Em videoclipe, rapper pede perdão a gerações futuras pelo estado do planeta

Poeta e rapper americano Prince Ea detalha os danos causados ao meio ambiente pelo homem

por AFP - Agence France-Presse 24/06/2015 11:32

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AFP THOMAS SAMSON
Rapper americano Prince Ea (foto: AFP THOMAS SAMSON)
Paris
- "Queridas gerações futuras, perdão", "lamento que tenhamos utilizado a natureza como um cartão de crédito sem limites". Em um videoclipe, o poeta e rapper americano Prince Ea detalha os danos causados ao meio ambiente pelo homem, com a esperança de fazer o mundo reagir.

O vídeo, com 68 milhões de acessos em sua página no Facebook desde o final de abril, é a forma que o artista e militante de 26 anos encontrou para "comunicar a importância do problema e o que se pode fazer" para salvar o planeta. Prince Ea, cujo nome de batismo é Richard Williams, apresentou o vídeo na terça-feira em Paris no âmbito de um "dia de inovação climática", perante muitos dirigentes e especialistas.

Em seu clipe de seis minutos, Price Ea, cujo nome artístico vem de "Prince of the Earth" (príncipe da Terra na mitologia suméria), recita uma 'slam poetry' (poesia falada) em uma paisagem desértica. "Queridas gerações futuras, penso falar por todos quando digo: perdão, perdão por deixar para vocês um planeta neste estado", recitou, com uma leve música de fundo. Depois disso, ele enumera os danos causados pelo homem: contaminação, aquecimento global, perda da biodiversidade, desmatamento...

O balanço não é novo e há um ano é apontado por cientistas e ONGs. Mas poucos artistas se arriscam a abordar este tipo de tema. "Interpretar esta mensagem de forma que possa ser entendida pelo público é sempre delicado", explica Prince EA em entrevista à AFP.

"Sinto muito que tenhamos anteposto o lucro à humanidade e a cobiça às reais necessidades", diz. "Lamento que tenhamos utilizado a natureza como um cartão de crédito sem limite", diz no videoclipe.

Critica, ainda, o canal americano Fox News ("Hey Fox News, se não pensarem que as mudanças climáticas são uma ameaça, os animo a entrevistarem os milhares de sem-teto de Bangladesh") e a ex-candidata à vice-presidência dos Estados Unidos Sarah Palin, a quem critica por ter dito um dia que apreciava o cheiro dos canos de escapamento.

Dear Future Generations, Sorry.

Posted by Prince Ea on Segunda, 20 de abril de 2015


Árvores 'vivas, não mortas'
Mas seus versos são, sobretudo, um chamado a reagir: "Eu não aceito este futuro (...). Nós podemos mudar de rumo", afirma, dirigindo-se à sua geração, a de jovens com menos de 30 anos.

Prince Ea escreveu este texto durante uma viagem ao Quênia e à República Democrática do Congo (RDC), organizado pela Wildlife Works, uma empresa que busca desenvolver projetos de créditos de carbono por desmatamento.

Ele conta que esta viagem fez com que se "desse conta da importância do problema de desmatamento". "Tinha uma vaga ideia, mas não tinha avaliado a amplitude do problema em termos de perda da biodiversidade, de alimentação, de consequências econômicas", acrescentou o artista, natural de Saint Louis (Missouri).

Segundo cifras da FAO, as zonas florestais diminuíram em 5,3 milhões de hectares anuais entre 1990 e 2010. Esta diminuição contribui para o aquecimento global ao fazer desaparecer os sumidouros naturais de carbono que são as florestas.

A Wildlife Works luta contra o desmatamento aportando as populações locais incitações financeiras que fazem com que "as árvores aportem mais vivos do que mortos", afirma Price EA.

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