Sérgio Pererê, Marcus Viana e o senegalês Zal Sissokho lançam 'Famalé'

Trio se apresenta no Sesc Palladium neste sábado, 9

por Ailton Magioli 08/05/2015 09:22

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Daniel Ferreira/Café Pingado Filmes/Divulgação
(foto: Daniel Ferreira/Café Pingado Filmes/Divulgação)
Ao convidar Sérgio Pererê para assumir o posto de cantor solista do grupo Sagrado Coração da Terra, Marcus Viana acredita ter aberto uma via de mão dupla, tanto para ele quanto para o novo companheiro de trabalho. “Em uma dessas trocas que  passamos a experimentar, acabei tendo acesso ao pessoal do movimento negro de Belo Horizonte, que culminaria na  gravação de Famalé”, diz, a respeito do disco que eles lançam neste sábado, 9, no Grande Teatro do Sesc Palladium, com a  participação do músico e griot senegalês Zal Sissokho. Griots são  cantores e contadores de história de muitos povos  africanos.


Segundo Viana, a participação no CD, dividido pelos três, vai além do que, a princípio, poderia ser visto como um evento multiétnico e/ou de world music. “Com Famalé, eu descobri que são várias as Áfricas que o Brasil desconhece”, reconhece o músico mineiro, atribuindo à presença da kora – uma harpa-alaúde, amplamente utilizada na África ocidental – o diferencial do trabalho, que traz à tona um continente harmônico, que vai de encontro à harmonia do barroco mineiro.

”O tempo e a melodia do afromandinga, que eu represento, são muito próximos do tempo e da melodia do afrobrasileiro”, esclarece Sissokho, em um português de carregado de sotaque senegalês. Segundo o músico africano, o que ele mais admira na música brasileira é a variedade de ritmos. Anteriormente, o único movimento de Marcos Viana em direção à música negra ocorreu em 2006, quando montou, ao lado do percussionista Djalma Corrêa, o show Oceano da criação para o Festival de Montreaux, na Suíça, que acabou não acontecendo.

ENCONTRO De acordo com Sergio Pererê, Famalé surgiu despretensiosamente da relação dele com o senegalês Zal Sissokho, durante show que fizéram no Rio. “Quando o convidei para ficar mais no Brasil, Zal disse que só aceitaria se fizessemos um disco juntos, promovendo o diálogo da música dele com a minha”, recorda o cantor. “A certa altura, já com o repertório sendo construído, ele me disse que gostaria de contar com um violino em uma faixa”, acrescenta Pererê que, imediatamente, lembrou-se de convidar Marcus Viana para o disco.

Durante três dias, eles trabalharam conjuntamente no estúdio Sonhos & Sons, de Viana, em Belo Horizonte, onde, além do indefectível violino, o músico mineiro também tocou violoncelo, rabeca e teclados. Entretanto, tanto Viana quanto Sergio Pererê atribuem à kora o protagonismo de Famalé, onde ainda convivem os mandingas, povo mágico da região do Senegal em meio do qual surgiriam o griots.

Entre as curiosidades do disco, estão um samba cantado em wolof, a língua falada no Senegal, e o encontro da kora com o xote, que, segundo Viana, deu em um verdadeiro forró (Afrorró). Completam o repertório do CD, Noite das águas, Yalla, Eu vou lá, João e José, La parole du griot, Lamento dos povos esquecidos, Brica-Bara, Filho de Ode, Tama, Geny, Nadiara, Famalé e África minha África, cuja autoria é dividida entre os três, com direito à participação de Ibrahima Gaye, cônsul-honorário do Senegal em Belo Horizonte, onde comanda a Casa África.

FAMALÉ
Sábado, 9 de maio, às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Ingressos – R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). Classificação livre. Informações: (31) 3214-5350. O CD, dos selos Teranga Music e Sonhos & Sons, será vendido no local a R$ 25.

 

Assista ao clipe da música Yalla:

 

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