Três lançamentos de música instrumental atestam evolução de artistas brasileiros

Brina Blade, André Marques, John Patitucci, Antonio Adolfo, Neymar Dias e Igor Pimenta assinam discos que sinalizam equilíbrio entre originalidade e repertório

por Kiko Ferreira 07/09/2015 00:13

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Borandá/Divulgação
Brina Blade, André Marques e John Patitucci gravaram o tributo 'Viva Hermeto' (foto: Borandá/Divulgação)
Uma das mais eficientes formas de medir a evolução de um músico é ver como, ao longo do tempo, ele consegue agregar originalidade e enriquecer repertório conhecido. Três lançamentos recentes de música instrumental atestam a evolução de seus protagonistas.

 

Um deles é do pianista André Marques, da banda do bruxo Hermeto Pascoal há pelo menos 20 anos, que gravou nos Estados Unidos o CD 'Viva Hermeto', com 13 composições do mestre alagoano, acompanhado pelo baixista John Patitucci e do baterista Brina Blade. Os outros dois são 'Tema', de Antonio Adolfo; e 'Come together project', em que Neymar Dias e Igor Pimenta recriam o repertório dos Beatles.


A tarefa de André Marques, integrante do Trio Curupira e da orquestra Vintena Brasileira, foi mais desafiadora. Ele teve a ideia num encontro de Hermeto com o grupo do saxofonista Wayne Shorter, no backstage de um festival de jazz. Foi a deixa para convidar o baixista Patitucci e o baterista Blade para uma leitura jazzística que amplia os limites de clássicos como 'O ovo', 'Bebê' e 'Chorinho pra ele' e apresenta outros temas menos conhecidos e até inéditos, como 'Ramos de girassol' e 'Na guaribada da noite'. O trio desconstrói, desmonta e remonta a obra de Hermeto e pode abrir portas para que outros jazzistas assumam o autor como criador de standards.

Paul Constantinides/Divulgação
Antonio Adolfo revisita suas composições em 'Tema' (foto: Paul Constantinides/Divulgação)
Mais dois

'Viva Hermeto' sai pelo selo Barandá, o mesmo de 'Come together project', do dueto formado pelo violeiro Neymar Dias e o baixista Igor Pimenta, que demonstra o acerto da escolha dos dois instrumentos e a chamada redução orquestral de uma dúzia de temas dos Beatles.

 

Sem abusar de clichês nem forçar semelhanças, eles amadureceram desde 2012 o repertório e os arranjos. E criam pontes e overdrives. Como as citações a Johan Sebastian Bach em 'In my life' e 'The long and winding road' e alusões à sonoridade da cítara em outras passagens. Mesmo que em alguns momentos o discos soe brejeiro e rural, no geral as leituras ultrapassam as referências óbvias e fornecem novas perspectivas a um repertório exaustivamente recriado nas quatro últimas décadas.


Já o pianista carioca Antonio Adolfo, que celebra 50 anos de carreira, reuniu os sopros de Marcelo Martins, as cordas de Leo Amuedo e Cláudio Spiewak, o baixo de Jorge Helder, a bateria de Rafael Barata e a percussão de Armando Marçal para dar unidade a 'Tema', seu 24º disco.

 

Radicado em Miami, onde faz um trabalho valioso de divulgação dos ritmos e gêneros brasileiros, ele deu preferência a baião, forró e toada, selecionadas entre as mais de 200 de suas composições. Entre elas, canções originalmente compostas com letra, como 'Natureza' e 'Todo dia'. 'Tema triste', parceria com Tibério Gaspar, que estava no repertório de Maysa nos anos 1960, talvez seja o melhor exemplo da atualização, com a faixa 'Variations on a tema triste', prova da filosofia do projeto.

Borandá/Divulgação
Neymar Dias e Igor Pimenta tocam Beatles em 'Come together project' (foto: Borandá/Divulgação)
 



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