Disco de Alaíde Costa e Toninho Horta é um dos mais importantes lançamentos do ano

'Alegria é guardada em cofres, catedrais' foi produzido sem pressa, ao longo de três anos

por Ailton Magioli 20/09/2015 13:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Geraldo Rocha/Divulgação
(foto: Geraldo Rocha/Divulgação )
Em tempos de (quase) desespero, 'Alegria é guardada em cofres, catedrais', que reúne a voz cristalina e requintada de Alaíde Costa e o violão preciso e sensível de Toninho Horta, surge como um verdadeiro oásis no sucateado mercado fonográfico brasileiro. Gravado no estúdio Na Trilha, de Belo Horizonte, em sessões alternadas, em período de cerca de três anos, soa como um recital, ainda que a ausência de aplausos entregue, de imediato, tratar-se de registro de estúdio.


Produzido por Geraldo Rocha, o disco é lançado quando ainda ecoam os festejos dos 43 anos do Clube da Esquina, ao qual o repertório é dedicado, paralelamente aos preparativos das comemorações dos 80 anos da diva da bossa nova, em dezembro. Não por acaso, Alaíde está no disco de estreia do movimento musical mineiro, no qual divide a interpretação de Me deixa em paz, de Monsueto, com Milton Nascimento.

Agora, como entrega o próprio título do CD, retirado dos versos de Aqui oh, de Toninho Horta e Fernando Brant, Alaíde finalmente dá voz aos clássicos mineiros, com direito ainda a um Tom Jobim (Sem você) para fechar o “concerto”. Segundo o violonista, foi ouvindo essa canção que ele ficou sabendo da existência de Alaíde, em plenos anos 1960.

Originalidade Composição mais recente de Toninho, dedicada ao irmão baixista Paulo Horta, Nos tempos do Paulinho abre o recital, no qual Alaíde Costa exibe a elegância característica de seu canto em pérolas como Outubro e Travessia, de Milton e Brant; Tudo que você podia ser, de Lô Borges e Ronaldo Bastos; Bons amigos, de Toninho Horta e Ronaldo Bastos; Nascente, de Flávio Venturini e Murilo Antunes; Saguin e Beijo partido, ambas apenas de Toninho Horta, e Sol de primavera, de Beto Guedes.

Detentora de escola própria de canto, que sobrevive ao novo século, Alaíde submete as canções do Clube da Esquina aos reconhecidos sentimento e técnica, imprimindo personalidade ao canto inimitável que o Brasil conhece há décadas. Ainda sem agenda de shows, Alegria é guardada em cofres, catedrais chega acompanhado de uma série de iniciativas, com direito a página no Facebook (Alaíde Costa e Toninho Horta Oficial) para a venda do CD. Estão previstos também clipes e um documentário, cuja base será o esperado encontro dos dois artistas.

No documentário, a cantora promete uma imersão na cultura mineira, com abordagens da arquitetura, gastronomia e outros aspectos. Depois de passagem por Ouro Preto, onde foi feita a foto da capa do CD, a produção promete retomar as gravações no Teatro Municipal de Sabará, um dos mais antigos do estado.

Porcelana No ano em que se integra ao time dos oitentões da MPB, Alaíde Costa ainda vai lançar outro disco. Trata-se de Porcelana, álbum que a cantora dividirá com o cantor pernambucano Gonzaga Leal, gravado no estúdio Muzak, do Recife. Canções de Alceu Valença (Solidão), Socorro Lira (Delicado), Capiba (Quando se vai um amor) e José Miguel Wisnik e Swami Junior (Fim de ano) estão no repertório, que ainda terá uma parceria inédita de Caetano Veloso e Orlando Moraes. A faixa-título tem a assinatura de Moisés Santana.

Alaíde Costa prepara também o primeiro DVD de sua carreira, em parceria com o Canal Brasil, no qual cantará pela primeira vez a dupla Roberto e Erasmo Carlos (Preciso chamar sua atenção). Nas recentes passagens pela capital mineira, a carioca Alaíde Costa, que mora em São Paulo, andou brindando os fãs com apresentações de surpresa, como a que fez em Santa Tereza, acompanhada apenas do violão de Toninho Horta.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA