Fabiana Cozza dedica seu quinto CD, 'Partir', a Maria Bethânia

Baiana elogia alcance vocal e bom gosto da paulistana, que faz show de lançamento do álbum neste sábado na capital mineira

por Kiko Ferreira 13/06/2015 15:08

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Divulgação
(foto: Divulgação)
Um dos momentos marcantes da Mostra Cantautores de 2014 foi quando Fabiana Cozza saiu de sua cadeira, na plateia do show de Tiganá Santana, na Funarte, para subir ao palco e (en)cantar a plateia com uma interpretação arrebatadora de um dos temas do cantautor baiano, que naquele 13 de dezembro dividiu as atenções com o português J P Simões.


Fabiana volta hoje a Belo Horizonte, desta vez para lançar seu quinto CD, Partir, uma incursão pelas sonoridades africanas da música brasileira, com generosas paradas na Bahia e em outras geografias sonoras. A primeira paragem, evocada na faixa de abertura, é justamente mineira. A cantora, que havia homenageado Clara Nunes no trabalho anterior, Canto sagrado, abre os trabalhos com Velhos de coroa, de Sérgio Pererê, reverente canto aos velhos sábios e ao congado: “Quando um negro velho chora/ faz o rio virar mar/ mas não há de haver o dia desta tristeza chegar”.


Classificada pelo mestre Nei Lopes como “dama afro-ítalo-brasileira”, a paulistana filha de um puxador de samba da escola Camisa Verde e Branco, Osvaldo dos Santos, reúne voz potente, excelente gosto para escolha de repertório e personalidade suficiente para tornar quase que sua propriedade músicas de autores variados. Como sua inspiração confessa, Maria Bethânia, que assina o texto de apresentação do disco elogiando o alcance vocal, o apuro nas notas e a caprichosa escolha dos músicos, além da “nudez dos arranjos onde a voz passeia lisa e clara”. E a dama da canção brasileira tem razão.


Gravado entre 16 e 27 de novembro do ano passado, sob cuidadosa produção do baixista, violonista, cantor e compositor Swami Jr., o CD tem como base principal as músicas dos baianos Tiganá Santana e Roberto Mendes. Do primeiro, lê Mama Kalunga, não por acaso faixa-título do mais recente e deslumbrante trabalho de Virgínia Rodrigues, e a pungente Le mali chez la carte invisible, que arrebatou a plateia da Mostra Cantautores.


Do segundo, um dos preferidos de Bethânia, cujo repertório serviu de base para um show recente, cinco temas consistentes que confirmam a versatilidade da cantora: a dançante Orixá (com Jorge Portugal), a romântica Teus olhos em mim (com Nivaldo Costa), a sensual Não pedi (também com Costa), a baianíssima Voz guia (com Portugal), com um quê do Expresso 222, de Gil, e um samba elegante como as melhores safras de Paulinho da Viola, Seu moço, com abertura delicada e segunda parte em clima de samba de roda.


Mas não é só. Tem a África de sangue latino de Borzequita (Leandro Medina), a pegada meio Cesária Évora de Entre o mangue e o mar (Alzira E e ArrudA), uma Roda de capoeira (Vicente Barreto e Paulo César Pinheiro) com jeito de Sérgio Santos e um olhar carioca no Fim da dança de Vidal Assis e Moysés Marques. E ainda a levada malemolente É do mar (Giselle de Santi) e o sotaque angolano de Chicala, de dançar a dois, entre sorrisos e requebros: “Se meu coração rebola/ meu peito já não machuca”.

 

 

PARTIR
Show de lançamento do novo CD de Fabiana Cozza. Neste sábado, às 21h. No Teatro Bradesco. Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. R$ 40 e R$ 20 (meia).



VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA