Cantor e compositor Marcos Braccini faz hoje em BH concerto de lançamento de seu novo álbum

Autoral Wiara tem 10 faixas que estão disponíveis para download grátis na web

por Eduardo Tristão Girão 24/05/2015 11:30

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RAFAEL ARAÚJO/DIVULGAÇÃO
Novo trabalho de Marcos Braccini, quase todo instrumental, tem sonoridade camerística (foto: RAFAEL ARAÚJO/DIVULGAÇÃO)

A conversa com o belo-horizontino Marcos Braccini é curiosa. Os temas passam tanto pela música erudita contemporânea quanto pela cena indie da capital mineira, incluindo nomes como o do compositor polonês Witold Lutoslawski (que o inspira) e da banda de rock The Junkie Dogs (da qual é baixista). Depois de lançar um bom disco de canções no fim do ano passado, o cantor e compositor volta à cena para mostrar outro trabalho autoral, o quase todo instrumental Wiara, com sonoridade camerística e foco em diferentes formações de grupos de corda.

O concerto de lançamento será hoje à noite, na Fundação de Educação Artística, em Belo Horizonte. As 10 novas faixas estão no repertório (duas canções entre elas), além de Nas marés, música ainda não gravada e que marcará sua única aparição no palco, ao microfone. Dois fatos importantes sobre essa apresentação: os músicos que interpretarão as composições de Braccini são os mesmos que participaram do registro original, feito no palco da fundação, ao vivo, quatro anos atrás.

“As composições de Wiara foram feitas ao longo de oito anos, ao mesmo tempo em que fiz as canções de Noturno, meu disco anterior. Noturno é um disco de estúdio, com tudo gravado separadamente, enquanto em Wiara gravamos tudo junto. Noturno é canção contemporânea, Wiara é música contemporânea, a partir da minha experiência com canção. Daí eu ter percebido que podia desdobrar melodias e trabalhar com camadas de som”, explica o compositor.

A palavra wiara tem origem polonesa e significados como “crença” ou “expectativa”, segundo ele. “Tenho ligação especial com a música polonesa, além de uma namorada de lá”, conta. A palavra também serviu para batizar uma das faixas, a que considerou traduzir melhor o espírito do álbum, interpretada por sexteto de cordas. “Esse disco resume um trabalho de 10 anos com cordas, música contemporânea, de câmara e canção”, afirma. O disco pode ser baixado de graça via site www.marcosbraccini.com.

CORDAS


Entre as experiências cruciais para que o novo trabalho tomasse forma está sua participação, desde 2011, como instrumentista e compositor no grupo de música contemporânea Derivasons. “Passei a enxergar a prática da música contemporânea como algo mais palpável. Falo da interação com intérpretes, de apresentar o trabalho ao público, pois a vivência como compositor era muito abstrata. O processo de composição é solitário, nota a nota. É a interação com o intérprete que dá vida ao que foi feito. No diálogo são feitos ajustes e recriações”, diz.

Nesse contexto, o gosto pelas cordas se firmou como “uma pequena obsessão”, brinca Braccini. Ele se encantou pelos violinos, violas, violoncelos e contrabaixos, lembra, durante o curso de composição na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Não tinha tanta experiência com música instrumental e insisti nas cordas para criar uma familiaridade que, hoje, posso dizer que tenho. Acabou virando marca minha”, analisa.

Braccini acredita que a música popular e a contemporânea lhe serviram de referências para a criação das novas peças. Entre os nomes que admira estão Krzysztof Penderecki (outro polonês), Witold Lutoslavski, Villa-Lobos, Brahms e Mozart. Também está nessa lista o regente mineiro Oiliam Lanna, que foi seu professor na UFMG e atuará como regente hoje. “É uma referência muito linda”, elogia.

Também vale registrar a participação do Quarteto Taron, que participou das gravações de seus dois discos, composto por Frank Hammer (violino), Valentina Gostilovitch (violino), Katarzyna Druzd (viola) e Robson Fonseca (violoncelo). Nas canções (exceto Nas marés), assumem os vocais Rafael Martini e Leopoldina. A violoncelista Elise Pittenger é a convidada especial da noite. No palco, projeções num videocenário de Sara Lana e Aline Xavier, manipuladas ao vivo (assim como no show de Noturno).

Wiara
Concerto de lançamento do disco de Marcos Braccini. Hoje, às 20h, na Fundação de Educação Artística
(Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3226-6866.

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