Projeto Mar Azul revisita repertório do movimento mineiro Clube da Esquina

As canções ganham toque da nova geração da música popular brasileira

por Adriana Izel 18/06/2015 10:40

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Thiago Britto/Divulgação
Silva é um dos artistas da nova geração que participa do projeto (foto: Thiago Britto/Divulgação)
No fim dos anos 1960, Belo Horizonte viu surgir um movimento musical que ganharia o mundo. Era o Clube da Esquina, formado primeiramente por Milton Nascimento e os irmãos Marilton, Márcio e Lô Borges. O grupo fundiu as inovações harmônicas da bossa nova com o toque do rock’n’roll internacional e, acrescido de nomes como Fernando Brant (morto no último dia 12, após complicações de uma cirurgia de transplante de fígado), Beto Guedes, Toninho Horta, Tavinho Moura e Ronaldo Bastos, tornou-se referência dentro da música popular brasileira. O encontro culminou no álbum 'Clube da Esquina', de 1972, encabeçado por Milton e Lô.

Com intuito de valorizar esse momento único cultura brasileira, os diretores Fernando Neumayer e Luís Martino resolveram criar o projeto Mar Azul, websérie com 11 vídeos que está disponível desde 8 de junho no site www.tocavideos.com.br/marazul e no YouTube. O álbum 'Mar azul — Sons de Minas Gerais Vol. 1' está nas plataformas digitais Spotify, Rdio e Deezer.

“O projeto é um tributo a compositores, instrumentistas, cantores, letristas, produtores e todo aquele universo que nasceu no Edifício Levy, em BH. Desde os meus 14 anos, me interesso por aquela parceria e os discos nos quais eles misturavam tantas coisas, como América Latina, rock progressivo e Beatles”, conta Neumayer. O diretor de Mar Azul quis resgatar essa conexão com o Clube da Esquina. “Foi natural, um dia em casa, ouvindo Beto Guedes, a ideia do projeto surgiu. Achei que podia virar uma série para internet”, ressalta.

Convidados
Para isso, ele convidou alguns artistas da música brasileira e gravou as releituras no estúdio de Milton Nascimento, no Rio de Janeiro. O projeto conta com César Lacerda, Júlia Vargas, Silva, Pedro Luís, Lucas Arruda, Dani Black, João Bittencourt e Moska.

“As músicas e os artistas foram pensados visando uma série com começo, meio e fim. A última faixa é uma versão linda de Nascente, só no piano. Queríamos cantores com diferentes olhares e ideias entre si”, complementa.

Grande parte dos artistas que regravaram as faixas são considerados parte de uma nova geração da MPB. No entanto, o diretor gosta de ressaltar que também há gente do passado no trabalho e menciona Paulinho Moska e Pedro Luís. “Fizemos questão de ter o Pedro Luís e o Moska que são artistas que deram, nos anos 1990, uma nova cara para a música brasileira. O que é mais legal é que eles dialogam diretamente com gente da nova safra, como Dani Black e César Lacerda, que também estão em Mar Azul”, explica.

Participação
O músico mineiro César Lacerda é um dos artistas que participam do projeto. O convite surgiu após o cantor trabalhar com Bruno Giorgi, coprodutor de Mar Azul. “Bruno mostrou meu disco para o Neumayer, que expôs grande interesse pelo meu trabalho. Iniciamos uma amizade ali. E, desde então, gostamos de trocar figurinhas sobre música e, naturalmente, Clube da Esquina sempre foi uma referência”, revela.

Lacerda é responsável pela abertura com a faixa Pedras rolando, do terceiro disco solo de Beto Guedes,  Sol de primavera (1979). “O Fernando me sugeriu que cantasse alguma canção do Beto Guedes. A ideia do projeto era justamente passear pelos diversos personagens do Clube, e naturalmente, ele é uma referência essencial. Conversamos sobre os discos, as canções prediletas e eu decidi reler uma pérola do lado B da discografia dele”, explica o músico.

Homenagem  a Milton
 
Paralelamente ao projeto 'Mar azul', foi lançado há alguns dias o tributo Mil Tom, idealizado pelo produtor mineiro Pedro Ferreira. Nomes da nova geração, como Vanguart, Karol Conká, Filarmônica da Pasárgada, Rashid, Pélico, Felipe Cordeiro, Thaís Gulin e A Banda Mais Bonita da Cidade, interpretam canções que marcaram a carreira do compositor, principal integrante do Clube da Esquina. A homenagem está disponível para download gratuito no site screamyell.com.br.


Duas perguntas / Fernando Neumayer

Qual é a importância  de lançar um projeto que revisita o Clube da Esquina?

Gosto de pensar que um projeto desse, além de cumprir o seu papel de reverência, tem dois caminhos: mostrar aquelas músicas dos mineiros a outras pessoas e apresentar os artistas que estão no tributo para quem não os conhece. É muito legal pensar que um fã do Silva pode, por meio do Mar Azul, descobrir a obra do Lô Borges. Ou que Canoa, canoa, que a Júlia Vargas gravou, possa ser lembrada por outros que já escutam e gostam do pessoal do Clube da Esquina. Esses caminhos que um projeto dessa natureza têm são muito interessantes e fazem o trabalho valer a pena.

Hoje é difícil encontrar movimentos como o Clube da Esquina. Por que você acha que não voltam a acontecer esses movimentos no mundo da música?
Acho que não sou saudosista nesse sentido. Aconteceu daquele jeito por inúmeros fatores que vão além da compreensão. Hoje, tem muita gente nova e boa por aí. Além dos que estão no Mar Azul, dá pra citar, por exemplo, 5 a Seco, Duda Brack e Carlos Posada, que ainda quero muito ter no projeto certo. Existe isso de olhar pra trás e ver o que passou como algo maior; é normal mas o saudosismo em excesso também pode nos prender. O Mar Azul olha para trás, mas também quer saber do agora, do novo que vem aí. A gente já quer fazer outro.

Ouça Mar azul:

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