Musical 'Ópera do malandro' ganha releitura dirigida por João Falcão

Montagem do clássico de Chico Buarque chega a BH neste fim de semana. Capital recebe também montagem que homenageia Luiz Gonzaga

por Carolina Braga 15/05/2015 09:20

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Sarau Agência/divulgação
Moyseis Marques, de terno branco como todo bom malandro, à frente do elenco da peça dirigida por João Falcão (foto: Sarau Agência/divulgação)
“É uma coisa que as pessoas têm na memória.” Assim o diretor João Falcão define o desafio de remontar um clássico de Chico Buarque. O musical 'Ópera do malandro', que chega a Belo Horizonte no fim de semana, é outra das bem-sucedidas empreitadas teatrais dele. E a prova de que Falcão embarcou no gênero pra valer.

Será uma temporada dupla no palco do Sesc Palladium: amanhã e domingo, primeiro tem repeteco na cidade de 'Gonzagão – a lenda'; na sequência, o mesmo elenco encena Ópera do malandro, inédita por aqui, que inicia hoje sua minitemporada na capital. “É um desenvolvimento. Há elementos que estão em um e no outro também, mas de maneira diferente”, explica Falcão.

'Gonzagão, a lenda' estreou em 2012 e atraiu 100 mil pessoas a teatros de vários estados. O elenco foi totalmente selecionado por teste. A sintonia de Adren Alves, Alfredo Del-Penho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Larissa Luz, Renato Luciano e Ricca Barros funcionou de tal maneira que motivou a continuação da pesquisa e da parceria.  Foi assim que nasceu a releitura de 'Ópera do malandro'. A eles, se somaram o sambista Moyseis Marques, como o protagonista Max Overseas, além de Bruce de Araújo, Eduardo Landim, Rafael Cavalcanti e Thomas Aquino.

Com elenco majoritariamente masculino – a única atriz é Larissa Luz –, Falcão fez dessa situação uma opção estética. “Achei que poderia tirar partido disso. As personagens femininas são muito icônicas. Tem sentido acrescentar algo ali, em vez de só tirar onda”, garante.

SILVANA MARQUES/DIVULGAÇÃO
Marcelo Mimoso, como Luiz Gonzaga (foto: SILVANA MARQUES/DIVULGAÇÃO)
Como ocorreu no primeiro espetáculo, há na montagem do clássico de Chico Buarque destaque para a pesquisa do teatro popular com tintas do distanciamento pregado por Bertolt Brecht, fonte de inspiração com sua 'Ópera dos três vinténs' (1928).

São duas horas e meia de espetáculo. Como Falcão e Chico Buarque são amigos da época em que o diretor levou para o palco o musical Cambaio (2001), ele teve carta branca. Ao repertório tradicional, João acrescentou canções do álbum Malandro e do filme dirigido por Ruy Guerra e lançado em 1985.

Em meio à sucessão de clássicos ('Folhetim', 'Teresinha', 'O meu amor', 'Geni e o zepelim' e 'Pedaço de mim'), é narrada a história secreta do contrabandista Max Overseas com Teresinha, filha de Duran, poderoso dono de bordéis e cabarés da Lapa carioca. Entre as novidades, estão as canções 'Sentimental', 'Hino da repressão' e 'Uma canção desnaturada'.

“Chico deu liberdade para usarmos canções que não foram feitas para a peça. Algumas cenas foram reescritas, adaptadas para que essas músicas entrassem. O trabalho tem uma atualidade muito significativa. O segundo ato, por exemplo, é praticamente uma manifestação de rua”, comenta João, que dividiu a dramaturgia com Adriana Falcão.

'Ópera do malandro' estreou no Rio de Janeiro em 2014. A montagem recebeu indicações ao Prêmio Shell de Teatro (melhor figurino) e ao 9º Prêmio APTR (produção).

'ÓPERA DO MALANDRO'
Sexta e sábado, às 21h, domingo, às 20h. Grande Teatro Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3214-5350. Plateia 1: R$ 70 (inteira). Plateia 2: R$ 60 (inteira). Plateia 3: R$ 50 (inteira).

'GONZAGÃO, A LENDA'
Sábado, às 17h, e domingo, às 16h. Grande Teatro Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3214-5350. Plateia 1: R$ 60 (inteira). Plateia 2: R$50 (inteira). Plateia 3: R$ 40 (inteira).

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