Duda Brack reúne canções de jovens compositores em novo disco

Trabalho é o primeiro em CD da cantora gaúcha radicada no Rio de Janeiro

por Eduardo Tristão Girão 27/07/2015 09:46

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FLORA PIMENTAL/DIVULGAÇÃO
Cantora Duda Brack, que disponibilizou o primeiro álbum em seu site e envia cópias pelo correio a quem encomenda por e-mail (foto: FLORA PIMENTAL/DIVULGAÇÃO)
E
m 2013, a cantora gaúcha Duda Brack, de 21 anos, faria seu primeiro show, no Rio de Janeiro. Procurou o amigo João Cavalcanti (cantor e compositor do grupo Casuarina), que a ajudou a formar uma banda e começou a ensaiar. A estética da apresentação já estava na cabeça e escolher o repertório não foi difícil. “Queria algo sujo, grave, com distorção, muito visceral e nem sempre agradável”, diz. Entretanto, duas semanas antes da estreia, o contratante sumiu. A apresentação foi cancelada.


“Mesmo assim, resolvemos ficar juntos para pesquisar e criar os arranjos”, conta Duda. Não fizeram isso em vão: no ano seguinte, entraram em estúdio e gravaram as oito faixas que compõem 'É', disco de estreia da artista, lançado agora. Duda Brack não é mais uma cantora-da-nova-leva-da-MPB, mas uma garota de voz grave – ou de timbre “escuro” – que se arrisca com canções de compositores predominantemente jovens e menos conhecidos.


Ela trilha o caminho do rock, em certos momentos lembrando o que fez o grupo Secos e Molhados. Como vários outros artistas, sente dificuldade em rotular o próprio trabalho, mas classifica como flerte entre MPB e indie rock. São apenas oito faixas, assinadas por nomes como Taís Feijão, Dani Black, Carlos Posada, Caio Prado e César Lacerda.


“Achei que, com essas oito, não faltava nem sobrava nada. Eu me preocupei em não me repetir e em não dizer nada que não precisasse. Perguntei-me várias vezes se não ficaria curto”, justifica. Gabriel Ventura (guitarra), Barbosa (bateria) e Yuri Pimentel (baixo) formam a banda da cantora, todos quatro responsáveis pelos arranjos. A produção ficou a cargo de Bruno Giorgi.

Sobre sua voz, que realmente chama a atenção, ela explica que, na verdade, pertence ao mesmo alcance de uma soprano ou médio-soprano: “É parecida com a da Marisa Monte, por exemplo. A diferença é que meu timbre é mais escuro. É uma questão de anatomia, mas acho também que a voz reflete a alma, o que ela carrega. Quando tinha 15 ou 16 anos, minha voz ainda não era tão escura. Talvez, pela minha idade, ela ainda mude um pouquinho. Fiz aulas de técnica vocal, mas isso é natural. É o lugar de ressonância que é confortável para mim”.

ECONOMIAS Independente, o disco foi custeado por “crowdfunding familiar” e pelas economias que Duda juntou ao longo dos últimos anos, participando de festivais (ganhou os oito de que participou desde 2012) e até cantando em casamentos. É possível baixar o disco de graça no site da cantora e, mesmo assim, ela providenciou mil cópias da versão física para vender em seus shows ou para quem lhe mandar um e-mail. Aliás, decisão da qual se alegra a cada vez que recebe um pedido.

“Está sendo legal esse negócio de correio. Toda semana tem uma leva. Cada vez que vou lá, fico feliz e agradeço a Deus. Estou em contato com gente de vários lugares, e que não faço ideia de quem seja, querendo uma relação profunda com o meu trabalho. É uma relação muito mais pessoal. É bonito. Tenho envolvimento com todas as instâncias do meu trabalho, cada tijolinho.” Para os que fazem questão, ela ainda autografa o encarte.


Com um show marcado para o mês que vem, em São Paulo, e ainda encaixando na agenda outros compromissos profissionais (cantar em casamentos, por exemplo), Duda leva adiante um curso de música na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, iniciado em 2013. Na verdade, ter diploma é uma exigência do pai. “Frequentemente tranco o curso para viajar e tocar. Vou devagarinho e não sei se vou me formar. Não estou muito preocupada em me formar, mas sei que isso me dá algum embasamento”, diz.

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