Maria Bethânia mostra que está atenta para o que o futuro lhe oferece

Baiana se apresentou em Belo Horizonte com espetáculo que comemora seus 50 anos de carreira

por Mariana Peixoto 11/05/2015 09:32

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Bethânia emocionou a plateia do Palácio das Artes em vários momentos de sua apresentação (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
“Em mim o eterno é música e amor.” O verso de Caetano Veloso, o “irmão mais próximo”, é como uma carta de intenções de Maria Bethânia para celebrar seus 50 anos de carreira. 'Abraçar e agradecer', em cartaz sexta-feira e sábado em um Palácio das Artes reverente, por mais de uma vez muito próximo do êxtase, reconta as cinco décadas de Bethânia a partir da estreia no show 'Opinião', no Rio de Janeiro de 1965.

Mas não há nada de passadista no show, erro em que incorrem muitas vezes artistas que chegam a tal ponto da carreira. É uma celebração com um tom histórico muito forte, mas também com um olhar para o que o futuro pode reservar. A partir de 'Eterno em mim', Bethânia, ao longo de quase duas horas, desfiou um repertório, em seleção feita por ela, de quatro dezenas de canções. Não há como desperdiçar o tempo, é o que o formato parece dizer.

As músicas são executadas uma seguida da outra, sem pausa. Por vezes há apenas um trecho de canção, deixando nenhum espaço para improviso ou mudanças no roteiro (exatamente o mesmo nas duas apresentações em BH). Em dois atos, divididos por um interlúdio instrumental executado pelo septeto regido pelo baixista Jorge Helder, há ainda poemas de Fernando Pessoa e Clarice Lispector. Em texto de próprio punho, Bethânia ainda tece seus agradecimentos.

Na parte cenográfica, 'Abraçar e agradecer' é pura ousadia. Assinada por Bia Lessa, também diretora do show, coloca a banda em meia luz, contornando um tablado de LED que ganha vídeos que traduzem as letras das canções. A perspectiva muda de acordo com o lugar na plateia: os da frente não perdem um detalhe de cada interpretação; os de trás e do alto têm uma visão completa dos efeitos. A marcação de luz, sempre em cima da cantora, serve como uma moldura.

Mas é a música que alinhava toda a história. São várias as Bethânias em cena. A cantora do mar ('Eu e água', 'Abraçar e agradecer'), a mulher do interior ('Eu, a viola e Deus', 'Criação'), aquela que canta seu povo ('Xavante', 'Povos do Brasil') e a que sempre teve a religião a seu lado ('Oração de Mãe Menininha'). Canta seus compositores da vida inteira: Caetano, Chico Buarque, Gonzaguinha, Dorival Caymmi. Traz inéditas ao repertório, caso de 'Viver na fazenda' e 'Voz de mágoa', ambas de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, além de Silêncio, de Flávia Wenceslau.

Bethânia ainda toma para si canções consagradas. 'Gita' aparece num andamento muito mais rápido do que a gravação antológica de Raul Seixas. 'Alegria', de Arnaldo Antunes, vira quase um samba-reggae. A veia romântica aparece em outra inédita, Eu te desejo amor, versão de Nelson Motta para 'Que reste-t-il de nos amours?', antiga canção do repertório do francês Charles Tenet. Ela dá sequência ao momento maior de diva quando interpreta 'Non, je ne regrette rien' de uma maneira absolutamente Bethânia.

É ao som de Gonzaguinha, com 'O que é o que é', uma escolha fácil e leve depois de tantas idas e vindas, que se dá o encontro de Bethânia com a plateia. Um encontro, de ambas as partes, amoroso, agradecido e emotivo.

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