Tavinho Moura lança 'Beira da linha', disco em que toca sozinho 11 das 13 faixas

No álbum, músico mostra o que aprendeu com os mestres mineiros Manoel por Fora, Vicente e Renato Andrade

por Eduardo Tristão Girão 12/10/2015 11:30

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Ramon Lisboa/EM/D.A PRESS
"Nunca tive muito tempo de estudar. Fui escutando e aprendendo sozinho", Tavinho Moura, violeiro, compositor e passarinheiro (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A PRESS)
“Sócio” do Clube da Esquina, o cantor e compositor mineiro Tavinho Moura tem parte de sua discografia dedicada à viola caipira. O interesse foi despertado por um dos grandes nomes do instrumento, Renato Andrade. Tavinho aprendeu com mestres do Norte de Minas Gerais, como seu Manoel por Fora e seu Vicente, e também tirou proveito da convivência com Almir Sater. Em Beira da linha, seu recém-lançado terceiro disco baseado nas 10 cordas, ele mostra que sua busca por uma linguagem própria não cessou.


Nas 13 faixas do trabalho que sucede a Caboclo d’água (1992) e Diadorado (1995), Moura demonstra afinidade com os toques tradicionais ao mesmo tempo em que trilha caminhos harmônicos e melódicos fora do esperado para um disco de viola caipira “de raiz”. O álbum traz apenas três faixas com letra – ele toca sozinho em 11 delas. Tavinho escreveu todas as peças, dividindo a autoria de Pegada da onça com Eid Ribeiro e musicando Nigue ninhas, texto de Mário de Andrade.

“Nunca tive muito tempo de estudar. Fui escutando e aprendendo sozinho. Quando seu Manoel me ensinou e me ouviu, disse que estava tocando até mais difícil do que ele, pois meu toque estava sincopado. Prestei atenção, ouvi de novo o que estava fazendo e fui consertando meu toque para ficar igual ao dele”, conta. Dono de três violas, usou a que o luthier Vergílio Lima, de Sabará, construiu, caracterizada pela cintura fina e nitidez sonora.

TOQUE Do disco Caboclo d’água, regravou a faixa-título, Coração disparado, e Dança maneiro pau; de Diadorado, veio a peça homônima. “Adoro essas músicas e estou me sentindo muito mais à vontade para tocá-las de novo. Não há emendas, não há artifícios. Todas têm um toque de viola que exige muito. O instrumento possibilita muito virtuosismo, mas quem aposta nisso se afasta da música. Esse é um disco de viola mineira, um trabalho popular. Gosto é das festas de viola”, resume.

Por falar em festa, foi numa delas, em Barra do Guaicuí, no Norte do estado, que ele tirou inspiração para a faixa de abertura, Agosto. Moura tem casa lá e conseguiu que moradoras lhe mostrassem os passos do carneiro (dança típica, só de mulheres). “Elas dão umbigada umas nas outras e batem os ombros de lado. É algo bem plástico, bem interessante. Já tinha a música pronta e criei versos como referência ao que as ouvir contando sobre a música”, observa.

CANTO O próximo lançamento de Tavinho Moura é um livro. Batizado de Vale do Mutum – Aves da mata atlântica, traz fotos de 127 espécies de pássaros (e 10 outros bichos) feitas pelo próprio músico em florestas ao redor dos municípios mineiros de Ipaba, Ipatinga, Belo Vale, Rio Piracicaba e São Gonçalo do Rio Abaixo. Ele flagrou mutum-do-sudeste, macuco, uru-capoeira e jacutinga, entre outras aves. Em 2012, lançou outro livro, Pássaros poemas – Aves na Pampulha.

“Desde menino, sou passarinheiro. Fui adquirindo literatura a respeito, tomando gosto. Vira uma espécie de vírus, você não para mais. Para todo lugar onde vou, levo a câmera. Você também aprende a ouvir. Quando para e presta atenção, percebe que está ouvindo uns seis bichos ao mesmo tempo. Tem gente que ouve 20. É bom pra danar. Já tive passarinho preso, mas já aprendi que a liberdade é o mais importante”, confessa Moura.

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