Pélico faz grande mistura e se sai bem com melancolia romântica

Cantor paulistano lança 'Euforia', terceiro disco oficial recheado de participações especiais

por Kiko Ferreira 09/05/2015 14:00

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Theo Craveiro/Divulgação
(foto: Theo Craveiro/Divulgação)

Misture romantismo da geração cult paulistana com um pé no iê-iê-iê, pop oitentista revisitado, doses de melancolia e euforia alternadas com uma produção cuidadosa, mais letras pessoais e diretas como mensagens de Facebook e teremos 'Euforia', terceiro disco oficial do cantor e compositor Pélico. Sucessor dos elogiados 'O último dia homem de um homem sem juízo' (2008) e 'Que isso fique entre nós' (2011) e do renegado 'Melodrama' (2003), o álbum, de 14 faixas, tem produção bem resolvida de Jesus Sanchez, arte de capa do cantor e compositor gaúcho Filippe Catto e fotos do consagrado Bob Wolfenson. O disco começa com Sobrenatural, pop romântico que não faria feio em trilhas de filmes praieiros como 'Garota dourada' e 'Menino do Rio' ou num LP de início de carreira de Guilherme Arantes.

Meio setentista, com flauta à la Jethro Tull, Olha só soa utópica, sobre representante da geração da solidão dobrando a esquina e esquecendo “aqueles que nos fizeram mal”. Já a dançante Sozinhar-me faz ponte SP-Moçambique, via Salvador, e remete ao saudoso Obina Shok antes da confessional Escrevo, com pegada e letra de MPB de festival: “Escrevo para suportar teu silêncio”.

Mais pop oitentista vem com 'Overdose', meio 'Radiotáxi', seguido do objeto mais estranho ao clima do CD, o samba (pagode?) 'Você pensa que me engana'. Chegamos à metade, com a ensolarada 'Meu amor mora no Rio' e a pegada latina de 'Ela me dá', que deságua na balada 'Vaidoso', bem resolvida em sua econômica simplicidade. Fãs de Marcelo Jeneci podem se deliciar. Entre ela e 'Meu amigo Zé', homenagem a Tom Zé em que o único instrumento é o sofisticado violoncelo de Dimas Goudaroulis, fica a faixa-título, mais um pop dançante, like a Lulu Santos. 'Repousar', já registrada por Toni Ferreira em seu primeiro disco, ganha ares cult com as participações das vozes de Letícia Spiller e Caru Ricardo. O repertório termina com 'Calado', tema intimista e meio psicodélico, que trata do abismo das horas e do infinito das cores. Mas o disco termina mesmo com uma versão acústica de 'Euforia' que faz pensar que Pélico é melhor na melancolia romântica do que na alegria dançante. Soa mais sério, inspirado, consequente.

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