Eduardo Lages traz a BH espetáculo de sua carreira solo

Ao Estado de Minas, ele defende o Rei na polêmica das biografias, critica a qualidade da música popular e conta que os grandes cantores da era do rádio faziam sarau em sua casa

por Ana Clara Brant 01/07/2015 00:13

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FOTOS: MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO
(foto: FOTOS: MARCOS HERMES/DIVULGAÇÃO)
Há pelo menos 37 anos, Eduardo Lages, de 68, é o braço direito de Roberto Carlos. Embora ele mantenha paralelamente uma carreira solo, é constantemente chamado de “maestro do Rei”. Lages, que atualmente percorre o Brasil com a turnê comemorativa de seus 50 anos de carreira, não se importa com o título. Ao contrário. “Tenho muito orgulho de ser chamado de maestro do Rei, até porque sou mesmo. Isso faz parte da minha vida. Tenho consciência de que as pessoas vão atrás de mim por causa do Roberto, mesmo eu tendo meu trabalho paralelo. Um monte de gente me pede autógrafo, tira foto, manda eu dar um abraço no Rei e depois de tudo ainda pergunta meu nome”, diverte-se.

Neste fim de semana, o maestro apresenta no Palácio das artes, em Belo Horizonte, o espetáculo  Eduardo Lages & orquestra, o maestro do Rei - Em toda brasileira é uma diva. O maestro lançou sua carreira solo em 2005. “Já tive que abrir mão várias vezes de projetos pessoais ou profissionais por causa do Roberto. Mas nunca me importei com isso. A prioridade sempre foi ele. Até porque, mesmo os meus CDs, se tiveram sucesso, devo 90% ao Roberto Carlos. Consegui boa parte das coisas na minha vida por causa dele.”

Embora não seja filho de músicos – a mãe era professora e o pai, médico – o instrumentista, arranjador, produtor musical, compositor e maestro nascido em Niterói sempre conviveu com artistas. O pai era pneumologista e tinha entre seus pacientes diversos cantores, que ele convidava para saraus e serestas em sua casa, nos quais assumia o piano. “Como muitos artistas naquela época tinham problemas no pulmão ou respiratórios, porque fumavam muito ou tinham tuberculose, eles eram a clientela do papai. Nelson Gonçalves, Ciro Monteiro, Silvio Caldas, todos frequentavam a minha casa. Assim, fui aprendendo a gostar de música popular. Fui estudar piano já aos 5 anos de idade”, conta.

Desde criança, Lages quis ser maestro, mas nem ele sabe explicar o motivo. “Isso é o que os adultos me contavam. Que eu falava em ser maestro o tempo todo, mas não me recordo de ver algum concerto, nada disso. Mas te digo que sempre fui um apaixonado por orquestras.”

O regente também é grande admirador da música erudita, gênero que mais tem escutado atualmente. “Hoje, ouço muito mais o clássico do que o popular, porque é uma música eterna. Até porque estamos passando uma fase musical no mundo que não é nada fértil. Não sei se é uma entressafra, mas é raro ouvir uma composição lançada há um, dois anos, e ela me emocionar.”

O maestro diz ter dificuldade de eleger os momentos de maior destaque de sua carreira. Venceu festivais de música, foi maestro e arranjador de programas da Globo, fez apresentações memoráveis ao lado do Rei, como uma para o papa João Paulo II. “Tudo que pensei na minha vida deu certo. Fiz tanta coisa boa e toquei de Nova Lima a Nova York. Até gosto mais de tocar para o povo do que para um público mais sofisticado. Tanto que meu próximo projeto é levar essa turnê para a rua e de graça.”

REI


Ao longo de quase 40 anos acompanhado Roberto Carlos, Lages estima ter feito cerca de 3 mil shows ao lado dele. Tanto convívio fez com que Lages conhecesse bastante a personalidade do Rei. Lages o define como uma pessoa extremamente intuitiva. “Quando Roberto tem uma intuição, ele a segue e, em 99% das vezes, não erra. Nunca o vi premeditadamente falar mal ou causar um desconforto a alguém. Claro que ele é um ser humano e pode cometer algum ato impensado, mas, mesmo nesses últimos episódios (polêmicas envolvendo Roberto Carlos), principalmente o das biografias, não vi em nenhum momento Roberto querendo fazer mal a alguém. Apenas queria ter sua privacidade preservada.”

Sobre a polêmica em torno das biografias  – o STF derrubou a necessidade de autorização prévia do biografado, algo que Roberto defendia –, Lages diz entender os dois lados da moeda e sustenta que deveria haver um dispositivo jurídico para proteger o biografado caso o autor cometa uma injúria. “É complicado isso porque corre o risco, ainda mais quando a coisa não é autorizada, de saírem histórias deturpadas. Mas aí o livro já foi publicado e o mal já foi feito”, diz.

Com relação ao livro Roberto Carlos em detalhes, de Paulo Cesar de Araújo, cuja venda foi proibida a pedido do cantor, o maestro diz que seu depoimento dado ao jornalista e escritor foi preservado e publicado sem incorreções. “Da minha parte, ele colocou exatamente as minhas palavras.”

Apesar de seus 50 anos de carreira, Lages não acredita que alguém se interessaria em contar sua história e também não sabe se aprovaria a ideia. Ele conta com três jornalistas dentro de casa, já que todas as suas filhas abraçaram a profissão. “Jornalista é bom de contar história, mas não sei se animaria. Elas não podem é contar nenhuma mentira”, brinca.

Musical encena rotina de rádio

Eduardo Lages & orquestra, o maestro do Rei - Em toda brasileira é uma diva foi criado com o objetivo de ser um musical para toda a família. Conta, por meio de muitas canções, a história fictícia de uma rádio em algum lugar do país. Tendo o maestro e sua orquestra como protagonistas, a produção é dividida em três blocos, apresentando a manhã, a tarde e a noite da Rádio No Ar, que toca canções de todos os gêneros ao longo do dia.

Ao final, um show de gala encerra a programação da emissora. Como toda rádio, veicula noticiários, jingles, atrações infantis e a participação de ouvintes. Entre esses está Ivete Sangalo, que encarna uma animada espectadora nordestina, em participação gravada em vídeo e exibida em telão. “É muito interessante observar a participação da plateia que dança e canta com a gente o tempo todo. É como se estivéssemos na casa da gente”, diz o maestro.

O repertório inclui Beatles, Pixinguinha, Cazuza, Lulu Santos, Milton Nascimento, Tom Jobim, Roberto Carlos e  pot-pourris temáticos, com temas de novelas, infantis e músicas de baile. “É só música bonita e é um show muito feliz”, afirma.

Além do maestro e da orquestra, o musical conta com uma trupe de atores performáticos, que se alternam entre cenas faladas, números de dança e canto. Com concepção e direção-geral de Ulysses Cruz, o espetáculo tem direção de Ravel Cabral, roteiro de Vinícius Faustini, cenografia de Verônica Costa, figurinos de Luciana Buarque e coreografia de Tania Nardini.

Eduardo Lages & Orquestra, O maestro do Rei - Em toda brasileira é uma diva
Sábado, às 21h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: Plateia 1: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia); Plateia 2: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia) e Plateia superior: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia). Classificação livre. Informações: (31) 3236-7400

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