Português António Zambujo lança disco 'Rua da emenda'

Cantor aproveita passagem pelo Brasil para preparar mais um disco, inspirado em Chico Buarque

por Eduardo Tristão Girão 28/04/2015 08:55

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RITA CARMO/DIVULGAÇÃO
O músico António Zambujo, que canta em francês e espanhol (além do português) temouruguaio Jorge Drexler como parceiro no novo disco (foto: RITA CARMO/DIVULGAÇÃO)
É bem provável que o desavisado pense no fado ao dar de cara com o novo disco do português António Zambujo. Não tem muito jeito: ao ouvir o sotaque, essa remissão é quase automática. De fato, o cantor e compositor é um dos responsáveis pela renovação do gênero, mas as 15 faixas do recém-lançado 'Rua da emenda', dão mostras de que ele anda de olho em outras praias. A começar pelo Brasil: começou a frequentar o país em 2008 e hoje tem amigos e público aqui, além de gravar compositores locais.

Semana passada, ele esteve no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Porto Alegre, onde fez shows para divulgar o repertório inédito. Sábado, chegará a Tóquio, no Japão, para uma série de três apresentações. Até o fim do ano, a agenda inclui compromissos na França, Hungria, Alemanha e Suíça, além de cidades portuguesas. Nesse último álbum, ele canta não só em português, mas também em francês e em espanhol.

Sua mira é longa e isso se reflete também na escolha do repertório. Além dos lusos que costumam colaborar com ele, como Miguel Araújo (autor de 'Pica do sete', uma das apostas do disco, inclusive já com clipe), João Monge, Maria do Rosário Pedreira e Pedro da Silva Martins, estão lá o uruguaio Jorge Drexler ('Zamba del olvido') e os brasileiros Rodrigo Maranhão e Pedro Luís (que dividem a autoria de 'Valsa lisérgica').

Nesse sentido, é preciso destacar, ainda, a colaboração com o escritor angolano José Eduardo Agualusa ('Canção de Brazzaville', na qual solos de sopros tiram o ambiente da guitarra portuguesa do lugar-comum) e as regravações do francês Serge Gainsbourg ('La chanson de Prévert') e de Noel Rosa (Último desejo), cujos versos de dor de cotovelo ganharam andamento fadístico – gênero musical que, tradicionalmente, também trata das dores humanas.

O disco caminha assim, com fados (e não só eles, há também valsas) que soam diferentes, de acabamento contemporâneo e à espera de supreender o ouvinte que ainda não se conectou à música que Zambujo (a caminho dos 40 anos, em setembro) e outros artistas de sua geração andam produzindo em Portugal. No caso dele, faz isso com formação enxuta, basicamente guitarra portuguesa, violão e baixo. Ocasionalmente, um cavaquinho, acordeom ou clarinete vem conferir algum colorido específico.

CHICO “Sempre gostei da música brasileira, mas, à medida que fui visitando o país e tocando aqui, a aproximação cresceu e as parcerias também. A cumplicidade profissional e pessoal cresceu. Em relação às plateias, todo público tem sua característica. Se num país como Portugal é diferente, imagine num continente como o Brasil, onde faz diferença de cidade para cidade”, diz Zambujo.

O português aproveitou a passagem pelo Rio de Janeiro para iniciar as gravações de um de seus próximos discos, dedicado exclusivamente à música de Chico Buarque. “Fiz uma pré-seleção das canções, é um disco para fazer devagar. Quero que fique pronto no fim do ano. Preferi gravá-lo inteiro aqui e, em junho, voltarei para continuar esse trabalho”, revela. A produção é do violonista Marcello Gonçalves, do Trio Madeira, que tocará no disco.
 
Ouça 'Pica do 7', de António Zambujo:
 
 

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