Moraes Moreira e Davi Moraes comemoram a convivência em novo disco

Pai e filho retomam a união familiar no disco 'Nossa parceria'

por Irlan Rocha 30/04/2015 09:49

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Marcos Hermes/Divulgação
(foto: Marcos Hermes/Divulgação)
Moraes Moreira e Davi Moraes estão celebrando uma intimidade musical e afetiva estabelecida há bastante tempo. Em junho de 1973, mais especificamente, Davi nasceu. Entre emocionado e orgulhoso, o pai lembra que, quando o filho tinha menos de um ano idade, deitado num carrinho de bebê, ficava ouvindo os ensaios dos Novos Baianos, no Cantinho do Vovô, o mítico sítio em Jacarepaguá (Rio de Janeiro), uma espécie de comunidade hippie.

“Havíamos acabado de lançar 'Acabou chorare' e ensaiávamos para sair pelo país com a nossa primeira turnê. Ali próximo, Davi dava sinais de que estava gostando do que ouvia, pois, apesar do barulho, não chorava”, recorda-se Moraes. “Aos 3 anos, um depois de eu ter deixado o grupo, ele já demonstrava aptidão para a música. O seu brinquedo preferido era um violãozinho de plástico, com o qual, nos meus shows, ficava imitando Armandinho (Macedo), que tocava bandolim e guitarra na banda”, acrescenta.

Outra passagem relacionada ao filho — ainda na infância — é destacada por Moraes. “Quando Davi tinha entre entre 5 e 6 anos comprei um cavaquinho para ele, que, para minha surpresa, não demorou para tirar Brasileirinho (Waldir Azevedo) do pequeno instrumento. Naquela época, compus o choro Davilicença inspirado no fato de vê-lo pedir licença para as pessoas, usando o nome antes.”

Aos 8 anos, Davi já participava de shows do pai; e no início da adolescência passou a fazer parte da banda. “Foi quando botei o pé na estrada com Pepeu (Gomes) e o Davi passou a nos acompanhar. Viajamos por quase todo o país e fizemos muitos shows, inclusive em Brasília. Fomos, também, ao Japão. A partir dali, ele tocou guitarra em praticamente todos os meus discos e apresentações”.

Colegas de ofício

Desde então, os dois superaram a cerimoniosa relação de pai e filho e, lado a lado, na estrada, nos palcos e nos estúdios, se tornaram colegas de ofício. Isso ganhou contornos ainda mais concretos no Nossa parceria, disco que pai e filho estão lançando. “É um álbum que estava pré-gravado em nossas cabeças e se permitiu ser feito”, diz Moraes. Na verdade, no repertório, os dois são parceiros em apenas três músicas, os temas instrumentais 'Seu Chico', 'Chorinho de Noé' e 'Quando acaba o carnaval'. Mas nas demais é tão grande a afinidade entre eles, que não há como dissociá-los, até porque se mantêm em permanente diálogo.

Embora nas 10 faixas haja prevalência de sambas, o Nossas parcerias é um estuário para outros gêneros. Há frevo, chorinho, bossa nova, canção e a profusão de ritmos afro-baianos e até a modernidade pop. A abertura do repertório é com Bossa capoeira, do mestre Batatinha, na qual os dois dividem a interpretação. Em versos de cordel que são inseridos, Moraes homenageia a figura icônica da música soteropolitana, a quem chama de “o Cartola baiano”.

Nossa parceria
CD de Moraes Moreira e Davi Moraes, com 10 faixas. Lançamento do selo Deck, com o apoio da Petrobras. Preço médio: R$ 28,90.

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