Bares de BH que investiram no caraoquê contam com clientela cativa

Febre nos 1990, aparelho ainda faz muito sucesso em Belo Horizonte. Despreocupadas se cantam bem ou mal, as pessoas querem é relaxar e se divertir

por Ana Clara Brant 24/04/2015 08:00

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Marcos Vieira/EM/D.A Press
Fã de música brasileira, todas as sextas-feiras o servidor público Jéfferson Romanelli vai ao Bar Casantiga soltar a voz (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
A tela anuncia: ‘Aqui, o artista é você’. A febre que invadiu o Brasil no fim dos anos 1990 vinda diretamente do Japão ainda resiste bravamente, o caraoquê. Em Belo Horizonte, há pelo menos quatro locais que funcionam regularmente, dando a oportunidade não só de as pessoas se sentirem como cantores profissionais, mas, sobretudo, de se integrar e se animar.


“É um clima completamente diferente do bar tradicional. Não tem estresse, briga. Quando começa a cantoria, as pessoas aplaudem umas às outras, viram amigas de infância. Sem falar que não importa se fulano canta bem ou mal. O importante é se divertir”, destaca Cácia Rosemberg, proprietária do Bar da Cácia, na Rua Rio de Janeiro, no Centro da capital, que há três anos resolveu apostar no videoquê.

A comerciante conta que está no ramo há mais de duas décadas e sempre quis inovar. Primeiro tinha jukebox, depois decidiu investir em música ao vivo e mais, recentemente, optou pelo caraoquê. “Como gosto muito do público jovem, achei que era uma boa ideia. Colocamos até palco para que o pessoal se sinta como um verdadeiro artista mesmo. As músicas mais cantadas aqui são 'Evidências' (Chitãozinho e Xororó), 'Exagerado' (Cazuza) e 'Abandonada' (Fafá de Belém)”, anuncia.

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Locais são, geralmente, intimistas. Lincoln Juarez, com o microfone na mão, não se acanha e canta em outros idiomas (foto: Marcos Vieira/EM/D.A PRESS )
Vizinho dali e adepto da moda japonesa há mais tempo, o Casantiga foi um dos pioneiros da cidade nessa onda. O dono do estabelecimento, João Abib, lembra quando o espaço era apenas um restaurante e duas clientes de São Paulo comentaram sobre a ideia do caraoquê. “Isso era 1997. Muito antes de começar toda aquela onda em BH, quando apareceram vários bares. Nunca tinha ouvido falar naquilo e decidi implantar a novidade. Uma televisão, um microfone e uma memória de 300 músicas”, recorda-se. No primeiro dia, João diz que ninguém quis experimentar. Aliás, nos seis meses seguintes foi assim.

“Só eu cantava, para mostrar que era supertranquilo. As pessoas ficavam receosas. Mas depois que pegou, foi um sucesso e é assim até hoje. Tanto que estamos aqui 18 anos depois. Acho que o que atrai é que a pessoa que vem cantar se sente um artista. Hoje temos um cardápio de 7.400 canções de todo tipo. Nunca caiu o movimento. Nesses anos todos, sempre foi bom. Público pra videoquê BH sempre teve e terá”, frisa.

Há muitos frequentadores do Casantiga que costumam ir toda semana. É o caso do servidor público Jéfferson Romanelli, de 45 anos, que admite gastar por noite no estabelecimento mais com música do que com cerveja, já que lá se cobram para cantar R$ 3,20. Pelo menos uma vez por semana, de preferência às sextas-feiras, ele sai do trabalho e vai soltar a voz no videoquê. Jefférson, que canta e toca teclado, sempre sonhou em ter a própria banda, e como ainda não conseguiu realizar a façanha, por enquanto se contenta com o caraoquê. “O meu negócio nem é o videoquê. É cantar mesmo. Isso que é o bacana. Ainda quero muito me tornar cantor profissional”, avisa.

No lado oposto do bar, outro que bate ponto no local é o também funcionário público Lincoln Juarez, que preferiu não revelar a idade, e é irmão de Jéfferson. “Cada um prefere ficar na sua própria mesa para ter sua privacidade, manter seu espaço”, justifica. Enquanto Jéfferson é mais fã de música brasileira, o repertório de Lincoln privilegia canções internacionais. Não pode faltar 'It will rain', de Bruno Mars, por exemplo. “É uma composição que fala do relacionamento construtivo entre um homem e uma mulher. O que acho mais interessante são as mensagens que essas músicas passam. Por isso gosto de vir aqui cantar, seja em português, em inglês ou italiano”, diz.

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Cácia Rosemberg investiu em jukebox, depois na música ao vivo e, mais recentemente, no caraoquê (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)


Pagode, samba e sertanejo

 

Um caraoquê bem tradicional de Belo Horizonte é o do Restaurante O beco. A gerente Raíssa Batista Macedo conta que há 15 anos o lugar implantou a novidade e que durante um intervalo de três meses resolveu apostar na música ao vivo. “Acabou não dando certo. Os clientes reclamaram e a gente voltou com o caraoquê”, informa. Ela acrescenta que o que predomina no set list é o pagode, o samba e o sertanejo. Boa parte do seu público é formada por gente na faixa dos 25 aos 40 anos e que trabalha no Centro. “O pessoal sai do serviço aqui perto mesmo, vem tomar uma cervejinha e vem cantar. Afinal, é como diz o ditado: ‘Quem canta, seus males espanta’. A gente nem pensa em tirar o caraoquê porque é o que faz sucesso mesmo”, pontua.

Karaoquente A dDuck também decidiu apostar na onda do caroquê e há três anos criou uma festa que é uma das mais concorridas da casa noturna, localizada na Savassi. “A gente estava sem um evento nas noites de quinta e foi então que meu sócio pensou nessa coisa do caraoquê. É uma festa normal, que intercala DJ com o caraoquê. O interessante é que quando começamos, ela não emplacou e não esperávamos que fosse fazer tanto sucesso. Tanto que dura até hoje. Nessa noite, tocamos de tudo, inclusive, no cardápio de músicas, tem até indie”, afirma Túlio Borges, um dos sócios da dDuck.

A ex-BBB Analice Souza, de 29 anos, que é proprietária de um bar, assim que deixa o trabalho costuma dar uma passada no caraoquê da dDuck ou do Bar da Cácia, pelo menos uma vez por semana. Ela revela que se seu estabelecimento tivesse tratamento acústico, até instalaria um videoquê, de tanto que gosta da brincadeira. “Amo videoquê. É uma das melhores maneiras de se divertir. Até já tive o aparelho em casa. É um programa ótimo para reunir os amigos, porque ninguém leva a sério se você canta bem ou mal”, acredita.

O estudante de medicina Pedro Ino é outro que também frequenta a dDuck e o Bar da Cácia. Já ocorreu até de numa mesma semana, ele ir nos dois lugares, de tanto que gosta de cantar. “Na dDuck, o bacana é que você une balada com caraoquê, e na Cácia é um barzinho com o caraoquê, então tem pra todos os gostos. Como sempre tem um público fiel, acho que essa moda pode até diminuir, porém, nunca vai acabar”, opina.


Serviço

>> Casantiga (Rua Rio de Janeiro,1.425, Lourdes, (31) 3224-4485).
De terça a sábado, das 18h até o último cliente. R$ 3,20 (cada música).

>> Bar da Cácia (Rua Rio de Janeiro, 1.411, Lourdes, (31) 3222-3260).
De terça a domingo, das 20h até o último cliente. R$ 2,50 (cada música).

>> Dduck Club (Rua Pernambuco, 1.316, Savassi, (31) 3267-8472). Festa Karaoquente,
todas as quintas-feiras, a partir das 23h30. Mulher não paga. Homens: R$ 20, revertidos
em consumo até 0h30. Após essa hora, R$ 15 de entrada. Após 1h, sob consulta.

>> Restaurante O beco (Rua dos Tamóios, 232, Centro, 2º andar, (31) 3272-1489).
Caraoquê: de terça a sábado, a partir das 19h. R$ 2,50 (cada música).

 

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