$ 30 (no site www.sympla.com.br/granfinos) e R$ 40 (portaria).

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