Jônatas Reis vai compor peça musical para a Filarmônica de Minas Gerais em 2016

Músico mineiro conquistou a função ao vencer a edição de 2015 do projeto Tinta Fresca

por Walter Sebastião 16/06/2015 09:22

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Netum Lima/Divulgação
O compositor se diz eclético ao escrever canções, que vão da MPB ao jazz (foto: Netum Lima/Divulgação)
A 6ª Edição do Festival Tinta Fresca da Filarmônica de Minas Gerais coloca mais um autor em destaque: Jônatas Reis, um mineiro de Belo Horizonte, de 39 anos. Ele tem um ano para escrever peça musical que a orquestra estreia em agosto de 2016. O compositor estudou música na Escola Superior de Música José Angel Lamas, em Caracas (Venezuela), e é formado em composição pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Desde 2003, vem ganhando prêmios e tendo as composições dele apresentadas por orquestras. A comissão julgadora, formada pelos compositores João Guilherme Ripper, Oiliam Lanna e Ronaldo Miranda, concedeu prêmio para mais dois mineiros: Gabriel Penido (segundo lugar) e Felipe Vasconcelos (terceiro lugar).


Jônatas Reis tem, por enquanto, dois compromissos na agenda. No sábado, a orquestra de Florestal (MG), formada por alunos de instrumentos de sopro, estreia três peças dele: 'Circo dos bichos', 'Cenas do Apocalipse' e 'Temas e variações'. No dia 27, vai ter canções dele tocadas em casamento de um amigo, médico e integrante de banda de jazz, a pedido do próprio. “Sou eclético”, brinca Jônatas, avisando que escreve música sinfônica, MPB, jazz, faz orquestrações, editora partituras etc. “Agora, vou me concentrar no trabalho para a Filarmônica. É a primeira encomenda de uma grande orquestra”, conta. Uma peça com cerca de 20 minutos que, “por prudência”, quer que esteja pronta até maio de 2016.

O compositor ainda não decidiu se faz obra com dissonâncias, “mas sem abrir mão da melodia”, ou didática e explorando sonoridades de naipes e instrumentos da orquestra. Outra hipótese é “linha brasileira”, diálogo com o folclore, como em 'Messiânicas brasileiras nº 3: grande sertão exótico', que valeu a ele o prêmio no Tinta Fresca. “Admiro a música moderna pela liberdade que oferece. Se tivesse nascido no tempo de Mozart, teria só uma estética. E a tradição, porque amo a melodia”, afirma. É práatica dele equilibrar os dois elementos. “Tenho vontade de fazer obra diferente ou conceitual, mas não chegou a hora”, acrescenta, valorizando “contrastes”.

O artista é homem religioso, tem peças com temática religiosa (como 'Te deum', para orquestra, coro e cantores). “Sou cristão, sem rótulos. Acredito que todo dom vem do pai das luzes. A música é dádiva de Deus para os homens”, defende. “Fazer arte é transcender o mundo físico, material. As artes são capazes de levar as pessoas para outra dimensão, mais elevada. A música talvez até mais que as outras artes. ”

Jônatas não foge de temas polêmicos e critica a má qualidade da música cristã atual. “Como aconteceu com a MPB, ela caiu nas garras do mercantilismo”, observa. “As pessoas esquecem que as cantatas maravilhosas de Bach, obras-primas da música universal, eram cânticos devocionais para culto matinal de domingo”, recorda. Lembra, ainda, que um ídolo dele, Olivier Messaien (1908-1992), foi organista de catedral.

Orquestras Escrever uma composição para grupo de cerca de 80 instrumentistas e mais de 40 instrumentos, conta Jônatas Reis, é desafio. Mas a produção para orquestras vem sendo recorrente e é o eixo do trabalho dele, apesar dos pedidos de obras para grupos menores. Caminho que começou, em 2004, com 'Meditação sinfônica: onipresença', peça para orquestra de cordas, apresentada na Escola de Música da UFMG, que ganhou elogios dos professores e banca de avaliação. E continuou ao vencer, com a mesma peça, o prêmio BDMG Fundação Clóvis Salgado, no mesmo ano. Composição que foi apresentada ainda em 2006, no Ciclo Música XXI, no Rio de Janeiro, pela Petrobras Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro.

“Aumentou o número de orquestras e de boas orquestras no Brasil. Mas ainda são poucas as oportunidades de se compor para elas. Talvez um excesso de academismo faça com que fiquem presas ao repertório tradicional, seja o brasileiro ou internacional”, suspeita Jônatas Reis. Por isso mesmo, ele considera que merece todo respeito e divulgação da iniciativa da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

Biografia A música entrou na vida de Jônatas Reis quando, aos 7 anos, ganhou do pai (Ezequias Reis) um violão. “E o instrumento foi o meu educador musical até os 18 anos”, recorda o compositor, neto de Jônatas Reis, regente de coral de igreja no interior. Em 1995, o pai é enviado em missão evangelizadora a Caracas (Venezuela). Aos 18 anos, ele está na Escola de Música José Angel Lamas.

Após aprender o básico, Jônatas Reis começa a estudar piano. “Mas minha professora, Isabel Marin de Pereira, foi franca e disse para abandonar ideia de ser pianista, pois já estava velho para me iniciar no instrumento”, recorda. Ele ouviu sugestão da professora para que se dedicasse a composição. Sugestão aceita em 1997, quando o músico, de volta ao Brasil, ingressa na Escola de Música da UFMG. “Vivo hoje momento de paz com minha escolha profissional.”

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