Kiss retorna a Belo Horizonte 32 anos depois de passagem desastrosa pela capital

Público que for ao Mineirinho receberá panfletos de ONG contra bullying apoiada por Paul Stanley

por Mariana Peixoto 23/04/2015 07:30

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Facebook / Reprodução
(foto: Facebook / Reprodução)
Quatro marmanjos maquiados, fantasiados, com botas de saltos que podem causar vertigem. Não dá para levar a sério. Ou dá? Aos longo de 42 anos, o Kiss tornou-se uma máquina de fazer dinheiro. A música é o ponto de partida e também o mais importante. Mas é só um dos elementos que arrebanham, há quatro décadas, fãs (a chamada Kiss Army) em todo o mundo.

Para além dela, há HQs, filmes, livros, programas de TV e toda a sorte de produtos que a cultura pop pode produzir. Não por acaso, Gene Simmons autografa sábado, em São Paulo, o livro 'Eu, S.A. – Construa um exército de um homem só, liberte seu deus interior (do rock) e vença na vida e nos negócios'.

São os shows, sempre superproduções cheias de pirotecnia, quase um parque de diversão roqueiro, o que ainda confere relevância ao Kiss. Trinta e dois anos após fazer história em BH, numa apresentação em que (quase) tudo deu errado, The Fairchildita (Paul Stanley, voz e guitarra-base), The Demon (Simmons, voz e baixo), Space Man (Tommy Thayer, guitarra solo) e The Catman (Eric Singer, bateria) retornam à cidade, hoje, no Mineirinho.

São os mesmos personagens, mas só Stanley e Simmons, os donos do Kiss, estiveram aqui em 1983. Thayer e Singer, vestindo os mesmos paramentos dos originais Ace Frehley e Peter Criss, são de uma geração posterior aos já sessentões fundadores da banda.

Em sua sexta e maior turnê brasileira, o Kiss faz aqui show dos 40 anos de formação. Iniciada em junho de 2014, a turnê mundial tem datas confirmadas até outubro.

No show de 1983, houve panfletagem de grupos evangélicos (do lado de fora, claro) contra os “Cavaleiros a Serviço de Satanás”. Pois hoje também haverá distribuição de panfletos, do lado de dentro do ginásio.

Stanley nasceu sem a orelha direita (também é surdo desse ouvido). Portador de microtia, deformidade congênita rara que causa subdesenvolvimento do órgão, sofreu um bocado quando criança (ele próprio conta em sua recém-lançada autobiografia, 'Uma vida sem máscaras').

No final dos anos 1990, conheceu a ONG canadense About Face, que luta contra o bullying contra crianças com anomalias faciais. Virou espécie de porta-voz. E onde fica a única filial da organização? Em Belo Horizonte. Pois seu presidente, Guilherme Corrêa, organizou ação hoje no show, com equipe explicando as ações da ONG (que, em Minas, é dedicada à educação).

O show do Kiss está previsto para começar às 21h. Mas o circo vai começar bem antes. Quem puder chegar às 19h vai se divertir um bocado. O quarteto de Los Angeles Steel Panther foi convocado para a abertura.

É uma banda como o finado Massacration da MTV, só que bem mais debochado. O grupo foi criado em 2000, mas em sua “história” seria uma banda de hair metal que perdeu o bonde dos anos 1980. Não ficou famosa como Van Halen, Guns’N’Roses e congêneres. Com letras politicamente incorretas ao extremo, faz uma ode ao exagero. Seus integrantes vestem-se como os astros dos hard rock oitentista (calças coladas, cabelão com laquê e muita maquiagem).

Em bate-papo com o EM, o guitarrista e vocalista Satchel só falou da vontade de vir ao Brasil e ‘traçar’ o maior número de brasileiras possível. Adepto do sexo, drogas e rock’n’roll, comentou mais de uma vez como sua vida melhorou após o uso constante do medicamento Cialis, contra disfunção erétil. Só rindo.

KISS

. Hoje, no Mineirinho, Avenida Antônio Abrahão Caram, 1.000, Pampulha
. Abertura dos portões: 16h
. Show Steel Panther: 19h
. Show Kiss: 21h
. Classificação etária:16 anos (menores de 16 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis legais)
. Capacidade:15 mil pessoas
. Ingressos: Arquibancada: R$ 200 e R$ 100 (meia)
. Pista: R$ 400 e R$ 200 (meia)
. Pista Premium: R$ 600 e R$ 300 (meia)
. À venda no site www.ingressofacil.com.br (com taxa de 20%); e bilheteria do Mineirinho, a partir das 11h
. Acessos: Camarote: portão 304; Pista Premium: portão 301; Pista: portão 300; Arquibancada: portão 402
. Ônibus: Move (51, 52, 63, 64, 67, 68, 5250, 5550, 6350); 5106, 5401; Circulares 503 e 504; Suplementares 51, 53 e 54


A BANDA NO BRASIL

. Junho de 1983 – A estreia no país tanscorreu bem no Rio e em São Paulo. Mas em BH... protestos religiosos; milhares de ingressos devolvidos por causa da mudança da censura de 12 para 16 anos; prisões; adiamento em um dia por causa de problemas técnicos.

. Agosto de 1994
No lançamento do festival Monsters of Rock, a banda retornou ao país para um show único em São Paulo. Era o tempo da The Kiss my ass/Alive III Tour, e também o período em que eles se apresentavam sem maquiagem.

. Abril de 1999
Desta vez, a banda se apresentou em São Paulo e em Porto Alegre. O disco do período era Psycho circus, gravado com a formação original. O público assistiu aos shows com óculos 3D.

 Abril de 2009
Uma década mais tarde, o grupo retorna ao Rio e a São Paulo para comemorar seus 35 anos de carreira. A Kiss Alive/35 World Tour, uma das mais rentáveis do grupo, deve parte de seu sucesso ao reality show Gene Simmons family jewels. Segundo o próprio, claro.

. Novembro de 2012
Com um novo álbum de estúdio, Monster
(até agora o mais recente), o grupo foi ao Rio, a São Paulo e a Porto Alegre logo na estreia da temporada, que durou um ano mais.


Três perguntas para...

AFP PHOTO JEAN-SEBASTIEN EVRARD
O guitarrista Tommy Thayer (foto: AFP PHOTO JEAN-SEBASTIEN EVRARD )
Tommy Thayer
Guitarrista do Kiss, 54 anos


Você já fez de tudo no Kiss, até cover. Como foi?

No início dos anos 1990, eu me reuni com um grupo de amigos para a banda Cold Gin (também nome de uma música do Kiss). Não era nada organizado como hoje, quando um cara pode ter uma banda cover como ganha-pão por anos e anos. Na verdade, nos reunimos, colocamos maquiagem e tocamos músicas do Kiss. As pessoas adoraram e resolvemos então fazer um número maior de shows. Até Paul e Gene assistiram a uma das performances, riram demais com a gente.

Quão difícil foi para você se tornar um integrante efetivo da banda?

Conheci o Kiss em 1985, quando estava na Black’N’Blue (banda de metal) e fomos convidados para abrir alguns shows do Kiss. Logo nos tornamos próximos, tanto que o Gene produziu um disco nosso. Já tinha trabalhado com o Gene em músicas para o álbum 'Hot in the shade' (1989) e, quando o Black’N’Blue terminou, o Paul e ele me chamaram para trabalhar meio período. A ideia era organizar as fotos que viraram o livro 'Kisstory' (1995). Na época, me pareceu bem legal. Nem parecia trabalho. Até que veio 1996 e começou a 'Reunion tour', já que Peter Criss e Ace Frehley estavam de volta. Falaram-me para ajudá-los, já que nenhum dos dois estava tocando guitarra e bateria corretamente. Com a banda de volta à estrada, me tornei produtor da turnê. Também dirigi muitos vídeos, fiz trabalho de estúdio, ensaios. Quando Ace saiu de novo, foi natural para eles chegarem para mim e dizer: ‘Tommy, você vai ser o nosso guitarrista solo’. Subir ao palco com uma banda de 30 anos de história, aquelas roupas, a maquiagem, foi uma experiência inacreditável, surreal. Ao mesmo tempo, como eu estava com eles há 10 anos, já me sentia confortável. E eles comigo.

Quando Eric Carr e Vinnie Vincent entraram para o Kiss, eles ganharam novos personagens. Você sentiu algum desconforto em usar a maquiagem do Ace?


Quando você entra numa banda que já existe há 30 anos, não tem poder algum para pedir algo como isso. Não seria algo inteligente e, no final das contas, a decisão será sempre de Gene e Paul. Imagine se eu diria: ‘Não, não vou entrar no Kiss porque não quero usar aquela maquiagem’. Eu seria louco se dissesse isso. E, no fim das contas, nunca gostei da ideia de ser um outro personagem que não o Space Man.

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