Minas detém 11 das 106 indicações do 26º Prêmio da Música Brasileira

Indicada pela primeira vez a melhor cantora, Fernanda Takai está na disputa em três categorias

por Ailton Magioli 20/05/2015 08:00

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Dudi Polonis/divulgação
"Além de um elogio maravilhoso, os prêmios motivam demais a gente. Não só eu, mas toda a minha equipe, escritório de produção, fãs e família, claro!%u201D, Fernanda Takai (foto: Dudi Polonis/divulgação)
Ainda que o próprio idealizador e criador da maior e mais importante premiação do gênero não tenha como precisar, é visível o crescimento da participação de Minas Gerais no Prêmio da Música Brasileira (ex-Sharp, Caras e Tim), cuja 26ª edição está prevista para o próximo dia 10 de junho, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
“A música feita por Minas Gerais tem uma importância fundamental no cenário brasileiro”, afirma José Maurício Machline, que criou a distinção em 1987. Na opinião de Machline, “os mineiros sempre fizeram uma música diferenciada, de qualidade, com artistas inigualáveis. Trata-se de uma música de melodia e poesia muito próprias, como se fosse um sotaque. Como acontece com a música pernambucana”.

Este ano, a produção do prêmio recebeu 1.078 inscrições, entre as quais foram feitas as 106 indicações, sendo 11 para Minas Gerais.

Sobre o cenário mercadológico da música brasileira, Machiline afirma que “a indústria hoje perdeu muito do seu peso”. E exemplifica: “Primeiro, porque é muito mais barato fazer música. Se antigamente Roberto Carlos ficava três meses em Los Angeles para gravar um disco, hoje basta um computador e dois aplicativos para se fazer o mesmo em qualquer lugar. Com o advento da internet, o próprio disco físico deixou de ser necessário. Quer dizer, hoje há uma vantagem. A produção musical foi democratizada”.

Apesar do reconhecido vigor da música mineira instrumental, o destaque entre os concorrentes do estado à nova edição do Prêmio da Música Brasileira está na categoria popular. Nela, Fernanda Takai concorre triplamente – melhor álbum e projeto visual ('Na medida do impossível') e melhor cantora, categoria em que está a também mineira Carla Gomes ('O tempo sou eu').

Estão no páreo também Victor & Leo ('Viva por mim'), como melhor dupla, e Radiolaria ('Vermelho'), que concorre a melhor grupo. Vale lembrar que a dupla César Menotti & Fabiano ('Anos 80 e 90'), também na disputa, mesmo não sendo mineira de origem, vive na capital.

Outro destaque está na categoria MPB, na qual concorrem o pernambucano Alceu Valença e a Orquestra Ouro Preto, com o elogiado 'Valencianas', gravado ao vivo, no Grande Teatro do Palácio das Artes. “Conseguimos quebrar a barreira das montanhas de Minas e entrar com um produto forte no eixo Rio – São Paulo”, comemora o produtor e maestro da Orquestra Ouro Preto, Rodrigo Toffolo.

A música regional também está na disputa, com 'Devoção', álbum de Carlos Farias & Coral das Lavadeiras, e a dupla Zé Mulato & Cassiano ('Ciência matuta'), artistas mineiros que vivem em Brasília.

Embora a maioria dos indicados pertença ao eixo Rio – São Paulo, José Maurício Machline evita falar em monopólio. “Como Rio e São Paulo têm importância substancial na economia brasileira, os dois estados acabam produzindo mais”, afirma.

Mineiros comemoram indicação

Indicada pela primeira vez a melhor cantora na categoria popular, por seu segundo disco solo, 'Na medida do impossível', Fernanda Takai diz que a seleção, por si só, já é um grande reconhecimento. “Estou bem acompanhada (ela concorre com Carla Gomes e Roberta Miranda) e somos bem diferentes umas das outras. Isso é ótimo para respeitar a diversidade da música brasileira.”

Fernanda é veterana na premiação, ao lado de sua banda Pato Fu. Venceu na 21ª edição com o DVD do show 'Luz negra', gravado ao vivo. No ano seguinte, o Pato Fu levou o prêmio de melhor disco pop. “Acho que deve existir um momento de apontar artistas e produtores que tiveram êxito em seus projetos. Fico muito feliz quando me vejo como finalista de algum deles. É sinal de que o álbum alcançou muita gente. Acabamos sempre encontrando nossos colegas que vemos pouco”, diz Fernanda.

A cantora, que se considera mais pop do que popular, atribui à reconhecida diversidade da música brasileira a criação de tantas categorias (algumas que soam esquisitas, diga-se de passagem) nas premiações. “É difícil categorizar muito certinho, porque seria um sem-fim de categorias. Tem tanto segmento diferente aqui no Brasil”, avalia. Já Carla Gomes é efusiva sobre sua inclusão na disputa: “Estou numa felicidade imensa, porque são 18 anos de trabalho, e a indicação chega já no primeiro disco”.

Apesar de soar estranha para a Radiolaria, a banda de rock diz sentir-se bem com a indicação a melhor grupo popular. “O disco 'Vermelho', pelo qual fomos indicados, foi feito em trio: e aí a categoria cai bem. Apesar da estética rocker, o processo de composição é de canção, com temática do cotidiano, bem introspectivo”, diz o violonista-vocalista Felipe Xavier.

Focados na divulgação do single 'Beijo de cinema', Felipe Xavier (violão e voz principal), Felipe Barros (guitarra e vocal), Pedro Rios (teclados), Luiz Eduardo Lobo (bateria) e Wagner Costa (baixo), que formam a Radiolaria, apostam que a participação no Prêmio da Música Brasileira atrairá a atenção do público e da imprensa.

A CARA DO PRÊMIO

Rio de Janeiro (36) e São Paulo (20) são os estados com o maior número de indicados ao 26º Prêmio da Música Brasileira, seguidos da Bahia e Minas (11 cada um), de  Pernambuco (nove). A categoria revelação teve 170 artistas pré-selecionados, enquanto a pop/rock/reggae/hip-hop/funk contabilizou 145, seguida de MPB (86) e instrumental (73).  Mônica Salmaso é a recordista de indicações (melhor cantora, disco, arranjo e canção), seguida por Fernanda Takai, o grupo baiano As Ganhadeiras de Itapuã, Hamilton de Holanda, Ney Matogrosso e Gilberto Gil, com três indicações cada um. A homenageada será  Maria Bethânia.

PARTICIPAÇÃO DE MG
Confira as indicações do estado

MPB
Melhor álbum
Valencianas, de Alceu Valença & Orquestra Ouro Preto – Ao Vivo

POPULAR
Melhor álbum
Na medida do impossível, de Fernanda Takai
Melhor dupla
Victor & Leo (Viva por mim)
Melhor grupo
Radiolaria (Vermelho)
Melhor cantora
Fernanda Takai (Na medida do impossível)
Carla Gomes (O tempo sou eu)
Melhor projeto visual
Na medida do impossível, de Fernanda Takai

POP/ROCK/REGGAE/HIP-HOP/FUNK
Melhor grupo
Skank

REGIONAL
Melhor álbum
Devoção, de Carlos Farias & Coral de Lavadeiras
Melhor dupla
Zé Mulato & Cassiano (Ciência matuta)
Melhor grupo
Carlos Farias & Coral das Lavadeiras (Devoção)

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