O Grivo executa trilha ao vivo para curtas de Cao Guimarães

Duo faz hoje apresentação comemorativa aos dez anos do Festival de Cinema de Ouro Preto

por Walter Sebastião 31/05/2015 09:00

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UNIVERSO PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO
(foto: UNIVERSO PRODUÇÕES/DIVULGAÇÃO)
Uma evocação aos primórdios do cinema, quando a trilha sonora dos filmes era feita ao vivo, mas valendo-se de sons e imagens contemporâneas, é a atração do cine-concerto que ocorre hoje, às 20h, no Teatro Oi Futuro. Curtas de Cao Guimarães ganham música do duo O Grivo, formado por Nelson Soares e Marcos Moreira. O evento é programação comemorativa dos 10 anos de existência do CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, cuja décima edição será realizada de 17 a 22 de junho.


A apresentação dos mineiros não é o único cine-concerto que o CineOP prevê em sua programação. O grupo francês DoubleCadence fará concerto no dia 22, em Ouro Preto, com improvisações sobre filmes dos irmãos Lumière, os inventores do cinema, assim como sobre imagens feitas por amadores e um curta do cineasta português Manoel de Oliveira (1908-2015). Os franceses repetirão a performance em Belo Horizonte, dois dias depois. No dia 25, o DoubleCadence volta a se apresentar na capital mineira, desta vez com um trabalho inédito. Para suas improvisações, O Grivo escolheu sete curtas de Cao Guimarães. São eles: Hypinosis, Peiote, Concerto para clorofila, Aula de anatomia, Gambiarras, Inquilino e Metrônomo. Obras, como observa o cineasta, não narrativas, abstratas, feitas mais para galerias de arte do que para cinema. “São microdramas, pura forma em movimento. O que cria conjunção perfeita para a integração com a música, que também é abstrata”, acrescenta. Filmes dele com o mesmo perfil foram projetados no show de Marisa Monte, a pedido dela. O cine-concerto vai ter segmento com poemas de Teodoró Rennó, apresentados pelo próprio escritor.

VIDA PRÓPRIA
“Gosto muito de ver minhas imagens ganharem outros significados em obras dos músicos. É como se o filme tivesse vida própria, cada vez que revejo, se transformou em outra coisa”, conta Cao Guimarães. A mesma sensação, diz o cineasta, ele tem quando recebe seus filmes com a trilha sonora pronta, depois de longo tempo trabalhando na edição e já cansado das imagens. “Sinto que o som deu outra camada narrativa, outro fôlego para o filme”, explica. O cineasta considera que os trabalhos do Grivo, pelo manuseio e diversidade de fontes sonoras, ao vivo, têm dimensão também de performance.

A atenção concedida pelo duo mineiro às tramas de sons, ruídos e silêncios, na opinião de Cao Guimarães, dialoga com a herança do norte-americano John Cage, “com pegada única e muito original”, que abarca desde as pesquisas estéticas da música contemporânea até a questão da construção de instrumentos, além de exploração dos objetos como fontes sonoras. “Nelson Soares e Marcos Moreira são trilhistas absolutos dos meus filmes.”

O cineasta já fez um filme (Nanofania) para uma música do duo. “São pessoas hipersensíveis auditivamente, músicos na essência do termo, que têm compreensão ampliada do que é música. Eles me ensinam a ouvir.”

Cine-concerto Sons e imagens


Filmes de Cao Guimarães e música de O Grivo. Hoje, às 20h. Teatro Oi Futuro, Avenida Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras. Entrada franca. Solicita-se que os ingressos sejam retirados 60 minutos antes do início do espetáculo.

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