Silvério Pessoa explora multiplicidade de Jackson do Pandeiro em disco

Sem guitarra e bateria, cantor e compositor pernambucano reúne em álbum pérolas do paraibano

por Ailton Magioli 12/05/2015 08:15

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Ivanildo Machado/Divulgação
(foto: Ivanildo Machado/Divulgação)
“É tudo muito dentro da epistemologia das contradições”, explica Silvério Pessoa, de maneira peculiar, ao falar de seu novo disco dedicado à obra de Jackson do Pandeiro (1919-1982). O repertório vai do contemporâneo à tradição com a naturalidade de quem veio do mangue beat.


Oitavo trabalho solo do pernambucano, Cabeça feita – Silvério Pessoa canta Jackson do Pandeiro é produto de um projeto de cinco anos. Com o propósito de ressignificar a tradição, o músico foi fiel à sonoridade e à estética do cantor e compositor paraibano, evitando usar guitarra e bateria. “É um disco cru”, acrescenta Silvério, que conta ter gravado Cabeça feita... “a pau, corda e aço” – com direito a todos os erres de Jackson.

De cerca de 800 canções gravadas pelo paraibano, o cantor diz ter pescado 50 para chegar às 15 faixas do CD, com direito a três pot-pourris, que acabaram aumentando o repertório para 22 canções. A escolha foi feita em parceria com o sociólogo pernambucano José Manoel de Lemos Pereira, um dos pesquisadores da obra do autor. Silvério canta Jackson desde a banda Cascabulho, com a qual iniciou sua carreira nos anos 1990.

Produzido em parceria com Renato Bandeira, da Spok Frevo Orquestra, o repertório vai do forró ao samba, passando inevitavelmente por coco e xote. Silvério visita a obra do paraibano sem a intenção de modernizá-la, reinterpretá-la ou recriá-la. Também evitou se limitar aos clássicos. O resultado é Jackson do Pandeiro tal e qual ele é. “Não posso classificá-lo como o rei do ritmo ou forrozeiro. Ele era tudo, tricotou ritmos de forma inigualável”, explica o cantor pernambucano, lembrando que o homenageado fez tudo muito benfeito: baião, samba, xote, fox-trote e boogie-woogie.

“Jackson não era só um forrozeirão, mas um criador, um cara que somou no catálogo da música brasileira ao lado de Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Chico Buarque Gilberto Gil”, defende Silvério, lembrando que o cantor-compositor paraibano fez frevos com orquestra de metais – vertente praticamente desconhecida da discografia brasileira. Ele não conheceu Jackson pessoalmente, mas teve a oportunidade de experimentar o que classifica de “convivência fraterna” com a viúva do artista, Almira Castilho.

Silvério conheceu também o alagoano Jacinto Silva (um dos aprendizes do mestre), que homenageou no disco Bate o mancá (2001). Em 2003, o pernambucano dedicou o álbum Micróbio do frevo (2003) a Jackson. Os shows de lançamento de Cabeça feita... serão realizados entre este mês e junho, depois que ele retornar da Itália, onde conclui doutorado de música religiosa.

Silvério diz que, para cantar Jackson, é fundamental conhecer a obra do mestre. “O perigo é calcificar o olhar só no forró e no coco”, adverte, salientando que tentou – e não conseguiu – fazer um apanhado da rítmica de Jackson. Aliás, não foi por acaso que ele se tornou conhecido como o rei do ritmo.

Cabeça feita, Coco social, A ordem é sambar, Penerou gavião, Mãe Maria, Quadro negro, Mané Gardino, Coração bateu, Balançaram a roseira, Casaca de couro e Boa noite são algumas das pérolas do CD.

NA REDE

Disponibilizado na loja on-line do selo Passadisco (www.passadisco.com.br), 'Cabeça feita..'. pode também ser encontrado no iTunes. Algumas faixas estão disponibilizadas para audição no soundcloud.com/spessoa.

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