Emicida lembra as raízes africanas em novo disco

'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa' está disponível nas plataformas digitais

por Júlia Boynard 07/08/2015 16:47

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José de Holanda
(foto: José de Holanda)
Em julho, quando Emicida lançou a furiosa 'Boa esperança', primeiro single do disco 'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa', o rapper parecia dar o tom do que vinha por aí. As faixas 'Mufete' e 'Passarinhos' compartilhadas em seguida, mostraram, porém, a pluralidade que seria o segundo álbum de estúdio do paulistano. Agora, com o disco completo, Emicida provou, mais uma vez, que o rap vai além do underground.

'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa' é obra depois de 20 dias que o rapper passou nas cidades de Praia (Cabo Verde) e Luanda (Angola). A parceria entre sua produtora, Laboratório Fantasma, e a Natura Musical, o lançamento digital foi feito na manhã desta sexta-feira. Músicos locais participaram das canções, atuando sob direção de Emicida e de Xuxa Levy, produtor musical do trabalho. No álbum, Emicida não esquece das raízes, da infância pobre e da ancestralidade afrodescendente.

O preconceito está presente em todos os momentos de 'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa', seja em versos doces ou azedos. Apesar da atenção em assuntos sensíveis, o álbum é para cima e caminha para o pop, percebido na faixa 'Passarinhos', canção composta por Emicida no ukulele, em brincadeira com a filha de 5 anos, e gravada com a cantora Vanessa da Mata. Segundo o rapper em entrevista para o portal Agito, o alto astral do disco tem motivo: "Sabe por que é um disco pra cima? Porque quando pretos estão reclamando, na miséria, dormindo na calçada, todo mundo acha que tá tudo no lugar certo. Mas quando eu tô à pampa tô legal", conta.

Além de um disco feito de música, 'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa' é também composto por literatura. Leituras de Gil Vicente, Mia Couto, José Eduardo Agualusa e Marcelino Freiro – recitando seu poema 'Trabalhadores do Brasil' – misturam-se às rimas de Emicida.


Em março, o norte-americano Kendrick Lamar lançou o aclamado 'To pimp a butterfly'. No álbum, o rapper trata com sensibilidade os movimentos negros nos Estados Unidos. Em uma recente manifestação contra a prisão de um jovem afrodescendente, moradores de Cleveland entoaram coro com a faixa do disco 'Alright'.

Com 'Sobre crianças, quadris, pesadelos e lições de casa', Emicida parece se tornar um porta-voz do movimento negro no Brasil. Com faixas para cima, mas com a metralhadora de rimas afiada, o rapper não descansa de colocar o preconceito em pauta. Os destaques ficam para 'Boa esperança', 'Mãe', '8' e 'Mandume'. "Eles querem que alguém de onde vem de onde nóiz vem seja mais humilde, baixa a cabeça', diz os versos da última. 

  

 

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